O argueiro e a trave no olho

O argueiro e a trave no olho

Mateus 7:3-5; Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 10 – item 9

Edição de julho/2019 – p. 26

O argueiro e a trave no olho

“3 E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? 4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? 5 Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão,” (Mt 7:3-5).

“E POR QUE” – O Mestre questiona o nosso procedimento. Perguntando, nos leva a raciocinar e a tirar conclusões a respeito. Não deixa, entretanto, de fornecer subsídios para a meditação.


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“REPARAS TU” – Fixar atenção, observar. Justo reparar para aprender. Não para julgar.

“NO ARGUEIRO” – Partícula leve, cisco. Qualquer corpo estranho, por menor que seja, na vista, nos impede de enxergar bem.

“QUE ESTÁ NO OLHO” – Na vista física. Como devemos passar do objetivo para o subjetivo, do material para o espiritual, precisamos pensar em “olho” como visão, como entendimento. A visão de cada um vai depender da sua evolução. Somos espíritos imortais. Já temos vivido numerosas existências e, através delas, vimos amealhando conhecimentos e experiências, base do nosso atual entendimento, que constitui a fonte de nossas ações e reações.

“DO TEU IRMÃO” – Todos somos membros de uma só família, a espiritual, na condição de filhos de Deus. Tratando-se de um irmão, mais cuidado devemos ter. Imperiosos agirmos com ponderação e justiça.

“E NÃO VÊS” – Não enxergar, não admitir. Por amor-próprio e por vaidade, sempre nos julgamos melhores do que realmente somos. Exageramos nossas virtudes e reduzimos os nossos erros.
Usamos um binóculo, só que de modo correto para ver nossas virtudes, ampliando-as, e de maneira errada (invertido) para contemplar as nossas imperfeições, reduzindo-as. E, com isso vamos nos iludindo pela vida afora, com sérios prejuízos para nossa evolução.

“A TRAVE” – Viga, bloqueio, impedimento. Oportuno comparar argueiro com trave. O primeiro, argueiro, é minúsculo, quase imperceptível; o segundo, a trave, se impõe: grande não há como se esconder, passar despercebido. Porque já temos condições de notar o estorvo da vista, na visão alheia, é que o nosso cresce, transformando-se em “trave”. É consciente. Sabemos o mal que representa para nós.

“QUE ESTÁ NO TEU OLHO?” – Todos contamos com muitas restrições. Somos espíritos em evolução encontramo-nos a caminho das trevas para a luz.

“Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?” (Mt 7:4).

“OU COMO DIRÁS” – Com que autoridade? Somente conseguimos falar, com possibilidade de sermos ouvidos, sendo autênticos.

“A TEU IRMÃO” – Ao companheiro de romagem terrestre.

“DEIXA-ME TIRAR O ARGUEIRO DO TEU OLHO” – Eliminar os próprios impedimentos é trabalho de cada um. Pede esforço e perseverança. O melhor sistema consiste em irmos ocupando a nossa vida com o bem e, reunindo assim, o arrebatamento e a influência das próprias imperfeições.

Consideremos também que ninguém pode dar do que ainda não possui. Cada um vai olhar a vida com os “olhos” da própria evolução”.

“ESTANDO UMA TRAVE NO TEU?” – Se nossos impedimentos são maiores, é evidente que não podemos ter uma visão adequada da existência, das pessoas, das coisas… É admirável a capacidade do Mestre, baseando lições em fatos corriqueiros. Imaginemos um pelo dos cílios nos olhos como embaraça a visão!!

“Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão,” (Mt 7:5).

“HIPÓCRITA” – Falso; fingido. Somos hipócritas, querendo passar pelo que não somos. Jesus não está xingando, mas dizendo uma verdade.

“TIRA” – Imperativo. Esforço próprio e movimento bem orientado no sentido de substituir os vícios, os erros por virtudes. A partir das imperfeições mais gritantes (traves).

“PRIMEIRO” – De preferência. Trabalhando com vistas a superar os grandes erros, não quer dizer com isso que as pequenas faltas possam ser esquecidas.

“A TRAVE DO TEU OLHO” – Nesse empenho, vamos conquistando mais conhecimento, mais experiência, mais compreensão, e começamos a ver a vida, as pessoas e as coisas sob novo prisma, o prisma da caridade.

“E ENTÃO” – Nesse tempo. Nessa oportunidade. Em tais circunstancias.

“CUIDARÁS EM TIRAR O ARGUEIRO DO OLHO DO TEU IRMÃO” – Cuidar: cogitar; trabalhar pelos interesses de alguém; preocupar-se com alguém. Podemos contribuir para que seja retirado o argueiro ou cisco do olho do nosso irmão, esclarecendo-o, cooperando com ele. Por outro lado, no empenho de tirar antes a trave dos próprios olhos, aprendemos tanto, tanto a vida nos ensinou que passamos a ser compreensivos, tolerantes. Relevamos os deslizes alheios. Iniciamos a admitir que, de fato, existe uma lei de evolução, que cada um se encontra num ponto diferente da escada da vida.

É quem vê uma coisa de um determinado ângulo, só pode enxergá-la a seu modo.

Para espíritos (encarnados e desencarnados) mais evoluídos do que nós, como somos obtusos, como, na nossa cegueira, fazemos alarde de que enxergamos com clareza… Eles, porém, são solícitos e continuam nos ajudando.



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