Novela Amor à Vida – Entrevista com o autor Valcyr Carrasco

Novela Amor à Vida – Entrevista com o autor Valcyr Carrasco

Walcyr-CarrascoFormado em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP, Walcyr Carrasco vive em São Paulo onde divide seus dias como escritor e autor de teatro e novelas. Sua carreira literária iniciou-se aos 28 anos, quando escreveu seu primeiro livro “Quando meu irmãozinho nasceu”. De lá pra cá, ele já soma 60 títulos em sua biografia, entre juvenis e adultos, sendo “Juntos para Sempre” o mais recente. Nos palcos, Walcyr estreou com a comédia “O terceiro beijo”, mas foi “Êxtase” que lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Autor. Na Globo, é dele a autoria das novelas ‘O Cravo e a Rosa’, ‘A Padroeira’, ‘Chocolate com Pimenta’, ‘Sete Pecados’, ‘Alma Gêmea’, ‘Caras e Bocas’, ‘Morde e Assopra’ e ‘Gabriela’.

‘Amor à Vida’ é uma novela ambientada em São Paulo. Grande parte das cenas se passa em um hospital. Há uma forte história de amor e muitos conflitos familiares. Como juntar isso tudo e definir a história?

Walcyr Carrasco – É uma novela que vai falar de famílias. Desde as mais tradicionais, com seus segredos ocultos, até as mais modernas, em suas novas formações. Paloma (Paolla Oliveira), a protagonista, se verá diante de um grande dilema em sua vida: seguir a carreira de médica ou entregar-se ao amor livre de Ninho (Juliano Cazarré). Mas a novela busca outras respostas também. Respostas nem sempre fáceis de se responder, como no caso do amor por um filho, que será colocado em questão: quem tem mais direito, quem gera ou quem cria?

Em que você se inspira para escrever a novela, criar personagens e construir as tramas?

Walcyr Carrasco – A minha inspiração vem da literatura e da vida real. Eu tenho formação em literatura clássica e estou relendo toda a coleção de Balzac. É lá que estou buscando muitas tramas.

E por exemplo, a história do bebê que é jogado em uma caçamba de lixo, foi inspirada em histórias reais. Uma vez, passando por uma cidade no sul do país, me deparei com um outdoor que dizia para não jogar seu bebê no lixo. Aquilo era real, uma campanha, e me chamou a atenção. Eu já tinha a história na minha cabeça, mas isso me fortaleceu.

Qual o diferencial da linguagem de ‘Amor à Vida’?

Walcyr Carrasco – Quero impor um ritmo de seriado ao contar a trama. Já trabalhei dessa forma e deu certo, quero repetir. É uma maneira de ter sempre uma história interessante por semana e dos personagens terem mais destaque. É o momento de cada trama.

No primeiro capítulo, os personagens Paloma e Ninho vão se conhecer no Peru e viver uma história de amor. Como foi a escolha desse país?

Walcyr Carrasco – Quando eu tinha 20 anos fiz uma viagem de mochileiro pelo Peru. Foi maravilhoso. Relembrei muitas histórias, minhas aventuras e isso me ajudou a criar o Ninho, personagem do Juliano Cazarré.

Como foi a escolha do elenco? Você participou?

Walcyr Carrasco – Foi uma decisão conjunta. Minha, do Wolf Maya e do Mauro Mendonça Filho. Wolf é muito bom para escolher elenco, tem uma boa visão de quem se encaixa em determinado papel e uma boa experiência em novelas das 21h.

E para montar um hospital é preciso um corpo médico grande. Eu fiz questão de médicos e enfermeiros que fossem interpretados por bons atores. Para isso foi necessário escalar um grande elenco.

Por que mostrar São Paulo como cenário de ‘Amor à Vida’?

Walcyr Carrasco – Quando vamos ao exterior, vemos tudo, queremos conhecer todos os lugares. Em São Paulo, não conhecemos quase nada. Eu conheço muito a capital. São Paulo é uma cidade internacional, com parques incríveis, coisas lindas. É isso que quero mostrar.

O que não pode faltar em uma novela de Walcyr Carrasco?

Walcyr Carrasco – Não pode faltar a minha entrega emocional. Se não tiver isso, não consigo escrever.