Nesta crise, como fica o Seguro Saúde nos EUA? Monica Franchi Souza esclarece dúvidas.

Monica Franchi Souza dá dicas e orienta sobre o seguro saúde

Orlando – Fl

Em entrevista exclusiva ao “Canal Perguntas”, no Youtube, comandado por Paulo Paternes, a Insurance Broker, Monica Franchi Souza, da Assureline Insurance and Financial Services, em Orlando, fala de tópicos importantes sobre seguro saúde, em tempos de coronavírus. Abordando o tema “Nesta crise, como fica o Seguro Saúde nos EUA?”, Monica dá dicas imprescindíveis, orientando procedimentos adequados quanto à perda do emprego, à redução das horas de trabalho e a mudanças do plano de saúde.

Canal Perguntas – A informação que chega é que 16 milhões de pessoas aplicaram para o seguro desemprego, isso é verdade?

Monica Franchi Souza – Sim, e muitas pessoas estão perdendo os benefícios através do empregador, seguro saúde, seguro de vida, aposentadorias, enfim, uma série de alterações no planejamento pessoal.

Perdeu o emprego e agora?

CP – Como fica a situação de quem perdeu o emprego e de pessoas que continuam no emprego, mas não estão trabalhando? Como elas vão conseguir pagar o seguro? Explica o que pode acontecer.

MFS – Existem diversas possibilidades. Para quem perdeu o trabalho e tinha o seguro saúde através do empregador, a empresa oferece à pessoa se ela gostaria de manter o seguro saúde, isso é uma possibilidade e se chama COBRA. Seu seguro saúde será mantido por até dezoito meses. E o que acontece? Quando você mantém o COBRA, além de pagar a sua parte, terá de pagar a parte do empregador, o que gera um custo muito alto. Por isso, a pessoa acaba saindo do sistema no momento em que ela pode precisar do seguro saúde.

Outra alternativa é você ter um prazo de até sessenta dias corridos, da data que você perdeu o seu seguro, para aplicar em outro seguro saúde, regulamentado embaixo da lei Obamacare. Essa, muitas vezes, acaba sendo uma alternativa mais barata; melhor relação custo/benefício. Será analisado o quanto que a sua família estará fazendo na nova situação de renda e, baseado nisso, você pode ter uma ajuda de custo. O custo do seguro, através do governo ou do empregador, é o mesmo. Entretanto, o valor é diferente. Por intermédio do empregador, paga-se integralmente agora; embaixo da lei Obamacare, paga-se somente uma parcela, definida pelo governo. Tem gente que vai pagar zero por mês até outros valores, dependendo da renda da família.

CP –Obamacare e Cobra, o que difere?

MFS – O Cobra é manter o mesmo contrato que se tinha com a empresa antes do desligamento, entretanto, você terá que pagar as duas partes, ou seja, a parte que era descontada do seu salário e a parte que o empregador pagava. A melhor possibilidade é verificar as opções através do seguro saúde regulamentado e pagar uma mensalidade muito mais barata, de acordo com o seu interesse.

CP – E como funciona a questão da carência?

MFS – Se você tem um seguro saúde regulamentado, ele está embaixo da lei do ACA (Obamacare), que é obrigado a aceitar qualquer paciente independente de sua saúde (doenças preexistentes). Você pode ter uma doença grave e estar no meio de um tratamento, e aderir ao plano, que não terá carência. O seguro saúde regulamentado, por exemplo, cobre o coronavírus. As pessoas recebem propostas de seguro saúde, às vezes, por um quarto do preço; mas um seguro saúde não regulamentado não cobre o coronavírus depois que foi declarado pandemia.

CP – E o que diferencia o seguro regulamentado do seguro não regulamentado? Ambos são seguros?

MFS – Ambos são seguros. O regulamentado é garantido pelo governo, portanto não tem limites de gastos. Tem que cobrir qualquer tipo de doença, não considera preexistência, é uma apólice muito mais profunda, por isso é um seguro saúde que custa um pouco mais caro. Mas o fato de custar um pouco mais caro não quer dizer que se paga mais. Se você está em situação mais difícil, vai pagar proporcional à sua renda. O governo vai subsidiar e pagar o restante.

CP – Nós só podemos trocar o seguro saúde, ou seja, mudar o plano no mês novembro de cada ano. Na atual situação, se eu perder o seguro saúde, tenho sessenta dias para a troca?

MFS – Isso passa a ser uma exceção à regra, você só poderia trocar de seguro saúde a partir do dia primeiro de novembro, mas quando existe a perda involuntária do seguro do empregador, abre-se uma janela de exceção de sessenta dias corridos e você pode fazer essa aplicação no Obamacare. Seria injusto ficar sem seguro saúde até o final do ano, quando se abre uma janela para todos.

CP – Existe diferença entre perder o emprego e perder horas? Ambos os casos me dão o direito de trocar o meu seguro saúde?

MFS – Não, perder o emprego é uma coisa; perder horas é outra situação. Muitas vezes, a companhia que você trabalha diminui as horas ou até coloca o funcionário em espera, conhecido como “furlough”. Ou seja, continua-se empregado, mas não se recebe um salário. Nesse caso, a companhia, às vezes, continua pagando os benefícios. É importante entrar em contato com o Recursos Humanos da companhia para verificar a perda ou não dos benefícios. Se você perdeu seu emprego, automaticamente perde os benefícios e, neste caso, pode aplicar no Obamacare.

O governo entende que a sua renda diminuiu, então o seu subsídio aumenta proporcionalmente. Podemos verificar no Marketplace e atualizar sua renda, o que vai alterar significativamente a sua parte a pagar. É o que temos feitos com todos os nossos clientes. Quando a situação melhorar, você pode mudar novamente sua renda… para baixo ou para cima, quantas vezes forem necessárias. Importante: se você continuar empregado, mesmo que com uma renda menor, não pode cancelar o seguro do empregador, a não ser que o custo da mensalidade seja maior que 9,6% de sua renda anual.

CP – Perdi meu emprego ou baixou minha renda, eu posso perder benefícios do meu seguro saúde e outros?

MFS – No caso da perda do emprego, sim. Se apenas sua renda mudar, não, você não vai perder os benefícios. Os benefícios serão os mesmos do dia de sua contratação. Talvez a empresa vai pagar menos e sua parte vai subir.

CP – E como ficam os outros benefícios, incluindo aposentadoria?

MFS – As pessoas que foram demitidas, o primeiro pensamento é que estão precisando de dinheiro. E se você acessar os fundos do IRA ou 401K antes dos sessenta anos, iria pagar dez por cento de multa. Com o Cares Act, pode-se retirar até 100 mil dólares sem esta multa e tem até três anos para pagar esse dinheiro de volta. O que eu acredito é que cada caso é um caso, temos que ver a necessidade de cada um. É tentar ver onde o dinheiro está aplicado e talvez mudar esse investimento, fazendo algo mais seguro e em um portfólio mais balanceado. Outra opção é transferir esse dinheiro para outros tipos de contas, como um fundo de pensão ou algo assim, que dará uma garantia maior.

CP – Como é feito todo esse trabalho? A sua empresa realiza esse processo de esclarecimento e execução a favor do cliente, e também das pessoas que estão precisando neste momento? Qual é o custo disso?

MFS – Não cobramos por nossos serviços. Quem nos paga são as seguradoras. Você perdeu o seguro através da empresa ou teve uma diminuição na sua renda e quer fazer uma alteração na sua aplicação, posso fazer tudo isso, a pessoa não tem que pagar. Se a pessoa fizer esse processo com um agente/broker ou direto com a seguradora, não existe diferença alguma para ela no preço final. Em relação à análise do portfólio financeiro, a pessoa também não paga pela análise, são levadas em consideração as dificuldades e possíveis soluções para o que for melhor para a pessoa. Vamos fazer um planejamento adequado até superar esse momento de crise.

CP – Quem deve procurar um Broker/Agente para resolver estas questões importantes do seguro saúde e avaliação financeira? Qual o perfil?

MFS – Qualquer pessoa que perdeu o emprego ou teve uma redução na renda e gostaria de reavaliar seus custos. Em relação aos investimentos, se você tem aplicação financeira em banco ou uma aposentadoria privada e quer rever este portfólio, podemos ajudar.

CP – E os estudantes brasileiros que estão no país com o visto F-1 e têm seguro de saúde, no caso eles podem alterar o seguro saúde?

MFS – Depende de qual tipo de seguro este estudante está usando. Os seguros de estudantes são bem mais baratos comparados aos do Obamacare, porque não têm as garantias da lei do ACA, são conhecidos como Short ou Long Term Insurance. Esses seguros normalmente não cobrem doenças preexistentes. Se você já tem um seguro não regulamentado hoje, comprado antes do dia 27 de março, quando foi declarada a pandemia, provavelmente ele cobre o coronavírus, então aconselhamos a não mudar. Estamos recebendo muitas ligações de estudantes preocupados com essa cobertura e aconselhamos a pessoa a mudar apenas se tem uma janela para aplicar no Obamacare. Os seguros Short ou Long Term – vendidos depois do dia 27 de março – não têm cobertura para o coronavírus, a não ser que tenham essa cobertura especificada no contrato.

CP – Algum alerta em especial?

MFS – Até alguns dias atrás, existia a possibilidade da abertura de um período especial para inscrição do Obamacare, que foi descartado pelo presidente Trump; mas devido à grande quantidade de pessoas que estão perdendo o seguro e daquelas que não têm seguro hoje em dia, continua uma grande pressão através do Congresso Nacional para que o governo abra esta janela que deverá permitir inscrições para o seguro saúde.

Serviço

Monica Franchi Souza – Insurance BrokerAssureline Insurance, Orlando

Fone – 407-502-0203 ou 407-276-6108

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