Natal Francês: conheça detalhes sobre os famosos vinhos do país europeu

Natal Francês: conheça detalhes sobre os famosos vinhos do país europeu

Este mês, conversamos com Felipe Wertheimer, sommelier responsável pelo programa de vinhos do conceituado T. W. Guaimbê Exclusive Suites em Ilhabela, SP e do restaurante Península Dom Raul. Felipe é especialista em vinhos franceses, e dá dicas de rótulos perfeitos para qualquer ocasião, mas particularmente para celebrações especiais, como o Natal. Cheers!

Foto destaque: Felipe Wertheimer, 41 anos, enófilo com diversos cursos pela ABS-SP, WSET e Aliança Francesa de SP. Especialista em vinhos franceses com certificação nas regiões: Bordeaux, Chablis, Provence, Alsace, Languedoc-Roussillon e Rhône. Visita em diversos produtores na Champagne

Edição de dezembro/2018 – p. 36

Natal Francês

1) Quais são as principais características a se buscar em vinhos franceses?

A gama de tipos e estilos é muito variada. Cada região tem sua própria característica e o conceito de Terroir é levado muito a sério. Podemos encontrar desde espumantes leves até complexos vinhos de sobremesa.

2) Com a chegada das festividades de fim de ano, quais rótulos devemos ter em casa?

Champagne e Sauternes são clássicos nas ceias de fim de ano e nunca podem faltar. Há brancos e tintos para todos os gostos e sempre haverá o vinho perfeito para cada prato. Falaremos mais abaixo.

Belle Époque (Perrier-Jöuet)

3) Quais são os vinhos franceses que melhor harmonizam com pratos de Natal?

Para os clássicos eu sugeriria:

  • Finger Foods (Amuse Bouche): Champagne para começar, sempre;
  • Bacalhoada ao forno: um branco mais untuoso da Borgonha como Meursault, Corton-Charlemagne ou Pouilly-Fuissé; um Bourgogne Village se não quiser gastar muito;
  • Perú: um tinto frutado como um Cru de Beaujolais (Morgon ou Fleurie, por exemplo);
  • Beaujolais-Villages para uma opção mais econômica;
  • Pouilly-Fouissé (Louis Jadot)

    Leitão ou Pratos a base de carne de Porco: Um bom branco alsaciano, de preferência Riesling;

  • Beef Wellington: um Borgonha tinto da Cotes de Nuits ou um Bordeaux da Margem Direita a base de Merlot (Pomerol ou St. Émilion);
  • Cordeiro e carnes mais pesadas: Tintos mais encorpados como os de Bordeaux da Margem Esquerda a base de Cabernet Sauvignon (Médoc). Um bom Syrah do norte do Rhône também vai perfeitamente bem (Crozes-Hermitage, Hermitage, Cote Rôtie, etc);
  • Tortas Doces, Bolos, Frutos Secos: um bom Sauternes sempre é o casamento perfeito (os de Barsac são a opção mais econômica). Para doces a base de chocolate, um bom Banyuls, vinho fortificado do Sul, que faz às vezes de um Porto.

4) E para o réveillon?

Não há Ano Novo sem Champagne. Consideraria três categorias:

  • Champagnes Tradicionais das Grandes Casas (Maison): Möet-Chandon, Veuve Clicquot, Taittinger, Pommery, etc;
  • Champagnes de Pequenos Produtores ou de “Vigneron”: mais artesanais e de produção limitada como Pierre Péters, Barnaut, Ulysse Colin, Jacques Selosse, Pierre Paillard, etc;
  • Ícones: os melhores produtos das melhores casas como Dom Pérignon, Krug, La Grande Dame (Vèuve Clicquot), Belle Époque (Perrier-Jöuet), R.D (Bollinger), Comtes de Taittinger e por aí vai.

5) Vivendo entre o Brasil e os Estados Unidos, quais diferenças você observa na disponibilidade de vinhos franceses nesses dois países?

A oferta é boa em ambos os países, sobretudo nas lojas especializadas. No varejo o leque é sempre mais restrito. Pela menor produção, vinhos da Borgonha são mais difíceis de se encontrar. Nos EUA o preço é muito bom, muitas vezes mais baratos que na própria França. No Brasil, devido à absurda carga tributária, fica tudo bem mais difícil.

6) A França produz consistentemente alguns dos melhores vinhos de guarda do mundo, que acabam se transformando em bons investimento. Com base nas safras recentes, quais são os top 5 para se observar em 2019?

Depende muito de cada região mas, de maneira geral, destaco as safras de 2009, 2010, 2015 e 2016 (que está chegando agora ao mercado). A safra de 2018 promete ser excelente também, vale a compra “en Primeur”. Santé!

Georges Duboeuf (Beaujolais-Villages)

 

DICAS DE SERVIÇO:

  • Atentem-se sempre a temperatura, muda totalmente o vinho;
  • Taças apropriadas também fazem a diferença;
  • Vinhos de guarda abertos jovens, merecem uma aeração prévia de ao menos 2 horas antes do serviço.

DICAS DE RÓTULOS:

  • Deutz Brut Classique: US$37
  • Bollinger La Grande Année Brut 2007: US$ 115
  • Beaujolais-Villages Georges Duboef 2015: US$12
  • Hugel Riesling 2016: US$15
  • Pouilly-Fouissé Louis Jadot 2016: US$25
  • Mercurey Faiveley Clos de Myglands: US$40
  • Chateau D’Aiguilhe Castillon 2015: US$29
  • Chateau Monbousquet Saint-Émilion 2015: US$60
  • Chateau Guiraud Sauternes 2015 (375ml): US$28