Na questão dos médicos estrangeiros, também quero dar minha opinião!

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SET/13 – pág. 64

CHEGADA DOS MÉDICOS CUBANOS EM RECIFEDe um lado, o governo demagogo, esperto e acuado pelas manifestações de rua que clamavam por transporte público, educação e saúde. Então, por falta  do que propor nas duas primeiras  áreas, o governo decidiu atacar a saúde. A população se queixa da falta de assistência médica? Vamos contratar médicos estrangeiros.

De outro lado, as associações médicas cobrando a revalidação dos diplomas dos médicos estrangeiros (exigindo para eles uma prova que os nossos não fazem), hostis à chegada dos cubanos, armando um corredor polonês para chamá-los de escravos num desrespeito ético, cuja estupidez cavalar ganhou a antipatia da população e a acusação de defendermos interesses corporativistas.

E, no meio dessa guerra, o povo carente de atendimento e condições dignas de tratamento.

No meu ponto de vista, é melhor um médico com formação medíocre, mas boa vontade, do que não ter nenhum. Afinal, os médicos estrangeiros estão sendo contratados para vagas que não interessam aos brasileiros. Agora, se eles estão vindo em regime de escravidão e o nosso governo brasileiro está usando médicos subcontratados por uma ditadura bizarra, indo contra as nossas próprias leis, é problema da Justiça do Trabalho. Claro que o ideal seria contratarmos apenas os melhores profissionais do mundo, como fazem americanos e europeus, mas quantos estariam dispostos a trabalhar isolados, sem infraestrutura técnica, nas comunidades mais excluídas do Brasil?

Não é de hoje que os médicos se concentram nas cidades com mais recursos. É antipatriótico? Não agem assim engenheiros, advogados, professores e milhões de outros profissionais? Parece que até aí tudo resolvido, médicos estrangeiros preenchendo as vagas que os brasileiros não querem ocupar. Agora o problema é antigo, porque a área da saúde nunca foi priorizada nos últimos governos. Eu não me  lembro de nenhuma medida com impacto na saúde pública adotada nos últimos anos, uma só que seja…

Não sou contra a contratação de médicos estrangeiros para as áreas desassistidas, embora  a implementação apressada do programa “Mais Médicos” em resposta ao clamor popular, acompanhada da esperteza de jogar o povo contra a classe médica, é demagogia eleitoreira (em sua expressão mais baixa). Estão apresentando à sociedade como monetaristas privilegiados que se recusam a atender os mais necessitados, enquanto impedem que outros o façam, bem como estão tripudiando daqueles profissionais que recebem salários aviltantes em hospitais públicos e centros de atendimentos em que tudo falta, pessimamente administrados, sucateados por interesses políticos e minados pela corrupção mais deslavada desse e de outros governos corruptos aos quais nos submetemos.

Como em toda a profissão, há os maus profissionais, porém não se pode manchar a reputação de tanta gente dedicada, abnegada e responsável que atende diariamente os mais humildes. De fato, o país carece de profissionais na área, pois temos cerca de 1,8 médico por mil habitantes. A classe médica, entretanto, denuncia a falta de infraestrutura na Saúde Pública, que está gravemente doente.

Tratá-la requer muito mais do que importar médicos, resolver o problema da Saúde Pública no Brasil é tarefa para estadistas que enxerguem um pouco além das eleições do ano seguinte.

Pronto falei!

Elaine Peleje Vac
elaine@nossagente.net
(Médica no Brasil)
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