Maioria dos brasileiros que vive nos EUA prefere Biden, aponta pesquisa do “Instituto Ideia”

 Pesquisa diz que 71% dos brasileiros com direito a voto querem Joe Biden na presidência

 

Segundo o pesquisa do “Instituto Ideia” – divulgada pela  BBC News Brasil –, 71% dos brasileiros que vivem nos EUA e possuem direito a voto dizem que preferem o democrata Joe Biden, enquanto 27% optam pelo republicano Donald Trump – 3 em 4 brasileiros votam em Biden, diz estudo que apontou vitória de Trump em 2016

 

Da Redação

Segundo aponta a pesquisa do “Instituto Ideia” – divulgada pela  BBC News Brasil –, 71% dos brasileiros que vivem nos EUA e possuem direito a voto dizem que preferem o democrata Joe Biden, enquanto 27% optam pelo republicano Donald Trump, que concorre à reeleição. O “Ideia” ouviu 800 brasileiros maiores de 16 anos, entre os dias 26 e 27 de outubro, nos Estados da Flórida, Virgínia, Maryland, New Jersey, Nova York, Massachusetts, Texas, Illinois e Califórnia, além do Distrito de Columbia, onde fica a capital do país, Washington D.C.. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais. O instituto descobriu ainda que mais da metade desses brasileiros já votou — e engrossou os mais de 70 milhões de votos já recebidos no pleito atual. 33% deles enviaram suas cédulas via correio.

A pesquisa mostra o democrata Biden com vantagem de 44 pontos percentuais sobre o adversário Trump, em um quadro muito mais confortável do que aponta o agregado de pesquisas nacionais do site “FiveThirtyEight”, no qual Biden lidera com folga de nove pontos percentuais. A explicação para a ampla preferência pelo democrata também surge em uma pesquisa do “Ideia” realizada em setembro de 2020: 77% dos entrevistados se disseram contrários ao aumento nas restrições do governo americano sobre a imigração legal ou ilegal.

Biden com vantagem de 44 pontos percentuais -Quando questionados sobre quais devem ser as prioridades do próximo presidente, os brasileiros colocam em primeiro lugar, em empate técnico, a busca por uma vacina anticovid (23%), a recuperação da economia (22%) e a melhoria do sistema de saúde (19%). Na sequência, estão itens diretamente ligados à questão da imigração. Para 15%, a reforma do sistema migratório americano é o ato mais urgente do próximo mandatário e, para 13%, o presidente deveria se dedicar a criar um caminho para regularizar os indocumentados.

“E foi esse o teor da proposta de Biden no último debate presidencial entre os candidatos. O democrata afirmou que levará adiante uma reforma do sistema e que enviará ao Congresso uma proposta para dar cidadania americana a 11 milhões de imigrantes que vivem de modo ilegal nos EUA hoje”, explica Maurício Moura, fundador do “Instituto Ideia” e professor visitante da Universidade George Washington, em D.C..

E embora esses brasileiros que podem votar já sejam cidadãos e não estejam em risco de deportação, muitos deles nasceram nos EUA, filhos de imigrantes sem documentos. Ou são os chamados “Dreamers”, adultos jovens trazidos para os EUA ainda na infância em condição irregular. Para eles, a ameaça que as políticas de deportação representaram ou ainda representam para as suas famílias é muito real”, considera Maurício.

De acordo com Moura, a comunidade brasileira, composta por cerca de 1,2 milhão de pessoas, associa Trump a uma ideia de tolerância zero com os imigrantes. O republicano se elegeu em 2016 prometendo construir um muro na fronteira com o México e colocar para fora do país o que chamou de “bad hombres”, em uma referência a latinos indocumentados nos EUA. Os imigrantes brasileiros,  aponta a pesquisa, costumam residir nos subúrbios, áreas no entorno de grandes cidades, como Miami, na Flórida, e Boston, em Massachusetts.

 

Detenções na era Trump

Trump instituiu a separação de famílias de indocumentados – Durante sua gestão, Trump aumentou o número de detenções e prisões de pessoas indocumentadas. Em 2018, ele instituiu uma política de separação de milhares de famílias, inclusive brasileiras, que atravessaram sem autorização do governo americano a fronteira com o México. Por conta da medida, até hoje, 545 crianças jamais puderam ser reunidas a seus pais.

Além disso, em 2019, os americanos passaram a submeter brasileiros a deportação sumária, isto é, sem direito a audiência na Justiça. E também passaram a forçar imigrantes do país em busca de asilo a aguardar o desfecho do processo em território mexicano. Trump entrou ainda na Suprema Corte com um pedido de revogação da permanência dos “Dreamers” no país.

O “Ideia” diz que  65% dos brasileiros cravam a vitória de Biden, contra 35% que dizem que é Trump quem vai ganhar. Esses números representam uma mudança em relação ao que a própria comunidade previa em setembro de 2020: naquele momento, Trump era visto por 55% dos brasileiros como o favorito.

 

Percepção dos brasileiros

Entre uma pesquisa e outra, dois acontecimentos parecem ter pesado sobre o destino da disputa e a percepção dos brasileiros. O primeiro foi o debate presidencial entre Trump e Biden no fim de setembro. Na ocasião, Trump interrompeu o oponente dezenas de vezes, criando um clima caótico no debate. A avaliação da própria campanha do republicano foi a de que seu comportamento o atrapalhou. Tanto assim que, para o último debate, o presidente mudou completamente sua postura diante do oponente e das câmeras.

O segundo acontecimento foi à contaminação de Trump por coronavírus no início de outubro. Os sintomas de covid-19 no presidente foram fortes — com queda de oxigenação no sangue e febres altas — e obrigaram o republicano a passar quatro dias no hospital. Segundo Moura, “a doença pegou mal para Trump”, já que jogou de volta para o centro do debate um tema em que ele não vai bem.

A condução do presidente em relação à pandemia é mal avaliada pelos americanos no geral, mas sua imagem é ainda mais negativa na comunidade brasileira: em outubro, 82% dos brasileiros dizem que Trump teve desempenho ruim na crise sanitária e apenas 9% o aprovam. Em setembro, antes de sua infecção, os números eram ligeiramente melhores.