Jovem brasileiro contraria pedido da família e está no front de guerra na Ucrânia

Nem mesmo os pedidos insistentes de sua mãe o fizeram mudar de ideia de lutar na guerra da Ucrânia

Ninguém poderia supor que o motorista de aplicativo e fotógrafo, Fábio Junior de Oliveira, de 42 anos, fosse para o front de guerra na Ucrânia. Mesmo contrariando o pedido da família, ele está em Yavoriv, na Ucrânia, em pleno combate. De lá, fala exclusividade ao “Nossa Gente”, e faz relato surpreendente

Walther Alvarenga

O motorista de aplicativo, Fábio Junior de Oliveira, de 42 anos – sargento afastado do Exército Brasileiro –, já está na Ucrânia onde se integrou ao exército ucraniano para combater na guerra contra os russos. Ninguém acreditou quando Fábio externou sua intenção de lutar em defesa do povo ucraniano. Para a maioria, isso seria um “ato de loucura” enquanto pessoas tentam escapar do cenário de destruição e bombardeios.

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Em conversa por mensagem hoje pela manhã com Fábio, que está em Yavoriv, na Ucrânia, já usando a farda do exército ucraniano, as revelações  exclusivas ao “Jornal Nossa Gente” – via whatsapp. O jovem que tem família na cidade de Poços de Caldas (MG), disse que o momento é de alerta geral, pois a qualquer momento podem ser surpreendidos por ataques dos russos.

Foto de Fábio Junior enviada pelo celular de Yavoriv, na Ucrânia

“O cenário não é nada agradável, claro, estamos no meio de uma guerra e tudo pode acontecer. Passamos à noite em alerta máximo porque o inimigo está por todos os lados, e o perigo é iminente. Tenho plena consciência de que estar aqui é um ato de coragem, de decisão”, ressalta.

Pouco antes de embarcar para a Ucrânia, conta Fábio que conversou com a família, mesmo com os insistentes pedidos de sua mãe para que não fosse à guerra. “Minha mãe chorou muito na despedida, disse que aceitava a minha escolha, mesmo sabendo que eu não poderia voltar mais para casa. Vi o meu pai chorando pela primeira vez quando ele me abraçou. Foram momentos difíceis, mas prevaleceu a minha decisão”, fala com convicção.

“Tive que vender meu equipamento”

Fábio, na manhã desta terça-feira, pronto para o combate

Antes de embarcar, Fábio, que trabalhava como motorista de aplicativo em Poços de Caldas, e fotógrafo nas horas vagas, vendeu todo o seu equipamento de trabalho para conseguir dinheiro para comprar as passagens. “Tive que vender meu equipamento de fotografia porque não tive ajuda de ninguém para comprar as passagens. Esperei algumas semanas para levantar a verba.”

Indagado sobre seu contato e aceitação pelo exército da Ucrânia. Fábio, que fala muito bem o inglês, pois morou nos EUA, disse que preencheu um formulário especificando suas habilidades com armamento e relatando o porquê de sua decisão de lutar na guerra. Teve seu pedido aceito, embora o país ucraniano não dispusesse de verbas para pagar sua passagem.

“A minha decisão de defender o povo ucraniano foi em revolta aos ataques a civis, com crianças, mulheres e idosos mortos de forma trágica. Fiquei indignado e disse a mim mesmo que precisava fazer algo pelo povo daquele país”, desabafa.

Fábio chegou à Ucrânia na última sexta-feira, dia 15 de abril. Ele desembarcou na Polônia, de lá seguiu para Yavoriv, na Ucrânia, após se apresentar ao exército ucraniano.

Ao encerrar a entrevista por mensagem, a pergunta que todos fizeram a ele antes do embarque para a guerra: ‘Você não tem medo de morrer em combate?’

“Quando vim lutar na guerra da Ucrânia sabia que era um risco, que posso morrer em combate. Foi uma escolha e nada faria que eu desistisse, que mudasse de ideia. Estou aqui, agora, diante de uma realidade devastadora, mas confiante em Deus porque sei que ele me escolheu para essa missão”, finaliza.

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