Ilusão

Ilusão

A palavra “ilusão”, em português, de acordo com um dicionário da internet, significa “um erro na percepção ou no entendimento, uma interpretação errônea, um efeito artístico produzido pelo ilusionismo”.

Em inglês, existem duas palavras parecidas: illusion e delusion. A primeira acontece sem que percebamos, a segunda ocorre quando nos convencemos que não sabemos; mas, no fundo, estamos nos autoenganando. Eu acredito que é isso que está acontecendo em nível de racismo (um problema até agora existente, mas pouco ou nada falado). A mesma situação ocorre em relação ao Covid-19, pois embora a sociedade queira voltar ao normal, continuamos sem cura, ou seja, sem os devidos remédios e vacinas.

Infelizmente, o vírus continua existindo e sendo transmitido com muita rapidez, bem como sendo perigoso devido a sua complexidade, com mutações, variedade de sintomas, faixas etárias afetadas e condições infraestruturais referentes a cada sociedade e cultura. No entanto, vários países estão aliviando restrições para salvar a economia. Preocupantemente, a mensagem de alguns líderes, por intermédio de palavras e comportamentos contraditórios, gera confusão, o que agrava os cuidados comunitários gerais.

Recentemente, Luis Pires, na sua coluna “Coisas Da Vida” – do Jornal Luso-Americano –, dizia algo como: “Aguentem-se, povinho!”, “Portem-se bem!”, “Voltem para casa!”, “Nada de abraços ou beijinhos!”.

Na Inglaterra, proibiram encontros sexuais entre duas ou mais pessoas que não vivam na mesma casa (www.metro.co.uk). Não sei como vão monitorar esse comportamento, mas a razão para essa proibição é óbvia: como em qualquer doença infecciosa, o contato físico com apenas uma pessoa acarreta contatos físicos dessa pessoa com outras e assim por diante, aumentando o potencial contágio para todos aqueles envolvidos indiretamente.

Há duas semanas, fui a um enterro em St. Augustine, na Flórida. Chocou-me ver sair da sala (o que me pareceu) uma multidão que se abraçou e se cumprimentou com apertos de mãos. Claro que também tive vontade de abraçar a mãe do falecido – minha amiga há muitos anos –, mas se a abraçasse, abraçaria todas as outras pessoas presentes.

O vírus contamina a roupa e os cabelos; entra não só pela boca e nariz, mas também pelos olhos. Poucas pessoas estavam com máscara e, entre essas, algumas tinham máscaras ineficientes ou colocadas de forma errada. A ilusão devido à ignorância é uma coisa, mas a ilusão tipo delusion é outra. Não queiramos convencer que algo não nos faz mal somente porque somos mandriões, indisciplinados, envergonhados ou porque estamos fartos e cansados. Consideração por nós e pelos outros se traduz em todos usarem máscaras e evitarem ficar demasiadamente perto (podemos visitar sem correr esses riscos, escolhendo lugares ao ar livre, por exemplo), especialmente se participarmos de alguma demonstração antirracismo.

Eu sugiro que tenhamos o controle do que podemos fazer, com o objetivo de nos cuidar sem magoar outros. Tarefa importante e urgente que pode ser tão simples como caminhar juntos depois de jantar, respirar fundo todas as manhãs, meditar à hora de almoço, abraçar o cachorro – sem esquecer de abraçar primeiro aqueles que partilham nosso espaço, nem que seja com uma ação ou palavra gentil.

Vamos aproveitar esse tempo de maior isolamento como uma oportunidade para refletir e ler mais, bem como caminhar mais lentamente, de nos organizar mais, de planejar melhor o nosso futuro (individual, familiar e político).

Recovery International (www.recoveryinternational.org) ensina que, para ter melhor saúde mental e física, há três caminhos supremos que se inter-relacionam: saúde mental, valorização da paz interior e o esforço de autodisciplina.

Para mais informações, visite a minha página na internet www.ortigao.com.