Hipertensão Arterial

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JUL/14 – pág. 62

O que é hipertensão arterial?

A hipertensão arterial (pressão alta) é das doenças de maior prevalência na população. No mundo, são 600 milhões de hipertensos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora o problema ocorra predominantemente na fase adulta, o número de crianças e adolescentes hipertensos vem aumentando a cada dia. A SBH estima que 5% da população com até 18 anos tenham hipertensão – são 3,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros.

A pressão alta caracteriza-se pela presença de níveis de pressão arterial elevados associados a alterações no metabolismo do organismo, nos hormônios e nas musculaturas cardíaca e vascular.

Quais são as causas?

Em 95% dos casos, a causa da hipertensão arterial (HA) é desconhecida, sendo chamada de HA primária ou essencial. Nesses pacientes, ocorre aumento da rigidez das paredes arteriais e a herança genética pode contribuir para o aparecimento da doença em 70% dos casos.

Nos demais, ocorre a HA secundária, ou seja, quando uma determinada causa predomina sobre as demais, embora outras possam estar presentes. É o caso da:

  • HA por doença do parênquima renal
  • HA renovascular: provocada por algum problema nas artérias renais. O rim afetado produz substâncias que elevam a pressão arterial
  • HA por aldosteronismo primário
  • HA relacionada à gestação
  • HA relacionada ao uso de medicamentos; como corticosteróides, anti-concepcionais ou anti-inflamatórios
  • HA relacionada ao feocromocitoma: tumor que produz substâncias vasoconstritoras que aumentam apressão arterial, produzem taquicardia, cefaléia e sudorese
  • HA relacionada a outras causas

Quem está em risco para desenvolver esta condição?

Pessoas com história familiar de hipertensão podem apresentar maior risco para a doença. Pesquise se em sua família existem pessoas hipertensas. Caso faça parte deste grupo, procure orientação sobre como começar a prevenir a hipertensão.

Níveis elevados de pressão arterial são facilitados por: elevada ingestão de sal, baixa ingestão de potássio, alta ingestão calórica e excessivo consumo de álcool. Os dois últimos fatores de risco são os que mais contribuem para o desenvolvimento de peso excessivo ou obesidade, que estão diretamente relacionados à elevação da pressão arterial. O papel do teor de cálcio, magnésio e proteína da dieta na prevenção da pressão arterial ainda não está definido.

O estresse psicológico e o sedentarismo ainda aguardam provas mais definitivas de participação como fatores de risco, embora existam evidências de que sua modificação pode ser benéfica no tratamento da hipertensão arterial.

O aumento do risco cardiovascular ocorre também pela agregação de outros fatores, tais como tabagismo e dislipidemias – alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, intolerância à glicose e diabetes mellitus.

O que sente o portador desta condição?

Na maioria dos casos, não são observados sintomas. Quando estes ocorrem, são comuns a outras patologias, tais como dor de cabeça, tonturas, cansaço, enjôos, falta de ar e sangramentos nasais. Por isso, a hipertensão arterial é conhecida como uma doença silenciosa. Isto pode dificultar o diagnóstico ou fazer com que os pacientes esqueçam de usar os medicamentos necessários para controlar a pressão arterial.

tabela

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito pela aferição (medida) cuidadosa da pressão arterial em mais de uma oportunidade. As medidas devem ser obtidas em ambos os membros superiores e, em caso de diferença, utiliza-se sempre o braço com o maior valor de pressão para as medidas posteriores.

A posição recomendada para a medida da pressão arterial é a sentada. A medida nas posições ortostática e supina deve ser feita pelo menos na primeira avaliação em todos os indivíduos e em todas as avaliações em idosos, diabéticos, portadores de disautonomias, alcoolistas e/ou em uso de medicação anti-hipertensiva.

As medidas devem ser realizadas por profissionais experientes e usando um equipamento devidamente calibrado.

Os médicos usam a tabela abaixo para classificar a hipertensão:repouso de 15 minutos em ambiente calmo e agradável a bexiga deve estar vazia (urinar antes)após exercícios, álcool, café ou fumo aguardar 30 minutos para medir o manguito do aparelho de pressão deve estar firme e bem ajustado ao braço e ter a largura de 40% da circunferência do braço,sendo que este deve ser mantido na altura do coração não falar durante o procedimento esperar 1 a 2 minutos entre as medidas manguito especial para crianças e obesos devem ser usados a posição sentada ou deitada é a recomendada na rotina das medidas considere-se como valor a média das duas. Deve-se salientar que estas medidas são feitas no mesmo braço.

Cuidados para medir a pressão arterial

Alguns cuidados devem ser tomados, quando se verifica a pressão arterial:

  • repouso de 15 minutos em ambiente calmo e agradável
  • a bexiga deve estar vazia (urinar antes)
  • não medir a pressão logo após exercícios, ingestão de álcool, ingestão café ou fumar
  • não falar durante o procedimento
  • esperar 1 a 2 minutos entre as medidas
  • aparelhos especiais para crianças e obesos devem ser usados
  • a posição sentada ou deitada é a recomendada na rotina das medidas
  • considere-se como valor a média das duas aferições. Deve-se salientar que estas medidas são feitas no mesmo braço.

Quais as opções de tratamento disponíveis?

Existem dois tipos de tratamento para os hipertensos: não-medicamentoso e medicamentoso.

Um estilo de vida saudável é fundamental para controlar fatores ambientais que influenciam negativamente apressão arterial. Uma alimentação rica em frutas, verduras e vegetais, evitar a ingestão excessiva de sal , combater o sedentarismo e a obesidade, evitar o álcool e o cigarro colaboram para a redução da pressão arterial e para a diminuição do risco cardiovascular.

Quando essas medidas não são suficientes para controlar a pressão arterial, o médico pode optar por introduzir medicações hipotensoras. O tratamento medicamentoso deve estar sempre associado ao tratamento não-medicamentoso citado acima.

Existem vários medicamentos usados para controlar a hipertensão. O objetivo é reduzir a pressão arterial para valores inferiores a 140 mmHg de pressão sistólica e 90 mmHg depressão diastólica, respeitando-se as características individuais, a presença de outras doenças e a qualidade de vida dos pacientes.

Quais são as complicações da doença?

O aumento contínuo da pressão arterial faz com que ocorram danos às artérias. Elas tornam-se mais espessadas e estreitadas, podem começar a ter placas de gordura aderidas a sua superfície, dificultando o fluxo sanguíneo. As artérias vão perdendo sua elasticidade, podendo entupir ou romper.

Essas complicações da hipertensão atingem mais freqüentemente o coração, cérebro, rins, olhos e artérias periféricas. Podendo levar ao infarto agudo do miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca, arritmias cardíacas,acidente vascular cerebral, insuficiência renal, problemas oculares como diminuição da visão e alterações na retina ou problemas circulatórios.

DICAS IMPORTANTES:

Não valorize aferições na rua, calçadões, shoppings… Nestas circunstâncias você não está em condições adequadas para a aferição (não está em repouso, esteve em exercício físico, talvez esteja estressado por adversidades no comércio, o aparelho não é confiável – pode não estar aferido, não tem assistência médica disponível…).

Uma só aferição não é o suficiente para conclusões. As medicações são muito individuais. Não siga esquemas terapêuticos do vizinho, do parente…

Crie vínculo com um médico ou serviço para ter uma continuidade terapêutica. O tratamento da Hipertensão arterial deve seguir uma sequência lógica para adequação terapêutica.

As medicações devem ser prescritas por MÉDICO. Existem muitas particularidades que só o médico estará apto a averiguar e fazer o esquema adequado para você.

Verifique periodicamente sua pressão se você é hipertenso. Até a adequação medicamentosa, 1 à 2 vezes por semana, após normalização dos níveis com adequada medicação, aferir em média a cada 15 dias. Se você é sadio e não hipertenso (com mais de 30 anos), verifique a pressão a cada 90 dias. Sendo diabético e mais de 40 anos, é ideal mediar a pressão a cada 30 dias.

Elaine Peleje Vac
elaine@nossagente.net
(Médica no Brasil)
Não tome nenhum medicamento sem prescrição médica.
Consulte sempre o seu médico.