Hemorroida ou doença hemorroidária

Hemorroida ou doença hemorroidária

Edição de maio/2019 – p. 30 e 32

Hemorroida ou doença hemorroidária

O que são hemorroidas?

Existe uma estrutura venosa normal que se localiza no reto, canal retal e ânus. Essa estrutura é chamada plexo hemorroidário. Ele ajuda a manter a continência fecal e realiza a drenagem venosa desta região. Propriamente falando, “hemorroidas” é o nome deste conjunto de vasos e o que se costuma chamar de “hemorroidas” deve ser chamado de doença hemorroidária. Contudo, aqui continuaremos a chamar de “hemorroidas” em atenção à maneira já consagrada popularmente.

Hemorroidas são dilatações das veias do plexo hemorroidário. Isto ocorre porque essas veias, ao contrário de outras, não têm válvulas para impedir o represamento e refluxo do sangue e, portanto, qualquer aumento da pressão nelas propicia sua congestão.

A hemorroida pode ser classificada em interna ou externa. Se interna, as dilatações são das veias situadas 1,5 a 2 cm acima da abertura anal; se externa, são dilatações de veias externas ao ânus.

Quais são as causas das hemorroidas?

As hemorroidas parecem ocorrer em pessoas que tenham os tecidos anais e perianais especialmente fracos e que experimentem um aumento de pressão venosa ou um efeito traumático sobre o plexo venoso hemorroidário:

  • Constipação intestinal;
  • Hipertensão;
  • Obesidade;
  • Permanecer sentado durante períodos prolongados;
  • Gravidez;
  • Sexo anal;
  • Tabagismo;
  • Uso de álcool ou cafeína.

Quais são os sinais clínicos das hemorroidas?

Os principais sinais clínicos das hemorroidas são dilatações venosas, chamadas de mamilos hemorrágico, que acontecem no plexo venoso anal. E os prolapsos hemorroidários, que é a saída dos mamilos hemorroidários para o exterior do ânus, no momento da evacuação. O prolapso hemorroidário pode ou não acontecer.

Quais são os sintomas das hemorroidas?

Hemorroida internas: o sangramento, o prolapso e a dor.

Na hemorroida interna a dor geralmente está associada à trombose ou à gangrena. O sangue eventualmente presente não está misturado às fezes, aparece separado delas, de cor vermelho “vivo”. Frequentemente nota-se pingos de sangue no vaso sanitário ou manchas no papel higiênico. As hemorroidas, tanto as internas (principalmente), quanto as externas, podem ser assintomáticas.

Hemorroidas externas: a dor e o abaulamento, que se caracteriza por uma nodulação azulada, dolorosa ao toque. Em alguns casos este abaulamento pode sofrer trombose e, dependendo do tamanho desta trombose, ela pode ser tratada clinicamente ou com excisão (ressecção) local.

Como o médico diagnostica as hemorroidas?

O diagnóstico das hemorroidas deve basear-se na história clínica, combinada com o exame físico do paciente, preferentemente realizado por um proctologista, já que existem outras enfermidades (algumas graves) que apresentam sintomas parecidos com os das hemorroidas. Ao mesmo tempo, importa reconhecer o tipo de hemorroidas, as possíveis complicações presentes e o tratamento mais indicado em cada caso. Em casos específicos, alguns exames por aparelhos podem ser utilizados.

Como é o tratamento das hemorroidas?

O tratamento clínico visa aliviar os sintomas por meio de cuidados locais e dieta.

Nas hemorroidas externas, o paciente deve realizar a higiene anal somente com água, sem a utilização de papel higiênico e utilizar pomadas analgésicas e anestésicas. A dieta deve ser rica em fibras, as quais promovem um bom funcionamento do intestino, evitando que se tenha de fazer força excessiva para evacuar. Substâncias irritantes, como pimenta e álcool, devem ser evitadas, não porque produzam mais hemorroidas, mas porque agravam os sintomas existentes. Se houver dor anal forte, podem ser usados também analgésicos orais.

Existem várias formas de tratamento para hemorroidas internas, entre as quais estão a ligadura elástica, a escleroterapia e a coagulação infravermelha. Nos casos de maior intensidade pode ser necessário tratamento cirúrgico, que consiste na remoção das artérias hemorroidárias da região anal. O médico sempre deve ser consultado para decidir qual método é mais indicado em cada caso.

Como são os métodos de tratamento para as hemorroidas?

Escleroterapia: consiste na injeção de um líquido apropriado nos mamilos internos. Este líquido faz a “secagem” das veias, similarmente ao que é feito com varizes das pernas. Pode ser realizado em consultório.

Ligadura elástica: feita por meio de um dispositivo semelhante a um pequeno revólver, que dispara um anelzinho de borracha que estrangula o mamilo hemorroidário pelo seu pedículo e ele, assim, necrosa e cai. Pode ser feito em consultório.

Coagulação infravermelha: consiste na aplicação de um jato de luz que cauteriza a mucosa próxima às veias hemorroidárias. É um método muito simples, indolor, que pode ser realizado em consultório e que não exige repouso após a sua realização.

Grampeamento: por meio de um aparelho introduzido no ânus, retira-se uma faixa da mucosa. As hemorroidas são puxadas para cima e recolocadas no seu devido lugar e, com o tempo, acabam regredindo. Necessita uma breve hospitalização.

Cirurgia clássica: deve ser realizada nos casos em que os outros métodos falharam ou não são aconselháveis. Necessita uma breve hospitalização, mas se a operação for bem-sucedida, o paciente se sentirá extremamente recompensado, apesar de alguma dor.

Como evoluem as hemorroidas?

De modo geral, as hemorroidas evoluem bem quando tratadas adequadamente. As complicações mais comuns, antes do tratamento, são o prolapso hemorroidário (externalização das hemorroidas para fora do ânus), o sangramento e a trombose venosa.

Fonte: www.abc.med