Guerra comercial entre EUA e China favorece Brasil na exportação de soja

Guerra comercial entre EUA e China favorece Brasil na exportação de soja

Na guerra comercial entre Pequim e Washington, o Brasil ganha papel de destaque e se tornou o maior exportador de soja para a China – e do mundo – ultrapassando os EUA

Edição de agosto/2019 – p. 12

Guerra comercial entre EUA e China favorece Brasil na exportação de soja

Na guerra comercial entre EUA e China, um dos principais produtos brasileiros, a soja, se transformou em ponto de tensão entre o Presidente Donald Trump e o governo chinês. Como o grão americano ficou mais caro, Xi Jinping – presidente chinês – optou pelo produto do Brasil. Com isso, nosso país se tornou o maior exportador de soja para a China – e do mundo – ultrapassando os EUA.

Embora não tenha tomado partido e nem seja alvo da guerra comercial entre Pequim e Washington, o Brasil acabou ganhando um papel coadjuvante nessa disputa. E segundo a imprensa americana, Trump não encarou com naturalidade essa troca. O assunto foi amplamente noticiado pelos principais veículos americanos. A CNN divulgou que o presidente republicano estaria “insatisfeito” com a China por causa da substituição da importação de soja americana pela brasileira.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informa que os embarques brasileiros de soja alcançarão 76,9 milhões de toneladas no ciclo que chegará ao fim este ano, ou 51,8% do total (148,3 milhões). Além de confirmar a consolidação do Brasil na liderança das exportações mundiais de soja em grão, o levantamento publicado pelo USDA também apontou que o país está se firmando como um importante fornecedor de milho.

E embora produza muito menos que os EUA (101 milhões de toneladas, contra 366,3 milhões), o Brasil, sem problemas climáticos, tem condições de apresentar um excedente exportável expressivo, o que deverá se repetir no ciclo 2019/20.

Já o site de notícias Bloomberg, afirmou que a China acabara de fazer uma grande encomenda de soja brasileira, em substituição do produto americano. A guerra comercial teve início em março de 2018 e, em 2019, houve um aprofundamento da disputa, com aumento de tarifas sobre os mesmos produtos chineses e americanos.

Como o Brasil naturalmente tem uma competitividade na soja e é um dos poucos players internacionais, junto com os EUA e Argentina, é natural que uma queda de exportação dos EUA leve a um aumento da exportação brasileira.

Brasil exportou US$ 7 bilhões a mais em soja para a China em 2018. No primeiro semestre deste ano, houve queda em comparação com o ano passado, mas produtores esperam aumentar as vendas com o acirramento da guerra comercial.

Principal parceiro comercial

E apesar de ter vendido menos que em 2018, o Brasil continua a ser o principal parceiro comercial da China na venda de soja. E o baque da perda de protagonismo não está sendo fácil de absorver nos EUA. O Departamento de Agricultura americano estima que o setor de exportação de grãos vai precisar de pelo menos cinco anos para voltar a obter resultados como os de 2017.

Para reduzir o estrago e impedir que a situação reduza a sua base eleitoral –parte dos eleitores de Trump é composta por agricultores – , o presidente americano aprovou um pacote de auxílio de US$ 28 bilhões – acordo que prejudicaria a produção brasileira. O Brasil, de fato, se aproximou significativamente dos EUA na gestão do Presidente Jair Bolsonaro, mas Trump não é reconhecido por fazer grandes concessões a aliados quando o que está em jogo é o interesse comercial do seu país.

O avanço da soja brasileira e o consequente prejuízo que isso traz para os produtores são apontados como fator adicional de discórdia entre Trump e Xi Jinping.

Uma das condições de Trump para negociar a retirada de tarifas sobre produtos chineses era a China passar a comprar mais produtos agrícolas americanos. O acordo que ele tentava empurrar para Xi Jinping previa um aumento das importações de grãos e alimentos dos EUA a patamares maiores que os anteriores à guerra comercial – o que prejudicaria outros exportadores de commodities, como o Brasil.

“A proposta de acordo previa que produtos agrícolas dos EUA fossem mais comprados e, nesse cenário, o Brasil poderia sofrer condições mais desfavoráveis que os produtos americanos. Por isso, o grau de incerteza é muito grande”, diz o diretor de negócios internacionais da CNI, Fabrizio Panzini.

Em retaliação à alta de tarifas sobre bens industrializados da China, o governo de Xi Jinping passou a tributar em 25% diversos produtos agrícolas americanos, entre eles a soja.