Fundador da Telexfree procurado pelos EUA está no ES, diz advogado

Fundador da Telexfree procurado pelos EUA está no ES, diz advogado

Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é o novo defensor da empresa. Brasileiro Carlos Wanzeler é considerado foragido pelos EUA.

Carlos Wanzeler - Foto: Reprodução
Carlos Wanzeler – Foto: Reprodução

O brasileiro Carlos Wanzeler, um dos fundadores da Telexfree que é acusado de fraude e procurado pela Justiça dos Estados Unidos, está no Espírito Santo, onde possui residência, informou nesta terça-feira (20) o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, também conhecido como Kakay, que acaba de assumir a defesa da empresa, que é acusada de prática de pirâmide financeira.

O advogado é criminalista e ganhou notoriedade ao conseguir a absolvição do publicitário Duda Mendonça e da sócia dele, Zilmar Fernandes, no julgamento do mensalão.

Segundo Kakay, Wanzeler retornou ao Brasil antes do mandado de prisão da Justiça dos EUA.

“Ele não veio para cá foragido, e está no Espírito Santo. Tenho inclusive uma reunião em Vitória amanhã [quarta-feira] e imagino que ele participará”, disse advogado ao G1. Segundo ele, não há qualquer pedido de prisão de Wanzeler no Brasil nem se quer acusação criminal contra os fundadores da Telexfree no Brasil.

“Ele é brasileira nato, tem residência no Espírito Santo. Não tem nem sequer hipótese de extradição”, afirma o advogado.

G1 procurou a Polícia Federal para saber se as autoridades norte-americanas solicitaram ao Brasil algum tipo de auxílio na localização de Wanzeler, mas não obteve resposta.

Acusação nos EUA
Os responsáveis pela Telexfree foram acusados neste mês na corte estadual de Massachusetts. O esquema, considerado pelos promotores a maior fraude do país atualmente, era encabeçado por dois amigos: o americano James Merrill e o brasileiro Carlos Wanzeler. As autoridades norte-americanas concluíram que a Telexfree é uma pirâmide financeira que arrecadou cerca de US$ 1,2 bilhão em todo o mundo.

Em 15 de abril, a promotoria denunciou a fraude. No mesmo dia, agentes do FBI e do Departamento de Segurança interna dos Estados Unidos cumpriram um mandado de busca na sede da empresa, na cidade de Marlborough. O diretor financeiro foi pego tentando fugir com um laptop e uma bolsa. Nela, havia dez cheques no valor de quase US$ 38 milhões.

Dois milhões eram para a mulher de Carlos Wanzeler, a brasileira Katia. Ela foi presa no dia 14 quando ia embarcar para o Brasil no aeroporto JFK, em Nova York.

Merrill foi preso na semana passada. Já Wanzeler está foragido.

Wanzeler e Merrill se tornaram sócios e, em 2012, abriram a Telexfree. Eles são acusados de fraude e de operar um produto financeiro sem autorização. Se condenados, podem pegar 20 anos de cadeia.

Mulher de brasileiro está presa nos EUA
Segundo Kakay, a prioridade da defesa é trabalhar pela soltura da brasileira. “Ela está presa e não é acusada de absolutamente nada”, diz o advogado. Ele afirmou ainda que está trocando informações com os advogados da Telexfree nos Estados Unidos.

Na última semana, a Telexfree anunciou que suspendeu “todas suas atividades de negócios”, enquanto cuida de pendências com a Corte de Falências dos Estados Unidos, agências governamentais e a Securities and Exchange Commission (SEC), órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira.

Suspensão dos negócios
No Brasil, a Telexfree está impedida de fazer pagamentos e cadastros de divulgadores (como são chamadas as pessoas que investem na companhia) desde o dia 18 de junho do ano passado.

A Telexfree oferecia ligações de longa distância mais baratas pela internet e prometia ganhos de mais de 200% ao ano para quem publicasse anúncios e trouxesse novos clientes. As investigações nos EUA apontaram que menos de 1% do que a empresa recebia vinha dos produtos de telefonia e que a empresa é um esquema de pirâmide disfarçada.

Segundo o advogado da Telexfree, a estratégia da defesa continuará sendo tentar provar que os negócios da empresa não constituem pirâmide financeira. Esse tipo de esquema depende do recrutamento progressivo de outras pessoas, que pagam taxas para os antigos associados. No caso, não é levada em conta a real geração de vendas de produtos ou serviços.

“Na minha análise, a acusação de pirâmide é uma subleitura. A empresa só começou a ter dificuldade após o Ministério Público do Acre pedir a suspensão dos negócios no Brasil”, afirma Kakay.

Fonte: g1.globo.com