Flórida em alerta com temporada de furacões

Flórida em alerta com temporada de furacões

O Nossa Gente visitou o Orlando Operations Center – Escritório de Gerenciamento de Emergências –, em Orlando, quando conversou com o major do Exército, Manuel D. Soto, responsável pelo sistema de operações preventivas a furacões. Acompanhe as dicas e saiba como se proteger do furacão

Edição de setembro/2018 – p. 16

A passagem do furacão Irma pela Flórida, em setembro do ano passado, foi devastadora, destruindo casas, alagando cidades e provocando mortes, também desencadeando uma sucessão de prejuízos ao Estado. Desta vez – a partir da Carolina do Norte –, o fenômeno avassalador voltou a assombrar os EUA com a chegada do furacão Florence, que provocou vítimas – até o fechamento desta edição oito pessoas tinham morrido, incluindo uma criança –, preocupando os meteorologistas. E veio o alerta: “o pior está por vir”, quando então o furacão Helene ganhou força, se locomovendo para o Reino Unido, e o supertufão Mangkhut, conhecido como Ompong, seguiu para as Filipinas.

Setembro de 2018 vem sendo considerado o mês de alerta máxima com a temporada de furacões e tufões, originados nos Oceanos Atlântico e Pacífico, segundo meteorologistas do “National Oceanic and Atmospheric Administration”. Desta forma, a chamada “Hurricane Season” em 2018 está ainda mais alarmante. E mesmo com a oficial temporada de furacões começando em junho, a grande maioria das tempestades acontece entre a metade de agosto e a metade de outubro, o que significa que esta previsão chega com cerca de quatro meses de antecedência. As regiões dos EUA, México e ilhas do Caribe têm sido o alvo de avisos – tornando-se rota de furacões.

O Jornal Nossa Gente visitou o Orlando Operations Center – Escritório de Gerenciamento de Emergências –, em Orlando, que se mantém em constante estado de prontidão, oportunidade em que conversou com o major do Exército, Manuel D. Soto, responsável pelo sistema de operações preventivas a furacões, tornados, entre outros programas de proteção ao cidadão. Informações imprescindíveis foram pontuadas durante a entrevista, alertando residentes e visitantes do perigo iminente.

Segundo o major Manuel D. Soto, quando consultado sobre os procedimentos de aviso as autoridades locais e autoridades do governo quando na aproximação de um furacão, “monitoramos as áreas de risco e, no caso da aproximação de um furacão pela costa Oeste, por exemplo, informamos as autoridades noventa e seis horas antes do impacto potencial”, enfatiza. “Cada departamento cumprirá com a sua função. O departamento de comunicação ficará incumbido de contatar os cidadãos, alertando-os sobre o perigo iminente, e os demais setores ameaçados também serão avisados: escolas, departamentos públicos, shoppings e aeroportos. Todos serão orientados vinte e quatro horas antes do impacto”.

Quanto à prevenção dos chamados desastres naturais, Manuel D. Soto disse que, “no caso do furacão é possível realizar trabalho emergencial com antecedência. Agora, quanto ao tornado e a tormenta, com tempestades elétricas (raios), não é possível prever porque são fenômenos que surgem do inesperado. Mas estamos preparados para agir e definir as ações a serem tomadas nesses casos”, garante.

“Também estamos preparados, caso aconteça o desabamento de um edifício ou a queda de um avião. Temos recursos necessários para responder a essas necessidades. Estamos conscientes do inesperado e, caso eles ocorram, vamos operar após a fatalidade. Temos pessoas capacitadas para responder a essas emergências, e dispomos no nosso edifício de duchas para o banho, dois geradores para capacitar os trabalhos, com quatro mil galões de diesel. O nosso centro de atendimento à população – 911 – está operante todo o tempo. O meu telefone está disponível vinte e quatro horas, como estão disponíveis os telefones dos demais profissionais que aqui trabalham”, avisa o major.

Sobre os pontos suscetíveis a furacões na Flórida, Soto foi determinante ao responder que, “o nosso trabalho de monitoramento está concentrado especificamente em Orlando. E não há como prever a passagem de um furacão ou tornado, seja em que ponto for da Flórida. E quando isso ocorre, quem recebe o maior impacto é a população, evidente. Seja fenômeno de grande proporção ou pequeno, o resultado será catastrófico porque temos muitas pessoas vivendo nas cidades costeiras e nos grandes centros”, alerta.

“Temos muitos lagos em Orlando, e inúmeras pessoas – famílias – residem às margens desses lagos e rios, por ter uma vista bonita, mas, infelizmente, correm o risco de serem lesadas no caso de uma tormenta repentina. Podemos ter muitas inundações. Na Flórida não temos regiões montanhosas, que poderiam romper com o sistema atmosférico. A topografia da cidade mudou tanto que as áreas que antes não inundavam, hoje sofrem com inundações, pois o excesso de concreto impede que a água escoe”, informa.

Existe algum período específico para o surgimento de furacões e tornados? Segundo o major Soto, “quem vive na Flórida tem de estar preparado o ano todo. Entre junho e novembro, o período é de furação, e, de dezembro a maio, é frio, a temperatura cai então podem surgir tornados nos meses de fevereiro, março e abril. Mas temos seca nos meses frios, e isso pode provocar incêndios florestais”, avisa.

Os mecanismos de alerta à população, caso haja catástrofe, funciona da seguinte forma, explica o major Soto: “Informamos os vereadores do Distrito, os líderes comunitários e líderes de outros setores públicos de Orlando para os quais enviamos as informações necessárias que serão repassadas para as respectivas comunidades. Também ministramos palestras com grupos religiosos e grupos cívicos, apresentando informações aos interessados em divulgar o nosso trabalho à comunidade”, acrescenta.

“Através das redes sociais, temos página no Facebook e no Twitter. Orlando tem uma população diversa, de aproximadamente 255 mil habitantes, e 1,3 milhão na área da Metro Orlando. Cerca de sessenta e seis mil chegam diariamente no aeroporto internacional de Orlando. Temos novecentas mil pessoas em trânsito na cidade, que ficam aqui durante uma semana visitando os parques temáticos ou participando de conferências,” pontua.

Complementado, o major Manuel D. Soto procurou tranquilizar a população de Orlando com a seguinte ressalva: “A população de Orlando pode dormir tranquila porque há um aparato de segurança pública em ação. Temos um sistema em constante estado de prontidão para atender qualquer situação de emergência. Fiquem todos tranquilos”, finaliza.

Dicas para residentes se protegerem do furacão

  • Apare árvores e arbustos ao redor da sua casa. Remova galhos secos que possam voar durante a tempestade;
  • Limpe os bueiros para a água escorrer e prevenir enchentes;
  • Traga para dentro de casa qualquer utensílio solto no quintal, como brinquedos, vasos de planta, mobília e quaisquer outros objetos que possam voar e causar acidentes e/ou danos;
  • Certifique-se de que galpões (sheds), casas de crianças e outras construções frágeis e leves que ficam no quintal estejam bem amarradas;
  • Tire do chão artigos que estão no porão (basement) para protegê-los caso encha de água;
  • Se necessário, cubra as janelas e portas de vidro com madeira para prevenir que os vidros quebrem;
  • Mantenha o tanque do carro cheio;
  • Tenha quantia razoável de dinheiro em casa. Se faltar energia você não vai conseguir tirar dinheiro do banco;
  • Faça uma lista dos seus bens pessoais e até tire fotos para o caso de você ter danos pessoais;
  • Proteja seus documentos mais importantes, como seguros da casa, documentos pessoais, talão de cheque e seguro de saúde. Coloque tudo em uma caixa, ou depósito, à prova d’água;
  • Saiba onde estão os registros de gás e água na sua casa, para fechá-los em caso de necessidade;
  • Tranque portas e janelas para protegê-las dos ventos fortes;
  • Tenha um kit de emergência com pomadas, gaze, algodão e outras coisas que achar necessárias para curativos;
  • Tenha um plano de comunicação com seus familiares, caso vocês se separem, para reencontrá-los quando a tempestade passar;
  • Tenha em mãos o telefone da prefeitura da sua cidade ou do Corpo de Bombeiros. Saiba como pedir socorro, caso seja necessário.
Serviço

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