Filhos problemas

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NOV/13 – pág. 52

“Honrai vosso pai e vossa mãe” Jesus (Mateus, 19:19)

Filho unicoOs pais amam sempre seus filhos que, para eles, são bons, inteligentes, dotados das melhores qualidades. Entretanto, frequentemente surgem os chamados filhos-problemas, que desafiam a capacidade de compreensão dos pais. Emmanuel, no “Livro da Esperança”, lição n.° 38, afirma que, ao lado dos filhos-companheiros podem surgir os filhos-credores, que são instrutores de feição diferente.

Integramos uma família consanguínea e uma família espiritual. A família consanguínea nem sempre é a reunião de Espíritos simpáticos, componentes da família espiritual. Para resgate de dívidas contraídas no passado, ou para reconciliação com criaturas que prejudicamos, ou que fomos prejudicados, podemos nos reunir em uma mesma família Espíritos com problemas entre si, para fins de reconciliação. E assim podemos receber, como filhos, Espíritos às quais prejudicamos no passado, e que agora vêm para o acerto de contas. Esse credor do passado chega através do berço, frágil, carente de cuidados, reclamando amor, atenção, carinho. A misericórdia divina faz que assim seja para que a aproximação, o perdão de ambos os lados, seja facilitado. Entretanto, a medida que o filho cresce, o Espírito entra, paulatinamente, na posse de sua bagagem de conhecimentos e de dificuldades, e passam a surgir os atritos, os antagonismos. Embora os pais tudo façam para a felicidade do filho, este está sempre a reclamar, exigindo mais. E conclui Emmanuel: “Quando te vejas diante de filhos crescidos e lúcidos, erguidos à condição de dolorosos problemas do Espírito, recorda que são eles credores do passado a te pedirem o resgate de velhas contas. Busca auxiliá-los e sustentá-los com abnegação e ternura, ainda que isso te custe todos os sacrifícios, porque no justo instante em que a consciência te afirme tudo haveres efetuado para enriquecê-los de educação e trabalho, dignidade e alegria, terás conquistado em silêncio, o luminoso certificado de tua própria libertação”.

Reflitamos sobre a conclusão de Emmanuel. Se a nossa consciência nos afirmar que tudo fizemos para enriquecê-los de educação e trabalho, dignidade e alegria, teremos conquistado a própria libertação. Talvez muitos pais não possam desfrutar dessa paz de consciência, porque, de um modo geral, somos falhos na educação dos filhos.

Alguns pensam que, para educar um filho, basta garantir-lhe o sustento, colocá-lo na escola, e tudo acontecerá naturalmente. Outros, além do essencial, procuram dar conforto, cursos de línguas, aulas de música, de esportes, etc. Mas, o principal, que é a convivência, a formação de vínculos de amizade, a formação de bons hábitos, nem sempre é proporcionada. Coelho Neto escreveu certa feita: “Um pai, ainda o mais pobre, tem sempre uma riqueza para deixar ao filho: o exemplo!”. Não é azucrinar os ouvidos dos filhos com sermões (que só servem para irritar), mas conversar amigavelmente, sem gritos, sem castigos, sem despotismo e proibições. O que deve prevalecer são os exemplos. Para o filho o pai é sempre um herói, é figura que lhe serve de inspiração e modelo. Se o pai fala uma coisa, e faz outra, o filho vai seguir o exemplo e não a palavra.

Assim como procuramos nos capacitar para o exercício de uma profissão, com melhor razão devemos nos preparar para as tarefas da paternidade/maternidade, se desejamos cumprir bem esse dever. Não é necessário ser nenhum especialista em educação. Necessária a dedicação, a vontade de aprender um pouco sobre como lidar com criança, com adolescente. Educar é uma ciência; é uma arte, que precisa ser aprendida. Não há regras fixas, às vezes o que dá certo com um, não logra o mesmo resultado com outro. Alguns pais dizem: Não sei onde errei com esse menino; fiz com ele exatamente como procedi com os outros filhos, e com ele não deu certo. É exatamente porque o ser humano é único, cada criatura tem o seu modo próprio de ver e reagir diante das diversas situações. Rui Barbosa já dizia que tratar desiguais com igualdade não é atitude sábia. Cada um precisa receber tratamento apropriado à sua personalidade. Se em vez de nos preocuparmos tanto com os aspectos materiais da vida, cuidarmos mais da nossa própria educação (porque ninguém dá o que não tem) e da educação dos que estão sob a nossa responsabilidade, certamente daremos uma contribuição melhor para o progresso da humanidade.

“Eduquem-se os meninos e não será preciso castigar os homens” (Pitágoras).

José Argemiro da Silveira
Autor do livro: Luzes do
Evangelho, Edições USE