EUA votam em eleição legislativa que definirá maioria do Congresso

EUA votam em eleição legislativa que definirá maioria do Congresso

Pesquisas apontam que republicanos podem ganhar maioria do Senado. Também serão decididos deputados, governadores e propostas de lei.

61824_Papel-de-Parede-Bandeira-dos-Estados-Unidos-da-America--61824_1024x768Os norte-americanos votam nesta terça-feira (4) nas eleições legislativas de meio de mandato, que definirão novos deputados, senadores e governadores dos Estados Unidos. São disputadas nestas eleições todas as 435 cadeiras da Câmara; 36 das 100 cadeiras do Senado; governadores de 36 dos 50 estados e três territórios, além de diversas propostas de leis estaduais em referendo.

O controle do Senado é o maior troféu dessas eleições. Os republicanos só precisam de mais seis cadeiras para conseguir maioria na casa e ter nas mãos todo o Congresso. Os democratas têm hoje 55 cadeiras do Senado, e os republicanos, 45.

Na Câmara dos Representantes, são 199 democratas e 233 republicanos, além dos três postos vagos. Segundo os analistas, a câmara permanecerá com maioria republicana.

A grande pergunta é, portanto, se os conservadores conseguirão esses seis senadores a mais e, assim, conquistar a maioria nas duas câmaras, uma situação que dificultaria muito os dois últimos anos de mandato do presidente Barack Obama na Casa Branca.

Pesquisas de intenção de voto indicam que o Partido Republicano tem grandes chances de tirar o controle do Senado das mãos dos democratas e de manter o controle da Câmara dos Representantes, conquistando cerca de 10 novas cadeiras. Das 36 cadeiras do Senado em jogo nestas eleições, 21 estão atualmente nas mãos de democratas e 15 com republicanos.

Já nos estados, as disputas para o cargo de governador estão bem acirradas. Na Flórida, o atual governador Rick Scott, um republicano, concorre para o cargo com seu antecessor, Charlie Crist, um republicano que se tornou democrata.

No estado da Georgia, o neto do ex-presidente Jimmy Carter, o senador Jason Carter, tem os votos muito disputados com o atual governador Nathan Deal.

Na Califórnia, que enfrenta seu terceiro ano de seca, o governador democrata Jerry Brown é favorito para a reeleição. Uma de suas maiores armas de campanha foi a defesa de um projeto de lei que defende o empréstimo de mais de US$ 7 bilhões para melhorar a infraestrutura de fornecimento de água do estado.

Fatores de influência
As eleições acontecem sob influência da profunda insatisfação do eleitor com a performance de Obama. Segundo pesquisa Gallup, com dados até 19 de outubro, o governo de Obama enfrenta baixa recorde em popularidade, com apenas 41% de aprovação.

“Não parece haver muitas coisas que façam as pessoas se sentirem contentes”, disse o diretor do Instituto de Políticas Públicas Paul Simon, na Universidade de Southern Illinois, David Yepsen, à agência Reuters. “Pode não ser justo, mas elas tendem a descontar esses sentimentos na Casa Branca, e eu acho que o Senado vai para os republicanos”.

“Os escândalos da administração Obama com o Serviço Secreto, os problemas da administração de veteranos, a Síria e inclusive a resposta ao ebola tornaram o presidente um grande problema para os democratas. Por isso estão fazendo campanhas locais. Em alguns casos, inclusive criticando Obama”, ressaltou o professor de Ciência Política da Universidade de Iowa, Steffen Schmidt à agência Efe.

A chegada da epidemia de ebola aos Estados Unidos também é usada usada nas campanhas tanto por democratas como por republicanos, de acordo com a BBC. Os republicanos acusam Obama pela demora e falta de liderança ao lidar com a situação. Já os democratas dizem que o corte do financiamento a agências de saúde ligadas ao governo, feito pelos republicamos, teve influência no problema.

No entanto, há a possibilidade de que o partido com o controle do novo Senado não seja conhecido na noite desta terça e que a disputa vá para segundo turno. Segundo uma análise do “The New York Times”, as disputas nos estados de Louisiana e Georgia podem não ser definidas em primeiro turno. O segundo dia de votação seria realizado em dezembro e janeiro, respectivamente.

Os norte-americanos, que não têm a obrigatoriedade do voto, também podem participar dessas eleições antecipadamente. Pelo menos 16,7 milhões de pessoas de 31 estados já votaram, de acordo com monitoramento feito pela agência Associated Press. O presidente Obama votou em Chicago no dia 20 de outubro.

Referendos
Os norte-americanos também são consultados por 125 propostas de leis estaduais sobre temas de diversos setores.

No Alaska e no Oregon, os eleitores decidem sobre a permissão do uso recreacional de maconha, enquanto a Flórida poderá permitir o uso médico da substância.

O Oregon também escolhe se o estado deve exigir que fabricantes de comida informem nos rótulos quais produtos são alimentos geneticamente modificados.

Temas relacionados ao aborto estão em votação em, pelo menos, três estados. No Colorado, decide-se se um bebê em gestação entra para a definição de uma pessoa ou uma criança no código criminal. Já na Dakota do Norte, os americanos escolhem se a vida começa na concepção do feto. No Tenessee, uma proposta visa alterar a lei estadual para permitir que os legisladores estaduais aprovem, alterem ou revoguem leis sobre o aborto.

Também estão em jogo temas como o aumento do salário mínimo, o direito de caça e pesca e o financiamento público a programas de educação infantil.

Fonte: g1.globo.com