EUA proíbem voos do Brasil a partir desta quarta, 27. O que pensam empresários de Orlando?

Com proibição de voos do Brasil para EUA passageiro aguarda sinal verde para embarque

 

Com a proibição de voos vindos do Brasil a partir desta quarta, 27, através de proclamação assinada pelo presidente Donald Trump, o site “Nossa Gente” ouviu a opinião de empresários de Orlando. O que pensam e quais avaliações; o impacto na economia da Flórida

Da Redação

Com a proibição de voos vindos do Brasil de entrarem nos EUA, o presidente Donald Trump expressa preocupação com a segurança do povo americano, e demais cidadãos, acenando com a proclamação assinada em 24 de maio de 2020, que entra em vigor às 23h59 desta quarta-feira, dia 27 de maio, com uma série de regras (veja no quadro abaixo). O Brasil ocupa posição desprivilegiada no ranking do combate à Covid-19 – 23.522 óbitos registrados, 376.669 casos confirmados e 153.833 recuperados até o momento desta publicação –, se transformando no centro de debates entre líderes internacionais. É preciso medidas restritivas mais drásticas – lockdown –, em alguns estados brasileiros –, caso contrário, o país estará fadado ao epicentro do coronavírus no mundo.

O site do “Jornal Nossa Gente” conversou com empresários em Orlando, em vários segmentos, quanto ao impacto que essa medida de Trump – restringir a entrada de brasileiros no país – pode refletir nos business comandados por brasileiros – além de parques temáticos entre outras atrações. O contingente de turistas do Brasil na Flórida – o terceiro país no ranking de visitação a Orlando –, é, sem dúvida,  a mola-motriz que impulsiona a economia do estado. O próprio governador Ron DeSantis é contra a decisão do presidente.

Para o consultor de Comércio Internacional especializado em Brazilian & Chinese Markets -, Ronald Ambar, da empresa “Ranna Holdings International”, a medida de Trump, “é ruim para os business brasileiros. O governador da Flórida – Ron DeSantis –  não vê com satisfação essa proibição de brasileiro entrar no país, ele é contra porque sabe o quanto o turista brasileiro é importante para a economia da Flórida, impulsionando os negócios ”, comenta Ronald.

Empresário Ronald Ambar – “Mas existem dois lados nessa questão: o Brasil tem com problemas com o coronavírus e não tem uma saída momentânea; os Estados Unidos precisam proteger a sua gente e controlar a epidemia que devastou Nova York, que se tornou o epicentro da doença. Há um impasse em ambos os países. Espero que essa inconveniência seja coisa rápida, mas o Brasil precisa também fazer a sua parte”, pondera o empresário.

“O brasileiro é o maior parceiro econômico da Flórida e essa parceria não pode ser afetada pela Covid-19. É uma situação extrema, que afeta o mundo, mas não é bom para os negócios brasileiros. Torço para que tudo acabe bem e que possamos retomar  as nossas atividades com equilíbrio e bom senso”, finaliza Ronald Ambar.

 

 

Norberto Duarte, Grupo “Norbert Trading Corporation”

Norberto Duarte – O CEO do Grupo “Norbert Trading Corporation”, em Orlando, empresa do setor da construção de prédios e condomínios comerciais nos EUA, também no comando da empresa de aluguel de helicópteros, na Central Florida, “Air Force Fun”, o engenheiro civil e piloto, Norberto Duarte, diz ser favorável à medida do Presidente Donald Trump em proibir voos do Brasil. “Eu concordo com o fechamento de aeroportos para voos vindos do Brasil porque é provisório. Esse procedimento foi feito com outros países também, e o americano, o estrangeiro com cidadania americana, entre outras categorias, terão de ficar quatorze dias em quarentena quando chegarem do Brasil. Entenda que o empresário que vem do Brasil para negócios com empresas americanas, ou residentes brasileiros, não vão ser barrados”, comenta o empresário.

“E se você analisar a situação do momento, pouquíssimos voos vêm do Brasil para os Estados Unidos. Um número insignificante de voos e isso não muda grande coisa. O contingente de brasileiros que vem a Orlando é 25%, e americanos 75%. O presidente Trump (Donald) entende que não há motivos para o brasileiro vir aos Estados Unidos fazer turismo porque está tudo parado por aqui. Os parques estão fechados, o momento ainda é delicado com essa pandemia, compreende?”, enfatiza o empresário.

“É um momento de experimentação para o país, ou seja, abre-se para o turismo, mas os hospitais devem ter leitos e UTIs o suficiente no caso de precisar emergencialmente. O Trump não penalizou o Brasil, está, sim, protegendo os Estados Unidos porque aqui a incidência de coronavírus é grande”, complementa.

Perguntado sobre os voos e helicópteros de sua empresa , “Air Force Fun”, disse Norberto que no momento, “estão todos parados. Se não há turistas em Orlando, os hotéis reabrindo gradativamente, a ‘Disney’ e os demais grandes parques ainda não reabriram, então não há motivos para voos. São equipes que trabalham e quem irá pagar a conta? O momento é aproveitar o recurso que o governo disponibiliza para os empresários e os cidadãos.  À nossa empresa  – small business – , o governo disponibiliza empréstimos com juros a 1%  e isso facilita bastante. O momento é aguardar até que as coisas melhorem para retomar as atividades”, alerta o empresário.

 

Alex Alencar, CEO “Camila’s Restaurant”

Alex Alencar – O CEO do Camila’s Restaurant”, Alex Alencar, lembra que o Brasil é o terceiro país que mais visita a Flórida e isso, certamente, com as medidas de Donald Trump de proibir a entrada de voos vindos do Brasil, irá afetar a economia do estado. “O governador Ron DeSantis é contra a decisão do presidente e, com certeza vai trabalhar para derrubar essa medida. No entanto, trata-se de uma proteção para o povo americano e dos residentes, enquanto que no Brasil aumenta os casos da Covid-19, e isso é comprometedor. Aqui, a doença está sob controle, diminuindo o número de infectados e o governo quer manter isso”, argumenta Alex.

“Mas tudo está nas mãos de Deus, não temos o controle de nada.  Temos de acreditar no amanhã e fazer uma coisa de cada vez. E para quem já levou tantos murros, um murro a mais não é tanto. E essa medida foi tomada com o dólar alto, com os parques fechados, portanto, acredito que possa ser um período de trinta dias”, aposta o empresário.

“Mesmo em tempos de contenções de despesas, de controle do vírus letal, o brasileiro vai viajar assim que houver a liberação de voos. Como eu disse, o Brasil é o terceiro país que mais visita a Flórida e o contingente de brasileiros é esperado, mas com certa cautela, evidente. O nosso país é pobre, mas tem uma grande parcela de brasileiros com padrão elevado, e esse contingente de pessoas vai continuar viajando, visitando Orlando. Diria, será que um novo normal. Estou confiante, Deus está no controle e tudo isso vai passar”, finaliza Alex Alencar.

 

Paulo Correa – “Brazilian Day Orlando’

Jornalista Paulo Correa, organizador do “Brazilian Day Orlando”,  disse que o evento, até então programado para ser realizado em maio, foi transferido para o dia 4 de outubro, com mudanças no formado e ideia do evento, que normalmente reúne cerca de 20 mil pessoas, o que é inviável para a atual circunstância. “As coisas mudaram com o surto do coronavírus nos Estados Unidos. E é praticamente inviável reunir vinte mil pessoas com as normas de segurança do isolamento social. Estamos buscando alternativas que possam viabilizar a realização do ‘Brazilian Day’, portanto, estou finalizando um estudo com o Paulo Henrique, sem descaracterizar o âmbito cultural do evento”, relata o jornalista.

Sem dar maiores detalhes, Paulo Correa vê a possibilidade de realizar um festival musical, “seria o festival da canção”,  a ser programado em três etapas, nos meses de julho, agosto e setembro próximos. “A intenção é reunir um grupo de jurados, integrado por profissionais da música e jornalistas para selecionar as canções que vão estar na etapa final do festival. São estudos que vêm sendo feitos com critérios viáveis de execução, portanto, vou detalhar  mais à frente, em outra oportunidade, quando todos os detalhes estiverem consolidados”, explica Correa.

Quanto à medida de Donald Trump em proibir voos vindos do Brasil, o jornalista foi enfático: “Vejo de forma natural pela gravidade da Covid-19 em relação ao mundo. O Brasil também fechou as suas fronteiras para conter a entrada de pessoas que pudessem agravar ainda mais a situação em  que se encontra o país. Agora, o que eu não acho natural são as pessoas que ainda não atentaram para a gravidade da pandemia e encaram a doença como algo comum. Isso sim é preocupante!  É um mundo novo, a nova ordem mundial e haverá mudanças além da que estamos vivenciando nos dias de hoje. Nada será como antes e têm pessoas que ainda não entenderam isso”, fala com preocupação.

“O que está acontecendo hoje no planeta é a mudança de sentimento, o sentimento puro e verdadeiro. As pessoas estão mais solidárias, o terceiro setor, da filantropia, está mais fortalecido. As transformações são claras, e Deus está muito mais presente, apontando para direções que não prestávamos atenção antes. E mesmo com a letalidade do coronavírus, aprendemos a valorizar as coisas mais simples, hábitos comuns e o exercício da solidariedade”, finaliza Paulo Correa.

 

Érika Ferreira, da “Erika’s Bakery – Amor em Pedaços”

Érika Ferreira – Na “Erika’s Bakery – Amor em Pedaços” – que serve lanches e refeições –, a empresária Érika Ferreira mantém atividades com um número reduzido de funcionários, com serviços de delivery e atendimento restrito em seu estabelecimento, de acordo com normas de segurança determinadas pelas autoridades de saúde dos EUA – espaço entre as mesas, funcionários atendendo com máscara e luvas. “A padaria não fechou neste período de pandemia, continuamos atendendo pedidos por telefone e delivery, operando com o mínimo de nossa equipe, mas servindo a nossa comunidade”, comenta Victor Costa, responsável pelo  Marketing da padaria.

“É um período difícil, e o que nos incentiva são os oito anos de história da ‘Erika’s Bakery’, que é uma referência para o turista brasileiro e os residentes em Orlando. O pessoal quando vem a Orlando passear, depois de visitar os parques, passa por aqui para degustar os nossos pães caseiros, os doces especiais e as refeições que têm o mesmo sabor da comida brasileira, com pratos deliciosos. Temos também lanches variados. Evidente que sentimos a ausência do turista brasileiro, o nosso principal alvo, frequentadores assíduos da padaria e esperamos que eles voltem o quanto antes”, complementa Victor.

Quanto à medida de Donald Trump em proibir a entrada de brasileiros no país, “foi um susto quando vimos a principal avenida de Orlando, a International Drive, completamente vazia, sem os turistas, o que é preocupante. O impacto que afetou o turismo na Flórida, nos afetou também, e esperamos que essa situação seja resolvida, estamos confiantes. Continuamos trabalhando diariamente – das 8am às 9pm. E com a reabertura gradativa do comércio, as pessoas estão voltando à padaria, sendo atendidas com as normas de segurança, e esperamos que tudo volte ao normal, do retorno do nosso principal alvo, o turista brasileiro”, finaliza Victor Costa.

 

Proclamação de Donald Trump

Em 24 de maio de 2020, o governo americano suspendeu a entrada de todos os estrangeiros – imigrantes, não imigrantes e outros cidadãos não americanos -, que estiveram fisicamente presentes na República Federativa do Brasil, durante os 14 dias que antecederam sua entrada ou tentativa de entrada para os EUA. “Esta proclamação entra em vigor às 23h59 do dia 27 de maio de 2020 – quarta-feira. Esta proclamação não se aplica a pessoas a bordo de um voo programado para chegar aos EUA que partiram antes das 23h59 do dia 28 de maio de 2020. ”

As proclamações não se aplicam a cidadãos dos EUA ou a qualquer estrangeiro que seja:

  1. residente permanente legal dos Estados Unidos;
  2. cônjuge de um cidadão dos EUA ou residente permanente legal;
  3. pai ou responsável legal de um cidadão americano ou residente permanente legal, desde que o cidadão americano ou residente permanente legal seja solteiro e tenha menos de 21 anos;
  4. irmão de cidadão americano ou residente permanente legal, desde que ambos sejam solteiros e menores de 21 anos;
  5. criança, filho adotivo ou enfermeiro (a) de um cidadão americano ou residente permanente legal ou que seja um adotado em perspectiva que queira entrar nos Estados Unidos sob as classificações de visto IR-4 ou IH-4;
  6. estrangeiro viajando a convite do Governo dos Estados Unidos para uma finalidade relacionada à contenção ou mitigação do vírus;
  7. Não imigrantes C (trânsito) ou D (tripulante aéreo ou marítimo);
  8. procurar entrar ou transitar nos Estados Unidos de acordo com um A-1, A-2, C-2, C-3 (como funcionário do governo estrangeiro ou membro imediato da família de um funcionário), G-1, G-2 , Visto G-3, G-4, NATO-1 a NATO-4 ou NATO-6;
  9. estrangeiro, cuja entrada não representaria um risco significativo de introdução, transmissão ou disseminação do vírus, conforme determinado pelo Diretor do CDC ou por seu representante;
  10. estrangeiro, cuja entrada seja ainda mais importante para os objetivos de aplicação da lei dos Estados Unidos, conforme determinados pelo Secretário de Estado, pelo Secretário de Segurança Interna ou por seus respectivos designados, com base em uma recomendação do Procurador-Geral ou de seu designado; ou
  11. estrangeiro, cuja entrada seria do interesse nacional, conforme determinado pelo Secretário de Estado, pelo Secretário de Segurança Interna ou por seus designados;
  12. membro das Forças Armadas dos EUA e cônjuges e filhos de membros das Forças Armadas dos EUA.

Para estrangeiros não excluídos pela proibição, as proclamações instruem o Secretário de Segurança Interna a estabelecer padrões e procedimentos em e entre todos os portos de entrada dos Estados Unidos para regular a viagem de pessoas e aeronaves aos EUA para facilitar a triagem médica ordenada e, quando apropriado, quarentena de pessoas que entram nos Estados Unidos e que podem ter sido expostas ao vírus. “Tais medidas podem incluir o direcionamento de transportadoras aéreas, para restringir e regular o embarque de tais passageiros em voos para os Estados Unidos”.