EUA alertam grávidas para os riscos no Brasil

EUA alertam grávidas para os riscos no Brasil

O motivo é a crescente suspeita de vínculo entre o vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, e um aumento fora do normal no número de bebês nascidos com microcefalia no país

zika

A situação se agravou e o Brasil é o quarto país do mundo com maior prevalência de nascimentos de bebês com anencefalia (ausência parcial ou total do cérebro), segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). O primeiro lugar é ocupado pelo País de Gales, onde são registrados de cinco a sete casos para cada mil nascimentos. Diante desse panorama de caos, os EUA passaram a recomendar às mulheres grávidas ou que pretendam engravidar que evitem viajar para 14 países da América Latina em que houve casos de doença provocada pelo vírus zika. O motivo é a crescente suspeita de vínculo entre o vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, e um aumento fora do normal no número de bebês nascidos com microcefalia no Brasil. Com isso, as agências de turismo americanas vêm orientando clientes e alertando sobre o perigo iminente. A divulgação de um bebê nascido com microcefalia no Havaí se tornou o primeiro caso confirmado nos Estados Unidos da doença congênita em um recém-nascido cuja mãe foi infectada com o vírus zika. Segundo o Departamento de Saúde Havaí, acredita-se que a mãe pode ter contraído o vírus quando residia no Brasil em maio de 2015 e estava grávida.

A recomendação se aplica ao Brasil, à Colômbia, a El Salvador, à Guiana Francesa, à Martinica, à Guatemala, ao Haiti, a Honduras, ao México, ao Panamá, ao Paraguai, ao Suriname, à Venezuela e a Porto Rico. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) não incluem na lista Equador, Guiana e ilha de San Martín, que a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) considera afetados pelo vírus. O alerta contra viagens emitido pelos CDC é de nível 2, o que significa tomar “precauções reforçadas”, não chegando a recomendar que sejam totalmente evitadas as viagens, o que seria o nível máximo de alerta, o 3. A agência norte-americana ressalta que a medida foi tomada “por excesso de precaução, até que se saiba mais” sobre a relação entre o zika e os casos de microcefalia, uma má-formação do cérebro — com tamanho menor que o normal. Entre novembro e janeiro foram notificados no Brasil 3.530 casos, um aumento de 377%.

A anencefalia ocorre por um defeito no fechamento do tubo neural, estrutura que dá origem ao Sistema Nervoso. Costuma ocorrer entre o 21º e o 26º dia de gestação. Como a calota craniana (parte do crânio da sobrancelha para cima) não se forma, o cérebro fica exposto e vai sendo corroído pelo líquido amniótico. O grau da lesão varia de feto para feto. A grande maioria dos bebês com anencefalia sobrevive por poucas horas ou dias após o nascimento. No entanto, como a lesão é variável, há casos em que a sobrevida é maior. Como o tronco cerebral (parte mais próxima da medula espinhal) é pouco afetado, a criança apresenta funções vitais, como batimentos cardíacos e pressão arterial. Mas a atividade cerebral não existe. É aí que começa a polêmica em relação ao aborto.

Um dos problemas do zika é que muitas pessoas nem chegam, a saber, que têm o vírus porque não apresentam os sintomas (febre leve e erupções cutâneas são os mais comuns). Apenas uma em cada quatro pessoas desenvolve os sintomas da infecção por zika. Para as mulheres grávidas ou que planejam a gravidez que não possam adiar a viagem aos países listados, a Organização Mundial de Saúde recomenda uma consulta médica antes de embarcar e a adoção de todas as medidas possíveis para evitar picadas de mosquito.

Primeiro caso no Havaí

Um bebê nascido com microcefalia no Havaí se tornou o primeiro caso confirmado nos Estados Unidos da doença congênita em um recém-nascido cuja mãe foi infectada com o vírus zika. O Departamento de Saúde Havaí, acredita que a mãe pode ter contraído o vírus quando residia no Brasil em maio de 2015 e estava grávida. “Este caso destaca a importância das recomendações de viagens feitas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos para grávidas ou para as que planejam ter um filho”, disse a chefe epidemiologista do Departamento de Saúde Hawaii, Sarah Park. E segundo as autoridades locais, até à data não houve nenhum caso de vírus zika encontrado no Havaí. Desde 2014, o Departamento de Saúde identificou seis pessoas que foram infectadas em outros países.

Informações sobre o vírus

É um vírus semelhante filogeneticamente aos da dengue e da febre amarela. Ele foi descoberto pela primeira vez na floresta de Zika, em Uganda, em 1947, em macacos monitorados cientificamente para o controle da febre amarela. Até 2007, entretanto, ele era relativamente desconhecido, até que surgiu um grande surto na ilha de Yap e em outras ilhas próximas aos Estados Federados da Micronésia (acima da Austrália), com 8.187 afetados. Entre outubro de 2013 e fevereiro de 2014, um novo surto atingiu a Polinésia Francesa, com 8.264 casos suspeitos. O principal modo de transmissão é por meio do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti. Mas há relatos de transmissão sexual (ele se mantêm no esperma por mais tempo), perinatal (da mãe para o feto) e sanguínea, o que traz um grande desafio na prevenção, já que grande parte das pessoas que contraem a doença não apresentam sintomas.

Como até o momento o grande suspeito de causar o problema é o zika vírus, o ideal é evitar a propagação do Aedes aegypti, mosquito que também transmite quatro tipos de dengue e o chikungunya, uma doença que ataca as articulações e provoca dores bastante intensas. O mosquito se prolifera em água limpa parada, por isso é importante evitar que ela se acumule em pneus, vasos de plantas e qualquer outro recipiente aberto. Para evitar picadas, use repelentes e telas nas janelas e portas.