Estratégias para o Brasil no governo Bolsonaro

Estratégias para o Brasil no governo Bolsonaro

Em plena atividade em Brasília, equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro prepara as estratégias para o Brasil nos próximos quatro anos. Nomes importantes compõem o alto escalão do governo, e crítica ao programa Mais Médicos provoca a saída de médicos cubanos

Edição de novembro/2018 – p. 18

Estratégias para o Brasil no governo Bolsonaro

A equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já está em plena atividade em Brasília, apontando as novas diretrizes para o Brasil nos próximos quatro anos. Ao retornar a Capital Federal, Bolsonaro fez questão de acompanhar os trabalhos que acontecem no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), e visitar autoridades de Estado, gradativamente definindo o alto escalão do seu governo, que conta com o economista liberal Paulo Guedes – conhecido na campanha como “Posto Ipiranga” por ser a referência para qualquer questão econômica levada a Bolsonaro. Ele assumirá um super-Ministério da Fazenda, previsto para incorporar também as pastas do Planejamento, da Indústria e Comércio, além da secretaria que hoje cuida de concessões e privatizações.
Outro peso –pesado da equipe ministerial de Bolsonaro é o ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, que foi o responsável pelo julgamento dos processos da Operação Lava Jato, e que estará à frente do Ministério da Justiça e da segurança Pública. Com o afastamento de Moro, a Operação Lava Jato vem sendo comandada, temporariamente, pela juíza Gabriela Hardt – substituta da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná.

E ao aceitar o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para o governo, Moro também vislumbra chance de ser indicado à vaga para o Supremo Tribunal Federal (STF), com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, em 2020, quando completa 75 anos. O juiz declarou que não tem pretensões política, embora haja rumores de que ele poderia concorrer à presidência do Brasil, após os próximos oito anos, caso Bolsonaro mantenha-se no poder.

A indicação do economista Roberto Campos Neto, executivo do Banco Santander, para comandar o Banco Central, foi vista com positivismo pela classe política e, principalmente pelos comentaristas políticos, ele que é neto do ex-ministro e economista Roberto Campos, ex-ministro do Planejamento e representante do pensamento liberal. O analista, que tem 49 anos, é formado em Economia pela Universidade da Califórnia, com especialização em Economia com ênfase em Finanças, pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Na Agricultura, a futura ministra, Tereza Cristina – a única mulher da equipe de Bolsonaro até o encerramento desta edição –, é voz forte da Frente Parlamentar da Agropecuária, conhecida como bancada ruralista, da Câmara. É deputada federal pelo DEM do Mato Grosso do Sul e começou seu primeiro mandato em 2015. É engenheira agrônoma e teve cargos em governos do seu estado. Já Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, tenente-coronel da reserva, assumirá o Ministério da Ciência e Tecnologia.

A promessa inicial de Bolsonaro era de reduzir o número de ministérios de 29 para 15, mas, recentemente, ele admitiu que o número deve ficar em torno de 18. O presidente eleito, inclusive, tem duas propostas para o futuro do Ministério do Trabalho, uma delas juntá-lo em um Ministério da Produção e outra de incluí-lo na pasta da Cidadania, disse o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Tanto a pasta da Produção quanto a da Cidadania não existem atualmente e serão criadas pelo próximo governo.

Polêmica do Mais Médicos

Em meio ao processo de transição do presidente eleito, o Programa Mais Médicos, criado no governo de Dilma Rousseff, foi criticado por Bolsonaro. Ele afirmou que médicos cubanos realizavam “trabalho escravo” no programa Mais Médicos e questionou a capacidade dos profissionais. A analogia à escravidão foi feita ao destacar que o governo cubano ficava com a maior parte dos salários dos médicos. “Isso é trabalho escravo. Não poderia compactuar”, disse.

Bolsonaro destacou que pretende exigir o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira, conhecido como Revalida, para todos os médicos formados no exterior que queiram atuar no país. Disse que se os cubanos fossem bons profissionais teriam feito o exame. “Duvido que alguém queira ser atendido pelos cubanos”, criticou.

Bolsonaro destacou que o Brasil forma cerca de 20 mil médicos por ano e afirmou que estes profissionais poderão suprir a carência dos milhares de cubanos que começam a deixar o país, por determinação do governo cubano. O Ministério da Saúde afirmou que lançará um edital emergencial para tentar repor os médicos cubanos.