Encontro mediúnico reúne Picasso, Monet e Van Gogh

Encontro mediúnico reúne Picasso, Monet e Van Gogh

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OUT/2016 – pág. 04

 A médium Valdelice Salum impressiona através do fenômeno psicopictografia (Pintura Mediúnica), reunindo os mais célebres pintores em sessão que aconteceu em Orlando, com pinturas de quadros e desenhos, utilizando-se as mãos e o pé direito

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As cores e traços tomam formas preponderantes, impulsionados por uma força espiritual que sobrepõe aos parâmetros convencionais. E os olhares impactados dos que testemunham o grande feito se encantam ao ver refletido em telas os trabalhos de pintores consagrados como Picasso, Monet, Renoir, Portinari, Van Gogh, Toulouse-Lautre, entre outros. Uma sucessão de movimentos precisos, envolvendo a mão direita, posteriormente a mão esquerda, ambas as mãos e o pé direito, numa sequência de atividades que traduzem mensagens dos espíritos, muito além de nossa compreensão. Obras que impressionam pela diversidade de imagens, assinadas pelos respectivos mestres. O fenômeno mediúnico é chamado de psicopictografia (Pintura Mediúnica), processo que permite a manifestação do plano espiritual através das mãos e dos pés de um médium. Aos 78 anos, a médium Valdelice Salum exerce esse dom especial – que se manifestou aos 17 anos de idade-, e que retrata a genialidade de artistas plásticos desencarnados através da pintura mediúnica. Uma trajetória enigmática, mas que contou com a orientação e apoio de Chico Xavier, evidenciando que os espíritos sobrevivem além-túmulo. “Agradeço a Deus porque a vida continua. Nós não morremos, o nosso espírito é eterno”, enfatiza Valdelice.

Em visita a Orlando, a médium esteve no Centro Espírita Amor e Caridade (“Love & Charity”), ocasião em que foi realizada sessão de pintura mediúnica, reunindo os frequentadores, amigos e demais convidados, que tiveram a oportunidade de acompanhar de perto os trabalhos dos pintores. Utilizando-se das mãos e do pé direito, Valdelice cumpriu um rito espiritual que impressiona pela rapidez com a qual as telas são finalizadas, deixando evidente que ela – a médium – é apenas um instrumento que traduz a inspiração de seus mentores. “Os espíritos realizam uma reciclagem de energias no ambiente, substituindo as energias negativas por energias positivas”, retrata. “Os pintores trabalham em equipe, respeitando as obras em si, o que resulta em trabalhos magníficos. Não há disputa entre eles, trabalham juntos, há uma integração entre os espíritos e isso é muito benéfico. Aprendemos com eles e isso melhora a nossa alma. O trabalho é uma antena parabólica que transmite para outros espíritos”, reforça a médium.

Oito quadros foram pintados durante a sessão de pinturas mediúnicas, no Centro Espírita Amor e Caridade, incluindo obra de Van Gogh, Picasso, entre outros. A tela de Monet foi pintada com o pé direito. As obras, informa a médium, foram leiloadas entre os que lá compareceram. “Monet tem feito pinturas belíssimas, inclusive, pintando um barco em um lago, que, segundo ele, representa a nossa passagem pela terra onde podemos encontrar um porto seguro ou não. Van Gogh pintou um pinheiro. Ele disse que dificilmente encontramos um pinheiro caído e que devemos sempre buscar a luz. As pinturas trazem belas mensagens”, ressalta.

Com voz doce e pausada, conta Valdelice que ainda menina, quando morava na roça com a família, na região de Presidente Prudente (SP), sentia a manifestação dos espíritos, embora sua família fosse católica. “Os meus familiares tinham o conhecimento das benzedeiras que residiam naquela região, mas desconheciam as doutrinas de Allan Kardec e de André Luiz. A minha mentora espiritual se comunicava comigo porque eu tinha o dom da visão espiritual. Enxergava os espíritos abertamente. Hoje, o dom da visão espiritual foi canalizado para o meu corpo energético, para a pintura. Durante a atuação dos pintores, fico totalmente inconsciente”, relata.

Mas a garota que se comunicava com os espíritos e que a mãe alegava ser apenas uma menina sonhadora, mais tarde se casou e se mudou para a cidade de Uberaba, no Triângulo Mineiro. E foi nessa ocasião que procurou o médium Chico Xavier. “Conheci o Chico através de uma senhora, dona Ortência, que me aconselhou a ir procurá-lo. A princípio achei que seria difícil porque muitas pessoas procuravam o Chico. No centro onde ele atendia – Centro Espírita Casa da Prece Chico Xavier -, chegavam ônibus lotados, de várias partes do país. Todos queriam falar com o Chico. Eu morava bem perto do centro e fui a pé até lá. Falei com o filho do Chico, o Eurípedes (Higino), e ele me deixou entrar. O Chico me recebeu muito bem. Ele me orientou e disse que eu deveria seguir em frente , pois tinha uma missão espiritual, mas que eu deveria me preparar para exercê-la. E durante seis anos trabalhei a coordenação motora, desenvolvendo traços, me preparando para algo especial que estava por vir. E, após seis anos de preparação se manifestou o primeiro pintor, Monet, depois Renoir. As obras eram assinadas pelos artistas. Voltei a falar com o Chico Xavier ele disse que eu deveria ir em frente, e foi o que eu fiz”, lembra a médium. “E já se passaram quarenta e um anos. Há quarenta e um anos eu trabalho com os artistas”.

Trabalho Social

Em Uberlândia, Valdelice Salum fundou o “Lar Maria Lobato de Freitas”, para estudos mediúnicos, com frequência de pessoas de alto nível intelectual. Os quadros dos pintores famosos, disse a médium, são vendidos pelo mesmo preço da obra de um pintor da terra. “O Chico me aconselhou a por o preço da obra dos artistas da cidade. Pedi orientação a ele antes de tomar qualquer decisão”, esclarece. Segundo ela, uma tela pode ser pintada entre um minuto ou até vinte e dois minutos. “Antes as obras eram mais rápidas porque eu era jovem e tinha mais energia. Hoje, com os meus setenta e oito anos de idade os movimentos são lentos, a coordenação motora fica comprometida. Mas nunca parei de trabalhar. Já estive na Grécia, na Holanda, em Paris, Portugal e Argentina. Também trabalho com moradores de rua, faço palestras e estudos mediúnicos no ´Lar Maria Lobato de Freitas´. Sinto-me gratificada de ter recebido orientação e proteção do Chico Xavier durante vinte e sete anos”, fala com emoção na voz.

Indagada quanto ao seu sucessor nessa missão de pinturas mediúnicas, a médium se referiu a um de seus netos, o Cláudio. “Eu sinto que o meu neto tem o dom, mas ainda é muito jovem, mas quem sabe. Ele apresenta sinais de que poderá me suceder. Ele me pede para desenhar, mas ainda não tem habilidades”, finaliza.


WaltherAlvarenga

Walther Alvarenga