Embaixada americana hasteia bandeira em Cuba

Embaixada americana hasteia bandeira em Cuba

A aproximação histórica entre EUA e Cuba, traz mudanças importantes no setor diplomático entre ambas as nações. A nova política também trará consequências práticas para a economia

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Quando o secretário de Estado John Kerry subiu ao púlpito na entrada da embaixada dos EUA em Havana – Cuba-, era o início de uma nova história entre os dois países. Quem representou o Governo cubano foi Josefina Vidal, responsável pelos assuntos norte-americanos do Ministério das Relações Exteriores de Cuba. Um momento crucial que abre precedentes para negociações e o fim do embargo aos país. E ao pisar em solo cubano, sob um sol tropical abrasivo, o primeiro Secretário de Estado da Casa Branca presidiu o hasteamento da bandeira de listras e estrelas, defendendo o fortalecimento do impulso nas relações entre Washington e Havana anunciado em 17 de dezembro pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro. “Sabemos que ainda há um longo caminho rumo a relações plenamente normais, mas exatamente por isso temos que iniciá-lo neste instante”, disse Kerry.

As atividades de abertura da embaixada americana, no último dia 14, em Havana, foram marcadas por discursos que mencionaram episódios da tumultuada relação entre EUA e Cuba, como a invasão da Baía dos Porcos (1961) e a Crise dos Mísseis (1962). John Kerry lamentou que o conflito entre os dois países tenha durado mais três décadas desde o final da Guerra Fria, com a queda da União Soviética. “Durante todo esse tempo, as relações entre EUA e Cuba ficaram enclausuradas”, declarou.

O compromisso do Presidente Barack Obama, afirmou Kerry, “é dar mais passos para aliviar as restrições a fim de conectar os cubanos com o mundo e melhorar suas vidas”. Considera que não bastará que eles se esforcem para isso, mas que Havana também deve trabalhar no mesmo sentido. “O embargo tem sido uma rua de mão dupla”, afirmou, “e nas duas vias é preciso eliminar obstáculos.” O discurso de Kerry foi medido e conciliador. Mas ele não deixou de aproveitar a ocasião para afirmar que seu Governo está convencido de que o sistema da ilha deve mudar: “Os cubanos estarão melhor com uma democracia autêntica, em que possam escolher seus dirigentes, expressar suas ideias e professar sua fé”, afirmou.
Desde que George W. Bush limitou o livre deslocamento dos diplomatas cubanos ao perímetro de Washington, os funcionários norte-americanos também tiveram sua liberdade de movimentos restringida a Havana. Para sair da capital, deviam pedir permissão. A partir de agora, bastará “notificar” a viagem. A situação será parecida aos acordos diplomáticos dos Estados Unidos em outros países com “restrições”. As condições são “em todo caso, muito melhores que as que tínhamos agora”, ressaltam.

Washington não prevê uma mudança imediata no pessoal destinado à ilha. Com a meia centena de diplomatas em uma delegação de 300 pessoas, a seção americana já é uma das maiores representações estrangeiras, se não a maior, em Cuba. Uma situação bem distinta da cubana, cujo pessoal em Washington é mínimo, apenas uma dezena de diplomatas, mais os funcionários consulares. Algo que deve mudar em vista do crescente interesse americano em visitar Cuba, que poderia explodir se o turismo à ilha for permitido novamente.

Cuba pode ter um embaixador em Washington na próxima semana. Os legisladores contrários à normalização das relações – como o senador e aspirante a presidente republicano Marco Rubio – já ameaçaram barrar a nomeação de um embaixador. Mas o Governo Obama diz que não tem pressa. Afinal, já conta com um “excelente diplomata”, o atual chefe da Seção de Interesses, Jeffrey DeLaurentis, que “chefiará a missão como encarregado de negócios até que tenhamos um embaixador”.

Centenas de cubanos compareceram aos arredores da embaixada. No final, deram sua opinião sobre o ato. “Lindíssimo”, “emocionante”, “excepcional”. Marta Caballero, afro-cubana de 56 anos, agradeceu o passo dado por Obama para normalizar as relações entre Cuba e EUA, estremecidas durante 54 anos. A reabertura das embaixadas foi o passo mais importante entre os Estados Unidos e Cuba, desde dezembro quando Obama e Raul Castro anunciaram a reaproximação entre os dois países. John Kerry é o primeiro secretário de estado americano, a visitar Cuba em 70 anos. Ele saldou os cubanos com a frase do herói da independência de Cuba José Martí: “qualquer coisa que separa os homens é um crime contra a humanidade”.

Foi uma referência a separação das famílias cubanas que passaram a viver metade em Miami e metade em Havana, por causa do rompimento diplomático entre os dois países em 1961. Depois em espanhol, Kerry disse que é os americanos e os cubanos não são inimigos, são vizinhos.
Os três fuzileiros que hastearam a bandeira, a receberam das mãos de soldados que estavam na embaixada, quando as relações foram rompidas.