voltar

JUN/12 – pág. 60

Nós, seres pensantes que somos, vivemos ligados a uma realidade interior permanente, intensa, sempre presente, que se move, cresce, transforma, foge, incomoda, contesta, o tempo todo, sem parar… e vai criando a vida que construímos, traçando o caminho ou permitindo que ele se trace, compondo a história de quem seremos.

Com muita frequência, flagro-me comparando caminhos, surpresa diante do desenrolar da vida e dos fatos que acontecem a minha volta. Na maioria das vezes, fico fascinada ao ouvir atentamente o que se passa no mundo contíguo, ao imaginar os paralelos que fazem o contato entre as duas realidades, a sua e a minha.

As realidades em que existimos, são, tenho certeza, bastante diversas e paradoxalmente semelhantes. Aos fatos que nos são expostos e utilizados, na maioria das vezes, damos conotações, às vezes, opostas, quando nos permitimos abrir as portas de nossa individualidade. Nosso mundo pessoal, então, se revela.

Nesse universo diário, admiravelmente prático, que é a nossa escola cotidiana, se usarmos o dom da atenção, temos uma surpresa por segundo. Prestando atenção ao que se passa, fazemos desenrolar a nossa frente o filme de nossa vida, em que cada detalhe que nos diz respeito é explicado com total clareza. O filminho indica-nos as melhores opções, insinua várias possíveis alternativas, faz observações sobre os pontos críticos.

Depois que nos tornamos mestres na arte da observação, descobrimos mais. Percebemos que, apesar de toda a maestria utilizada em nosso direcionamento para este ou aquele caminho, a vida nos prega uma surpresa. Provavelmente, na melhor demonstração do respeito com que é tratado o ser humano – recebemos o direito de escolha – e então a escolha de cada passo em nossa vida é depositada em nossas mãos.

A vida é o presente que recebemos. Ela chega para nós com todas as possíveis advertências e melhores instruções de uso que existem. Junto com a vida, recebemos o bônus da escolha, que nos permite seguir nosso caminho da maneira que acharmos melhor. Na viagem, que é a vida, nós seremos os comandantes do barco enquanto a viagem durar!

Escolhido o caminho desejado, começamos a escrever a história que vai ter a nossa impressão digital. Aí, outra vez, vamos construir uma narrativa única porque, ainda que você siga todos os meus passos, ou eu siga os seus, o meu caminho será completamente diferente do seu. Os resultados de cada um, com suas vitórias e derrotas, erros e acertos, sucessos e derrotas, é inteiramente pessoal.

Porque, apesar do fato de olharmos na mesma direção e termos sonhos similares, minha história é independente da sua, meus resultados não se comparam aos seus, seus valores e os meus têm pesos diferentes. Além disso, os caminhos que teremos que trilhar para realizar o destino que escolhemos, embora nos conduzam a encontros oportunos, porque necessários, seguem em diferentes direções, rumo a destinos compatíveis com nossa busca.

Dentro da malha humana em que nos movemos, um dia, iremos novamente nos re-encontrar. Nesse momento, ficaremos maravilhados com a precisão da nossa história que mais uma vez nos colocou face a face com nossa similaridade. Mais ainda, com a necessidade de tecermos juntos mais um pedaço da história comum de nossa eterna vida.