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FEV/12 – pág. 52

Passamos horas infinitas buscando o invisível que, muitas vezes, está muito próximo para ser percebido. Acreditamos que a felicidade, nossa meta básica, está distante porque não conseguimos ver debaixo de nossos olhos. Lutamos insensatamente para adquirirmos o que mais desejamos, porque não tivemos o cuidado de olhar dentro do armário trancado de nossa insensatez. Vivemos uma grande parte de nossa vida desperdiçando o que nos foi dado de presente, dádiva que nem percebemos porque nos chegou fácil demais.

Tratamos a lucidez, a maior dádiva que recebemos e que nos permite perceber e decodificar o mistério da vida, com o desdém usual dos distraídos. A distração regula quase todos os momentos vividos e induz a uma procura que já começou sem êxito. Quando, finalmente, dispomo-nos a prestar atenção, a cortina começa a se abrir. As descobertas se acumulam, as coincidências se multiplicam e, muito devagar, começamos a navegar em águas mais claras.

Não existem fórmulas mágicas, nem informações privilegiadas; simplesmente, descobertas pessoais, colhidas do nosso jeito, do jeito de cada um. Tudo acontece com serenidade, com toda a atenção possível e extrema dedicação. O caminho não esconde nenhum segredo, de que só os iniciados têm conhecimento. Não existem privilégios, nem níveis de importância. Todos somos professores e alunos, alguns mais interessados, outros mais desligados. Alguns mais estimulados e curiosos, outros mais tranquilos. Mas todos caminhando o mesmo caminho, muitas vezes sem perceber.

A estrada pessoal tem ligação direta com nossa maneira de ser. Alguns gostam de correr, outros preferem andar. Com certeza, na nossa hora, na hora que for certa para nós, cada um vai chegar ao seu destino. A forma como vamos chegar vai variar, vai ser específica para cada um, mas, com toda certeza, nosso momento chega e será o melhor para nós. Também, com certeza, vamos andar na nossa própria velocidade e não na velocidade a que outros aspiraram ou, até mesmo, desenharam para nós.

A percepção de cada um é extremamente pessoal e nenhum mestre é capaz de nos ensinar a perceber. O mestre, que vem trilhando seu próprio caminho, nem mesmo pode imaginar com segurança absoluta qual o nosso grau de percepção. O que conseguimos articular nem sempre é a representação fiel de nossa realidade interior. Frequentemente, ainda que sem percebermos, a intercomunicação é falha, e a informação que projetamos não se equipara ao que carregamos internamente. A simples consciência desse fato já justifica plenamente fazer nossas buscas intrínsecas dentro de nós mesmos e não no espelho do mundo exterior, que pode nos trazer informação inadequada.

Todos nós estamos conscientes das influências que sofremos. Sabemos que parte do que somos é o resultado de nossa experiência vivendo num mundo interativo. Mas podemos estar certos que apesar de recebermos influências do mundo que nos cerca, das pessoas com quem convivemos, das opiniões que escutamos, dos livros que lemos, enfim, da vida que acontece a nossa volta, em última análise, somos o resultado do que aceitamos e absorvemos em nossa experiência terrena.

Sabemos, então, que a responsabilidade pelo resultado é inteiramente pessoal e depende apenas de nós. A resposta que recebemos da vida depende, sobretudo, da escolha feita a cada momento. Está diretamente ligada ao uso que fazemos de nosso livre-arbítrio. Para que possamos arcar responsavelmente com o resultado de nossas escolhas, todo cuidado é pouco e ATENÇÃO ABSOLUTA é primordial!