Dilma Rousseff é questionada na compra de caças suecos

Dilma Rousseff é questionada na compra de caças suecos

Presidenta teria decidido manter a visita à Suécia e à Finlândia para mostrar que o “governo não está parado”

A presidente Dilma Rousseff recebe explicações sobre o caça Gripen na visita à SAAB, na Suécia- Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidente Dilma Rousseff recebe explicações sobre o caça Gripen na visita à SAAB, na Suécia- Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Para dizer ao mundo que o Brasil não está estagnado, a presidenta Dilma Rousseff realizou a uma série de compromissos oficiais na Suécia e na Finlândia, com o objetivo de aprofundar as relações bilaterais com os dois países, segundo o Ministério das Relações Exteriores.Na prática, porém, a viagem foi o que o governo convencionou chamar de “agenda positiva”, um conjunto de ações – de investimentos em infraestrutura a programas sociais – com repercussão favorável na mídia.O Brasil comprou 36 aviões – versão do caça Gripen. Os primeiros serão produzidos na Suécia. Em contrapartida, os suecos mostraram-se preocupados se a compra dos aviões não está ameaçada pelas crises econômica e política no Brasil. Fontes próximas à presidenta afirmaram que a intenção era reverter à queda de popularidade da presidenta, hoje em 10%.Nos últimos meses, Dilma tem intensificado as viagens ao exterior. Ela esteve recentemente na Colômbia e, até o final do ano, deve sair do país pelo menos mais três vezes, à Turquia, para a reunião do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), à França, para a Conferência do Clima (COP-21), e ao Japão.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o rito de impeachment definido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). As regras estabeleciam, entre outras situações, que uma eventual rejeição por ele de um dos pedidos de impeachment poderia ser questionada por qualquer deputado. Nessa hipótese, caberia ao plenário da casa à palavra final para a abertura do processo pedindo o afastamento da presidenta. Dessa forma, a decisão não ficaria apenas nas mãos de Cunha. Em contrapartida, Dilma respondeu às indagações da imprensa na Suécia afirmando que não acredita que haja qualquer processo de ruptura institucional, descartando um processo de impeachment.
A versão do caça Gripen comprada pela Força Aérea brasileira ainda não está pronta, mas a presidenta Dilma já pôde ter uma ideia do avião que o Brasil adquiriu por US$ 4,5 bilhões apesar do modelo ser só para demonstração.É um modelo da versão NG, a mais moderna do caça Gripen. O Brasil comprou 36 desses aviões. Os primeiros serão produzidos na Suécia. No futuro, serão feitos no Brasil.E os 46 engenheiros que foram à Suécia foram recebidos pela presidenta Dilma. Eles são o primeiro grupo de mais de 350 que irão aprender a produzir o caça. Por outro lado, os suecos estão preocupados se a compra dos aviões não está ameaçada pelas crises econômica e política no Brasil.Ao ser questionada sobre o assunto, a petista foi enfática. “Não acredito que a questão da crise econômica no Brasil terá qualquer impacto sobre os contratos Gripen. Eu asseguro que o Brasil está em busca de estabilidade política e não acreditamos que haja qualquer processo de ruptura institucional. Nós somos uma democracia e temos tanto um Legislativo como também um Judiciário e um Executivo independentes, que funcionam com autonomia, mas também com harmonia. Não acreditamos que haja nenhum risco de crise política mais acentuado”, acrescentou a presidenta.

Aprovação da CPMF

Quanto à volta da criticada CPMF Dilma Rousseff afirmou que é para reequilibrar as contas públicas do país. Ela também rebateu as críticas do presidente do PT, Rui Falcão, que defendeu a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e disse que ele continua no cargo.”O Brasil precisa aprovar a CPMF para que a gente tenha um ano de 2016 estável, do ponto de vista do reequilíbrio de nossas finanças”, afirma. “Nós acreditamos que a CPMF é crucial para o país voltar a crescer. Estabilizar as contas públicas para quê? Para que o país volte a crescer, para que se perceba que o Brasil tem uma solidez fiscal. Sem a CPMF isso é muito difícil, não vou dizer assim é ‘impossível’. Vou te dizer o seguinte: está no grau de dificuldade máximo. A CPMF é crucial para o país”, disse.

Sobre a permanência de Levy no governo, Dilma disse que a opinião do presidente do PT não era a do governo. Rui Falcão, no entanto, defendeu que haja uma mudança na política econômica ou a eventual substituição de Levy, caso ele não siga a orientação de Dilma na área. “Eu acho que o presidente do PT pode ter a opinião que ele quiser. Não é a opinião do governo. Então, a gente respeita a opinião do presidente do PT, até porque ele é o presidente do partido que integra a base aliada, do partido mais importante, mas isso não significa que ela seja a opinião do governo”, disse também a presidenta.

Dilma também reclamou das especulações sobre a saída de Levy da Fazenda. “Eu não sei como é que sai essas informações. Agora, elas são muito danosas, porque de repente aparece uma informação que não é verdadeira”, disse.Os rumores ganharam força após críticas públicas, nos últimos dias, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sustentou que o governo deveria abandonar de forma imediata o ajuste fiscal em implementação pela equipe de Levy.

Crise política

Questionada sobre a crise política no país, ela negou que o governo tenha feito qualquer acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e disse que o acordo dele era com a oposição. Com o agravamento das denúncias contra ele, Cunha tem ensaiado uma aproximação com o governo para discutir a possibilidade de ter o seu mandato poupado no processo que responderá no colegiado por suposta quebra de decoro parlamentar. Até então, a estratégia do peemedebista era, respaldado pela oposição, pressionar o governo com a abertura de um processo de impeachment.Ao comentar as provas da existência de contas na Suíça contra Eduardo Cunha, a presidenta afirmou que “lamenta que seja um brasileiro”.