Cuidar de si mesmo é egoísmo?

Cuidar de si mesmo é egoísmo?

Edição de julho/2018 – p. 38

Cuidar de si mesmo é egoísmo?

Às vezes, as pessoas sentem-se constrangidas por cuidarem primeiramente delas próprias e depois dos outros por medo de parecerem egoístas, evitam, por exemplo, fazer ginástica porque a família precisa delas. Na verdade, o que a família precisa é de pessoas bem equilibradas (emocionalmente e fisicamente) para ajudar seus membros. Todos se beneficiam disso, tendo mais saúde e resiliência.

O desleixo físico, emocional, social, mental, espiritual tem preço alto no funcionamento de cada membro da família. Vamos pensar nesta situação: “Eu uso a roupa e o cabelo que minha esposa gosta, mas que eu detesto, sentindo-me incomodado, inseguro e, até mesmo, ressentido”. Isso é bom? Óbvio que não. Os sentimentos são nossa bússola, que nos orienta na interação com os outros.  A nossa responsabilidade é informar àqueles com quem interagimos sobre o que gostamos, preferimos e aceitamos. É sempre nossa a responsabilidade de fazê-lo com consistência e neutralidade. Os outros não adivinham, nem querem que façamos as coisas contrariados, porque isso cria uma relação falsa e de codependência. A associação a favor da não codependência (www.coda.org) ajuda-nos a entender o que é isso.  Vejamos:

Padrões de passividade

Os codependentes…

  • cedem e desistem dos seus valores e integridade, temporariamente ou não, para evitar rejeição ou a ira dos outros;
  • dão muito valor à opinião dos outros e evitam expressar a sua se for oposta à dos demais;
  • colocam de lado seus próprios interesses e hobbies para fazerem o que os outros querem;
  • são muito leais ao ponto de ficarem em relações nocivas durante muito tempo;
  • são muito sensíveis aos sentimentos dos outros e adotam os sentimentos alheios em vez dos seus.

Padrões de baixa autoconfiança

Os codependentes…

  • têm dificuldade em tomar decisões;
  • têm dificuldade em pedir ajuda;
  • autocriticam-se nas palavras, pensamentos e ações, raramente se sentindo suficientemente bons;
  • preferem a aprovação dos outros em vez da deles próprios;
  • não gostam de elogios, nem de prêmios e prendas, ou seja, de reconhecimentos.

Padrões de negação

Os codependentes…

  • acham-se completamente corretos e dedicados;
  • minimizam ou negam os seus sentimentos;
  • têm dificuldade em identificá-los.

Padrões de controle

Os codependentes…

  • acham que os outros não são capazes de se cuidarem sem a ajuda deles;
  • tentam convencer os outros sobre aquilo que devem pensar ou o que devem fazer;
  • ficam zangados quando os outros o recusam;
  • oferecem dicas e recomendações sem que lhe peçam;
  • oferecem presentes ou favores exagerados;
  • precisam ser “precisados” para estar em uma relação;
  • conscientemente, ou não, usam o sexo como tentativa de aceitação.

Se você se identificar com algumas dessas  características (não é preciso todas), procure ajuda. A codependência mata! Isto é, cria angústia, depressão e problemas nas relações. Se você acha que alguém conhecido as tem e precisa de ajuda… cuidado! Até pode ser verdade, mas lembre-se de que os codependentes são peritos em achar que os outros são quem precisam de ajuda, nunca eles.

Por intermédio do CODA, pode-se ter acesso às aulas grátis e à literatura adequada.  Esses grupos existem no Brasil, em Portugal e em muitos lugares do mundo. Na Flórida Central, há três opções: aulas presenciais, por internet (chat) ou por telefone.

Relações doentias causam muito estresse, que, por sua vez, podem causar tristeza e uma solidão interior profunda, bem como o se sentir deslocado na família ou no trabalho (também se escolhem e perpetuam-se relações laborais inapropriadas), isolando-se e evitando intimidade.

Com a ajuda de um questionário da Universidade de Los Angeles e da pesquisa da firma IPSOS,  foi feita recentemente uma abordagem em nível nacional que revelou o seguinte:

  • quase metade da população dos Estados Unidos sente-se sozinha, assim como não vê sentido em suas relações familiares, sociais e laborais;
  • mais de um quarto da população (27%) acha que ninguém o entende;
  • uma em cada cinco pessoas acha que nunca se sentiu perto de ninguém;
  • a geração Z (18 a 22 anos de idade) é a mais solitária;
  • ter muitos amigos no Facebook (ou em outras redes virtuais) não é sinal de que se tem muitos amigos reais.

Qual é a solução? O equilíbrio entre os “inter” e “intracuidados” pessoais. Vamos começar a agir assim?

Se quiser comentar ou para mais informações, telefone-me e/ou visite o site www.ortigao.com