Confiança no próprio taco
Golfista paranaense Gustavo Teodoro, que quer representar o Brasil nos Jogos Tóquio 2020 – Foto: Divulgação

Confiança no próprio taco

O paranaense Gustavo Teodoro quer representar o golfe brasileiro nos Jogos Tóquio 2020

Confiança no próprio taco

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

humberto@esportedefato.com.br

Muitos grandes atletas são movidos por grandes sonhos. O sonho de Gustavo Teodoro é ser o representante do golfe masculino brasileiro nas Olimpíadas de 2020, em Tóquio. O golfista paranaense tem 29 anos, atua profissionalmente desde 2009 e hoje ocupa o quinto lugar no ranking brasileiro. No ano passado, foi campeão da etapa de Ribeirão Preto do Circuito Profissional de Golfe da Confederação Brasileira de Golfe, o CBG Pro Tour, e do I Torneio de Duplas – Golf Pro Tour, em Campinas (SP). Além disso, também conquistou uma vaga para representar o Brasil em um torneio na África Central, na Guiné Equatorial. Seu próximo objetivo é estar entre os “top 5” no torneio PGA Tour LA 2018. “Os representantes brasileiros escolhidos para as Olimpíadas de Tóquio terão que estar no ranking mundial entre os 350 melhores. Hoje tenho adversários que já jogam torneios fora do Brasil e estão pontuando para o ranking mundial, como Adilson da Silva, Rafael Beker, Rodrigo Lee, Alexandre Rocha e Fernando Mechereffe, explica Gustavo, que é graduado em Educação Física e mora há seis anos na cidade paulista de Ribeirão Preto, onde treina no Ipê Golf Club.

Esporte de Fato – Como o golfe surgiu em sua vida? 

Gustavo Teodoro Iniciei cedo, aos 10 anos de idade, como “caddie”, o auxiliar que carrega os tacos dos golfistas. No início, era apenas por divertimento, mas já me destacava com tacadas longas e diferenciadas com tal idade e a paixão foi aumentando cada vez mais, ao ponto de não mais me desligar do esporte. Aos 19 anos, me tornei profissional de golfe. Nos últimos três anos, participei de torneios profissionais, ganhando alguns nacionais, e me destacando em torneios internacionais, como no Peru e África. Hoje em dia, tenho um suporte com psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta, personal trainer e coach para auxiliar meu desempenho. Sempre respirei golfe na minha vida, o golfe sempre foi a minha única base de renda, sempre esteve presente como hobbie e até mesmo em momentos de lazer. Acredito que, mesmo com mais idade, continuarei jogando o resto da vida.

Esporte de Fato – Como é a sua rotina de treinos? 

Gustavo TeodoroA cada dia da semana faço um treino diferente, onde aprimoro um fundamento diferente do golfe. Frequento academia de musculação, massoterapeuta e psicóloga. É indispensável bater bolas, treinar os diferentes tipos de tacadas e jogar em campo de golfe pelo menos 36 horas por semana.

Esporte de Fato – No Brasil, o golfe é considerado um esporte caro, de elite. Como é a vida de golfista profissional brasileiro?

Gustavo Teodoro No Brasil existe esse preconceito, realmente o golfe é visto como um esporte elitizado. Mas as pessoas têm a visão dos torneios internacionais, onde o apoio de grandes marcas é forte, com premiações que chegam a valores bem elevados. Já a realidade de um golfista profissional brasileiro não é tão fácil. É complicado se manter com as premiações oferecidas no Brasil, que são baixas. Falta divulgação e incentivo. Com isso, o sonho dos golfistas brasileiros é se destacar para chegar aos torneios internacionais. Este ano tive o privilégio de conseguir uma parceria com o grupo Magic Development, incorporadora americana de donos brasileiros que desenvolve empreendimentos de luxo nos Estados Unidos. Sem dúvidas, esse patrocínio será essencial para me ajudar com gastos durante os treinamentos e viagens. Isso vai me proporcionar ir em busca das conquistas almejadas, que são os tão esperados pontos para o ranking mundial, que darão a vaga para a tão sonhada Olimpíada de 2020 em Tóquio. Ter o apoio de um patrocinador internacional em um esporte que não é tão valorizado no Brasil é muito importante. O golfe brasileiro está atraindo cada vez mais a atenção do mundo. Somos competitivos, influentes e capazes de irmos longe. Isso nos dá força para continuar batalhando por nossos objetivos e por novas conquistas.

Esporte de Fato – Quais são as chances do golfe do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio?

Gustavo Teodoro O golfe do Brasil poderia ser mais valorizado no sentido de divulgação e apoio, pois isso de certa forma ajuda a motivar qualquer atleta. Mas, infelizmente, ainda estamos longe desta realidade. Por outro lado, acredito no potencial do golfe Brasil para estar onde ele quiser. Falo convicto, pois conheço os profissionais brasileiros, vejo que apresentam muita garra e força de vontade. E isso é muito importante!

Esporte de Fato – Já sonhou com os Jogos Tóquio 2020? Como imagina que será a competição lá?

Gustavo Teodoro Sem dúvidas! O sonho de qualquer atleta é chegar às Olimpíadas! Representar meu país, praticando o esporte que tanto amo, é meu sonho também! Nas Olimpíadas de Tóquio, o golfe será disputado na modalidade chamada Stroke Play, que é a soma das tacadas de quatro dias de competição. Quem fizer o menor número de tacadas será o medalhista de ouro!

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