Como lidar com a fúria em tempos de Ômicron e de intolerância na Flórida

É preciso ter cautela e bom senso para lidar com a fúria que contamina pessoas na Flórida

Seja vítima ou observador, um encontro com comportamento agressivo ou raivoso pode pegar qualquer um desprevenido. Especialistas dizem que manter a calma é fundamental para garantir que uma situação precária não se agrave

Da Redação

Em tempos de variante Ômicron e de desafios, é necessário manter a calma, procurar o bom senso mesmo em condições de extremo descontrole. Acontece que as pessoas vivem no limite da paciência, às vezes criando situações que podem gerar discussões e até mesmo agressões físicas. Essa experiência, no entanto, que viveu o brasileiro Marcus Stravato, morador de Boca Raton, na Flórida, traduz a intolerância do dia a dia.


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Segundo uma pesquisa do “Instituto Gallup”, foram encontrados níveis mais altos de estresse, tristeza, raiva e preocupação em 2020 do que em qualquer outro ponto do rastreamento global da organização. E a tendência é que o índice de descontrole entre pessoas possa se agravar ainda mais.

Marcus Stravatto disse que precisou ter cautela mediante ao ataque de fúria

Em depoimento ao “Jornal Nossa Gente”, Stravatto relata que presenciou momentos de fúria de um sujeito totalmente descontrolado, o que lhe exigiu serenidade diante do caos, evitando consequências desnecessárias. É preciso ter cautela nessa hora!

“Tenho que confessar, senti medo”, disse Marcus Stravato quando chegava  para o trabalho em um complexo de apartamentos em uma manhã ensolarada. Ele notou um veículo estacionado ilegalmente com uma multa de estacionamento na janela.

Presenciou que na volta ao local onde o carro multado estava estacionado, o dono do veículo ficou muito zangado. “Ele estava gritando insultos e xingando extremamente alto”, lembra o brasileiro.

Marcus descreveu o homem agitando os braços e raspando freneticamente o adesivo de neon, enquanto os vizinhos saíam para “ver o que estava acontecendo”.

O homem, totalmente irado, era seguido por um menino, “não mais de seis ou sete anos”, conta Marcus. “Eles pareciam não se importar com a impressão que estavam passando para a geração mais jovem que acompanhava a cena.”

Marcus não está sozinho em sua experiência de testemunhar um comportamento agressivo. Trabalhadores da linha de frente, funcionários de companhias aéreas, educadores e outros podem notar uma tendência de aumento da agressão, tornando-se até alvos.

E se alguém, naquele momento, tentasse acalmar o desconhecido, poderia ser agredido diante de sua ira. Um comportamento exaltado, que mostra um mundo furioso, alerta  Stravato.

Agressões em Tampa

Após um ano de isolamento pandêmico, em Tampa, o morador Gary Bagwell saiu para finalmente desfrutar de um “luxo” pelo qual ansiava – um corte de cabelo. Sentado na cadeira pela primeira vez em 18 meses, ele relaxou e se acomodou para desfrutar um pouco de cuidados especiais.

Quando seu barbeiro pediu a um colega estilista para fazer troco para uma nota de US$20 com a qual Gary estava pagando, o colega de trabalho reagiu com uma enxurrada de fortes palavrões e socou repetidamente o barbeiro, uma vez no rosto e com dez golpes na cabeça.

Em um instante, a paz que Gary esperava se transformou em pânico. “Eu nunca vi um comportamento tão bizarro na minha vida, disse Gary. “Acho que as pessoas hoje estão muito mais no limite.”

Seja vítima ou observador, um encontro com comportamento agressivo ou raivoso pode pegar qualquer um desprevenido. Especialistas dizem que manter a calma é fundamental para garantir que uma situação precária não se agrave. O conselho do especialista em gerenciamento de raiva Ryan Martin em “Psychology Today” foi: “Fique calmo, fique seguro e não piore as coisas”.

Gary concorda. “Envolver-me em uma situação volátil como essa só pioraria as coisas”, disse ele, citando conselhos práticos que ficou grato por ter lembrado de suas reuniões congregacionais das “Testemunhas de Jeová.”

Desafio particular

Para o inspetor de incêndio Roy La Grone de Grand Rapids, Michigan, essas situações voláteis representaram um desafio particular. “Tive dificuldade em controlar minha raiva desde criança”, reconheceu.

Após uma licença médica de quatro meses que terminou no início de 2021, ele estava ansioso para voltar ao trabalho. No primeiro dia de volta, ele fez uma sugestão simples ao dono da fábrica que estava inspecionando. Em uma fração de segundo, o homem explodiu em um discurso verbal repleto de palavrões.

Para Roy, a caminhada de 45 metros até a porta de saída parecia uma eternidade. O dono da empresa o seguiu, gritando o caminho todo, enquanto os funcionários do escritório olhavam com descrença perturbadora.

“Fiz tudo o que pude para tentar acalmá-lo”, disse Roy. “Eu não me exaltei porque aprendi que esse tipo de comportamento não ajuda na situação.”

Ao longo dos anos, Roy disse que trabalhou duro para minimizar seu temperamento. Ele disse que os recursos do jw.org, o site oficial das “Testemunhas de Jeová”, foram particularmente úteis para lidar com o estresse, controlar sua raiva e manter a calma ao ser provocado.

“Imitar os bons exemplos de outros e aplicar os princípios bíblicos me ajudou a manter a calma quando estou sob pressão”, disse ele.

Marcus, um leitor da Bíblia como Roy, disse que sua reação ao homem furioso no estacionamento foi influenciada pela escritura de Provérbios 22:3, que recomenda esconder-se do perigo. Ele se retirou para um dos corredores tranquilos do condomínio, “se afastando do homem”. Ele disse: “Ter refletido sobre esse texto e outros me ajudou a estar preparado para situações como essa”.



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