Câmara dos EUA aprova aumento do teto da dívida até março de 2015

Câmara dos EUA aprova aumento do teto da dívida até março de 2015

Acordo evita que governo tenha de parar de gastar no fim do mês. Limite foi alcançado na sexta e prejudicou funcionamento do Tesouro.

A Câmara dos EUA aprovou por 221 votos a 201 o aumento do limite da dívida até março de 2015 e sem impor condições, nesta terça-feira (11).

Porta-voz da Câmara dos Deputados dos EUA em discurso semanal à imprensa (Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP)
Porta-voz da Câmara dos Deputados dos EUA em discurso semanal à imprensa (Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP)

O aumento do limite do teto da dívida dos EUA permite que o governo continue realizando seus gastos e pagando suas dívidas, apesar de ter atingido o valor máximo permitido pelo Congresso. No ano passado, não houve essa autorização, o que fez com que inúmeros serviços e atividades do país, que dependem de servidores públicos, deixassem de funcionar. Um exemplo foi a visitação à Estátua da Liberdade, que teve ser paralisada.

O limite legal da dívida, elevado em outubro depois de uma dura batalha parlamentar, foi alcançado novamente na sexta-feira (7) e o Tesouro alertou que não poderia continuar funcionando até o final do mês sem uma nova autorização para contrair nova dívida pelo Congresso.

Segundo o porta-voz da casa, John Boehner, os republicanos concordaram em fazer uma concessão política, afastando o risco de uma nova suspensão de pagamentos do país depois de 27 de fevereiro.

O acordo sobre o limite da dívida consolida outras negociações que ocorreram entre democratas e republicanos sobre o orçamento, em dezembro e janeiro, e coloca fim a três anos de bloqueio político em Washington.

Quando o aumento dos gastos não é liberado, o país é visto com desconfiança, tendo de pagar mais juros pelos empréstimos feitos, o que acaba impactando também outros países, já que os juros pagos nos EUA são referência para o resto do mundo.

Democratas x republicanos
Como não colocaram condições para suspender o limite da dívida a medidas apoiadas pelos conservadores, a maioria dos republicanos se dobrou à posição democrata. Os partidários de Obama exigiam um texto limpo, colocando uma clara derrota para os legisladores do grupo do Tea Party.

“Um teto da dívida livre é uma rendição completa por parte do porta-voz e demonstra que ele perdeu a capacidade de liderar a Câmara dos Deputados, e seu próprio partido”, disse, de acordo com o “New York Times”, Jenny Beth Martin, cofundadora do grupo dos patriotas do Tea Party, e que publicou uma petição on-line exigindo a demissão de Boehner. “É hora de ele ir embora”, disse.

“Nossos legisladores não estão muito entusiasmados com a ideia de elevar o teto da dívida”, declarou Boehner. “Como consequência deixaremos que os democratas aportem os votos necessários. Nós daremos o mínimo de votos que possibilite a aprovação da lei”, acrescentou ele, antes da votação.

Os democratas cantaram vitória ainda antes da aprovação. “A Câmara entendeu que seguir a direita (linha) dura em relação ao teto da dívida não tinha nenhum sentido, o que é bom para a Câmara, bom para o Partido Republicano e bom para o país”, declarou o Senador democrata Charles Schumer.

Com a aprovação por parte da Câmara, o Senado tem tempo suficiente para aprová-lo, antes do dia 27 de fevereiro.

Fonte: g1.globo.com