Brasileiros têm dificuldade para conseguir visto para os Estados Unidos

Brasileiros têm dificuldade para conseguir visto para os Estados Unidos

Procura por vistos para os Estados Unidos aumenta, mas mesmo pagando taxa e com vínculo com o Brasil, muitos brasileiros não têm autorização para ingressar no país

Dejanir Caetano teve quatro pedidos rejeitados e está impedida de visitar a filha e duas netas que moram perto de Boston - Tulio Santas/EM/D.A Press
Dejanir Caetano teve quatro pedidos rejeitados e está impedida de visitar a filha e duas netas que moram perto de Boston – Tulio Santas/EM/D.A Press

Nem mesmo um Brasil cheio de eventos nos próximos anos — Copa do Mundo e Olimpíadas — é capaz de controlar a vontade dos brasileiros de deixá-lo por um tempo e partir para os Estados Unidos, seja em busca de turismo ou formação profissional. A procura por vistos para embarcar em direção à terra do Tio Sam deu um salto perceptível. O aumento chega a 50 mil, se comparado ao ano passado. Contudo, há pessoas que não conseguem completar o primeiro passo que deve ser tomado para entrar no país: o visto.

A burocracia e o grau de exigência ainda são motivo de receio por parte de alguns turistas. Para conseguir o visto, os viajantes precisam apresentar uma série informações e determinar qual tipo é o mais apropriado. Entre as 18 opções para imigrantes e não imigrantes é possível encontrar categorias para intercambistas, turistas, viagens para tratamento médico, visitantes a negócios, atletas e trabalhadores temporários. O pagamento da taxa de R$ 380 para fazer a entrevista não garante a entrada no país, uma vez que a autorização é dada por um funcionário do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA no desembarque do turista.

Mesmo com a condição que pode se tornar um repelente para o turismo, as promoções de hospedagem e passagens mais acessíveis encheram os olhos da auxiliar de operações comerciais Cristiane Amorim, de 33 anos, que mesmo com sete anos de carteira assinada e casa própria não conseguiu embarcar na viagem dos sonhos. Cristiane é solteira e mora com os pais, e foi à Embaixada dos Estados Unidos por duas vezes levando a carteira de trabalho, contracheque e comprovante de residência.

Apesar das tentativas, a resposta foi a mesma: não há como comprovar vínculo com o Brasil. “Pretendo tentar uma terceira vez, mas me sinto constrangida pela situação por que passei nas entrevistas anteriores. É uma sensação de frustração muito grande. Pessoas com a mesma situação financeira que a minha foram aprovadas” disse Cristiane.

Por quatro vezes, Dejanir Caetano, de 61, tentou o visto norte-americano para visitar a filha e duas netas que moram legalmente em uma cidade vizinha de Boston. Em todas recusaram o pedido.

As tentativas de Dejanir se iniciaram em 2006, quando ainda era mais complicado obter a permissão, mas a última foi neste ano e nada mudou. Segundo ela, eles se limitam a perguntar o que ela vai fazer lá e encerram o processo, apesar de ela ter toda a documentação necessária e preencher os requisitos, como ter casa própria, fonte de renda e outros motivos que a ligam ao Brasil. “Eles acham que o pessoal quer ir para lá ganhar dinheiro como antigamente, mas ela só quer visitar as netas”, diz o filho de Dejanir, Rochester Caetano. Advogado, ele prepara uma ação contra a Embaixada dos Estados Unidos para questionar as recusas.

VALADARENSES

Por muitos anos, a Região Leste de Minas foi marcada por “exportar” os ali nascidos para a Terra do Tio Sam. A procura era tão grande (incluindo os ilegais) que obter a autorização para visitar os Estados Unidos se tornou um privilégio de poucos. “Antigamente, morar aqui era um agravante. Hoje não é mais”, diz o gerente da Categoria Turismo, Guilherme Bragança. Mas, ainda assim, a taxa de aprovação é inferior à média nacional. “Noventa por cento é raro”, diz.

Bragança, no entanto, relata que há casos parecidos em que uma pessoa consegue e outra não. Ele diz conhecer um menino que tentou cinco vezes conseguir o visto, sem êxito, porque a mãe dele residia nos Estados Unidos, enquanto um jovem com renda inferior a R$ 1 mil e pais e irmãos morando lá conseguiu de primeira. “A cabeça do cônsul é um pouco confusa”, afirma.

Fonte: em.com.br