Brasileiros em Miami votam com camisa da seleção e bandeira nacional

Brasileiros em Miami votam com camisa da seleção e bandeira nacional

Cidade dos EUA tem maior zona eleitoral fora do país: 22,2 mil eleitores. ‘Amor à nossa pátria começa na hora da votação’, diz engenheiro.

Larissa, Francisco e a pequena Lara foram uniformizados para votar em Miami (Foto: Carolina Camargo/G1)
Larissa, Francisco e a pequena Lara foram uniformizados para votar em Miami (Foto: Carolina Camargo/G1)

Muitos brasileiros que vivem na Flórida, nos Estados Unidos, usaram camisas com as cores do Brasil para votar no Miami Dade College, em Miami, local da maior zona eleitoral no exterior com 22.294 mil eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Teve até família uniformizada de seleção brasileira e eleitora com a bandeira nacional. Ao todo, são quase 354,2 mil eleitores aptos a votar fora do Brasil, em 120 países ao redor do mundo.

O engenheiro Francisco Otero, 42, a mulher, a psicóloga Larissa Otero, e a filha, Lara, de 7 meses, vieram vestidos à caráter. “Temos muito orgulho de ser brasileiros. É a primeira vez que a minha filha veste uma camisa do Brasil. Queremos que ela aprenda desde pequena. O amor à nossa pátria começa na hora da votação”, afirmou.

A família veio de Boca Raton, cerca de 80 km de Miami, para participar da eleição. “Tem de ter muita vontade para votar! A maior parte da comunidade brasileira fica mais ao norte, por isso, deveriam ter outros postos de votação. Eu tenho tripla nacionalidade. Voto para os Estados Unidos, Espanha e Brasil. Quando teve eleição na Espanha, o governo mandou a cédula para a minha casa. Isso sim é democracia”, reclamou.

“Faço de tudo pelo meu voto”, declarou Andrea Lulsdorf, 40 anos, arquiteta, vestindo uma camisa verde e amarela. Na companhia do marido, Antônio, 44, e dos filhos, João Pedro, 11, e Gregory, 6, ela veio de Naples, a 200 km de Miami, para poder votar. “Acordamos cedo e vamos fazer um bate e volta. São quatro horas de viagem ao todo. Senti necessidade de vir e dar minha contribuição. Mesmo morando fora do país, nosso coração, tradição e cultura são brasileiros. Quis mostrar para os meus filhos a importância de votar e escolher nossos governantes. Não pode só reclamar. Tem de fazer algo”, disse.

Morando nos Estados Unidos desde 2005, essa foi a segunda vez que o diretor de arte Eduardo Guzman, 50, levou as filhas, Marina, 9, e Siena, 7, para votar com ele. “Decidimos usar as camisas do Brasil porque hoje é o dia de mostrar nosso patriotismo. Votar é um jeito de me manter conectado ao meu país e de cumprir meu dever como cidadão. Elas têm dupla nacionalidade e sempre que podemos vamos ao Brasil”, falou.

Bandeira do Brasil

Lia Maia levou a bandeira do país para a votação em Miami (Foto: Carolina Camargo/G1)
Lia Maia levou a bandeira do país para a votação em Miami (Foto: Carolina Camargo/G1)

 

No entanto, ninguém caprichou mais do que a professora Lia Maia, 55 anos. Ela chegou para votar usando colar e brincos com a bandeira brasileira, boné verde e amarelo e a bandeira nas costas. “Quero mostrar que eu sou brasileira e amo meu país. O Brasil nunca sai do brasileiro”, afirmou.

A babá Nanci Johnson, 60, foi justificar o voto com um chimarrão nas mãos. “Não importa aonde eu vá, pode ser na praia ou em um passeio, sempre levo minha cuia. Sou do Rio Grande do Sul e nunca deixei de lado essa tradição”, contou.

Selfie nas eleições

Com 30 salas para votação e 55 urnas, quem procurou o Miami Dade College para votar na parte da manhã não enfrentou filas. Até sexta-feira (3) 13.200 títulos ainda estavam à disposição para serem retirados. Dentro do Miami Dade College uma grande sala foi montada para a retirada, mas tudo transcorria tranquilamente. A única espera mesmo era para fazer fotos em frente das placas com indicações da eleição dentro da universidade.

“Estamos fazendo fotos para mostrar para os nossos parentes que são de Ipatinga, em Minas Gerais. Queremos mostrar que viemos votar”, afirmou o marceneiro José Onofre Soares, 51, na companhia da mulher, a balconista Maria dos Anjos Soares, 46. “Minha família é de Florianópolis e estamos sempre em contato pela Internet. Eu vim de Naples para votar e vou mostrar a foto para eles”, disse a veterinária Suzana Kroeff Katila, 48 anos.

Morando há dois anos e meio nos Estados Unidos, a estudante de direito Clede Carvalho  votou pela primeira vez estando no exterior. “Minha esperança é que o Brasil tenha um dia a mesma educação e segurança que temos nos EUA. As escolas públicas são top de linha”, declarou.

As amigas Lúcia Darzi, 62, Maria Keown, 54, e Denise Lahude Junger, 58, vieram de Deerfield Beach para votar em Miami. “Sabemos o que é bom porque moramos nos Estados Unidos e queremos o mesmo para o Brasil. Não é porque moramos no exterior que não nos preocupamos com nosso país. Pelo contrário, acho que a gente até se preocupa mais porque sabe a diferença que faz viver em um lugar com educação e segurança”, disse Maria.

“Moramos a 50 minutos de Miami. Gastamos tempo e combustível para poder vir votar, mas estamos fazendo com alegria e confiança. Meu coração bateu mais forte na hora do voto”, destacou Denise.

A cozinheira Maria Lúcia Melo, 60, com a filha, a bancária Gisele Melo, 35, e os amigos Sandra Lúcia Machado, 41, Lilian Pereira, 30 anos, e Cido Souza, 44, dividiram o carro para vir de Pompano Beach até Miami para votar. “Estamos muito animados. O clima está ótimo. A gente se sente mais brasileiro em um dia como hoje. Parece que o Brasil está mais próximo de nós”, afirmou Lilian

Morando em Naples, a veterinária Suzana Kroeff Katila, 48, convenceu o marido, Matias, que é finlandês, a vir para Miami para que ela pudesse poder votar. “Viemos dois dias antes para poder passear também. Nunca perdi uma votação no meu país. Não é porque estou morando fora que ia perder desta vez. Gosto de morar aqui, mas penso em voltar no Brasil no futuro. Tirei fotos dentro da escola para poder mandar para a minha família em Florianópolis”

A executiva Silvana Mandelli, 61, levou toda a família para votar, incluindo a neta, Maria Luisa Mandelli Lopes, de 2 anos e 10 meses. “Sou patriota. Por isso, quis vir de azul e amarelo. Só espero que nossos votos sejam mesmo como computados”, disse.

Fonte: g1.globo.com