Brasileira supera depressão e é campeã no fisiculturismo

Brasileira supera depressão e é campeã no fisiculturismo

A personal trainer Mariana Staccioli é um exemplo de superação, levando o nome do Brasil ao pódio. Mãe de cinco filhos se prepara para disputar o Mundial de Fisiculturismo, em Los Angeles

Edição de março/2018 – pág. 10

Brasileira supera depressão e é campeã no fisiculturismo

A personal trainer e detentora de prêmios importantes em competições de fisiculturismo nos EUA, a brasileira Mariana Staccioli, é um exemplo de superação, levando o nome do Brasil ao pódio. Determinada e dedicada aos exercícios diários, com técnicas corretas para manter a excelente estrutura genética, quesito fundamental às exigências do fisiculturismo, a atleta mantém-se atenta. Ela também é responsável por grupo de alunos presenciais e por alunos que recebem consultoria online, em vários estados brasileiros. “Os Estados Unidos são o berço do fisiculturismo. Aqui você atinge o ápice, pois os recursos disponíveis permitem que o atleta avance em seu trabalho, com resultados muito positivos”, informa a personal.

Mariana sagrou-se quatro vezes campeã no “Campeonato Nacional: NPC Southern USA” e no “Campeonato  NPC South Florida – 2017”, realizados na Flórida, consolidando o seu favoritismo na categoria median. Em setembro, irá disputar o “Campeonato Mundial Olympia”, em Las Vegas, que reunirá os mais importantes fisiculturistas do mundo. “Já estou me preparando para o mundial e estou confiante, quero conquistar o título para o Brasil”, fala com entusiasmo. O campeonato que terá a presença do ator Arnold Schwarzenegger.

Com certificação de “Personal Trainer”, de “Nutrição Esportiva” e de “Emagrecimento”, Mariana prepara alunos nos EUA e no Brasil, obtendo resultados satisfatórios, passando aos seus discípulos conhecimento privilegiado. “Eu faço consultoria online para pessoas no Brasil, passando dietas para emagrecimento e exercícios adequados para treinamentos. Os meus alunos têm obtido resultados muito bons”, enfatiza. “Tenho cinco alunos presenciais, que vêm se saindo muito bem, inclusive, com potencial para disputar campeonatos de fisiculturismo”.

Quando chegou aos EUA, em dezembro de 2012, após ter feito atividades esportivas no Brasil, “fui ginasta até os quinze anos”, lembra Mariana que a depressão a incomodava. Faltava-lhe animo e não tinha vontade para treinar. “Foi quando resolvi dar a volta por cima, entrei na academia e voltei a praticar esporte. Imagine, eu, mãe de cinco filhos, poderia ficar em casa cuidando apenas da família, mas havia um propósito maior. Poderia ter me acomodado nessa condição, mas o esporte me levantou, impulsionou a minha carreira no fisiculturismo”, comemora.

“A academia era o meu momento, algo muito especial porque eu pensava só em mim. Era uma higiene mental, imagine, quando cheguei aos Estados Unidos não tinha amigos, não falava o inglês. O esporte me deu uma direção, e era tudo o que eu precisava”, reforça.

Quanto à carreira no fisiculturismo, quando indagada, conta Mariana que na academia onde treinava, “as pessoas vinham falar comigo, queriam saber como eu conseguia manter um bom condicionamento físico, sendo mãe de cinco filhos. Acontece que eu nunca me abandonei. Era uma boa mãe, mas não estava satisfeita comigo. Fiz curso de ‘Personal Trainer’, me preparei, mantendo a boa forma, com uma alimentação adequada. E foram essas pessoas que me incentivaram quando diziam que eu tinha bom condicionamento físico para disputar campeonato de fisiculturismo”, diz.

“A maior dificuldade é dar o primeiro passo, mas depois que você começa tudo flui positivamente. A gente trabalha a autoestima, um ponto importante que nos traz confiança. A cobrança é um ponto positivo. Então passei a me preparar muito mais quando disputei um campeonato de fisiculturismo na Flórida e fiquei em segundo lugar, não parei mais. Fui mordida por um bichinho que me levou em frente”, brinca.

Em um país onde o fast-food predomina, com um índice alarmante de obesos, explica Mariana que a disciplina alimentar é fundamental para manter a saúde e o bom condicionamento físico. “Têm pessoas que pensam que a comida vai resolver o seu problema, pelo contrário. Nos Estados Unidos há muitos produtos industrializados e isso é um grande dilema porque as pessoas comem o tempo todo. Elas acreditam que a vida é comida”, alerta.

“… as pessoas precisam desembrulhar menos e descascar mais”

“É o que eu sempre digo, as pessoas precisam desembrulhar menos e descascar mais. Tem de se alimentar com frutas, beber água, se alimentar de verdade. Eu lido com muita alegria com a minha alimentação. Nos Estados Unidos os atrativos são fast-food. Isso, em longo prazo, traz danos à saúde. É necessário a pessoa se educar na alimentação para ter qualidade de vida, ser saudável. O esporte proporciona isso, nos educa e nos ensina a alimentar-se”.

Conta Mariana Staccioli que desde menina aprendeu com os pais a se alimentar adequadamente. “Os meus pais se alimentavam de comida macrobiótica. Eles eram rigorosos quanto à alimentação e isso eu aprendi desde menina. A minha avó era mais liberal e, vez em quando permitia que eu comesse outras coisas”, complementa.

“A sociedade é muito ligada ao alimento. Em dias bons, ela come, como nos dias ruins. Uma dieta vai bem. A pessoa não precisa abrir mão daquele prato especial que adora. Basta fazer uma dieta de segunda a sexta-feira e no fim de semana ir ao restaurante degustar o que ela gosta. Isso faz bem, não precisa se isolar, é fundamental se socializar”, orienta.

Especificando o seu condicionamento físico no fisiculturismo, explica a personal trainer que “a minha categoria não exige que eu seja exageradamente musculosa ou que perca a feminilidade nos movimentos. A categoria median exige que a mulher fisiculturista tenha bons músculos, um ótimo condicionamento físico, mas sem excessos. Não é algo que vá masculinizar o meu corpo. Eu trabalho os músculos e o formato do corpo. Agora, evidente que em outras categorias o nível de exigência é muito maior, tanto para o homem quanto para a mulher”, informa.

“O bodybuilder para o homem, por exemplo, é desafiante. Ele tende a ficar musculoso porque a categoria requer uma musculação mais avolumada. Esse também o caso das mulheres, o que exige muito sacrifício para se chegar ao corpo ideal. Mas tudo é possível desde que se tenha determinação naquilo que se propõe fazer. A pessoa pode ter o corpo que quiser, não é privilégio de ninguém, desde que haja disciplina alimentar e empenho nos exercícios”, incentiva Mariana.

“A pessoa precisa ouvir a voz interior e seguir o que deseja, com verdade. É preciso acreditar em si mesma. Sempre digo aos meus alunos que sonhos existem para serem realizados. Todos podem conseguir. E têm pessoas que acha que não dá mais, que não têm chances, pelo contrário: há tempo para todas as coisas”, comenta.

“Quando se pratica uma atividade esportiva é preciso entender o corpo humano. Têm pessoas que o corpo responde mais rápido, então os resultados também são rápidos, como existem pessoas cujo metabolismo é mais devagar. E se a pessoa, por exemplo, quer entrar para o fisiculturismo, precisa saber qual a categoria que irá disputar e trabalhar em seu objetivo.

Natural do Rio de Janeiro, Mariana Staccioli é casada com Carlos e tem cinco filhos – os gêmeos, Mario e Marina, de sete anos; Beatriz, de 13 anos; João Roberto, de 16 anos, e Lucas, de 22 anos, que reside no Brasil.

Serviço

Contato com Mariana Staccioli: 407-990-3932