Biden e Trump: o que eles disseram, e discordam, sobre Covid-19, racismo e estratégia de governo

Joe Biden e Donald Trump falaram em canais diferentes e responderam perguntas de eleitores

 

Foi uma quinta-feira acirrada, de discórdia, entre os candidatos à Presidência dos EUA, Joe Biden e Donald Trump. O republicano esteve no canal de televisão NBC, direto de Miami; no canal da ABC, transmitido na Filadélfia, na Pensilvânia, Biden teve uma postura tranquila, categórico nas críticas ao adversário, apontando falhas contundentes

 

Da Redação

Para quem assistiu na tevê Donald Trump e Joe Biden, em canais diferentes – no mesmo horário – respondendo a perguntas de apresentadores, de eleitores, sobre estratégias de governo nos próximos quatro anos, pôde presenciar profunda discordância sobre a gestão da pandemia da Covid-19. Trump esteve no canal de televisão NBC, num debate direto de Miami, na Flórida; no canal de televisão ABC, transmitido na Filadélfia, na Pensilvânia, Biden teve uma postura tranquila, categórico nas críticas ao republicano, apontando falhas contundentes, alertando o eleitor: “Encontramo-nos numa situação em que temos mais de 210.000 mortos, mas o que ele – Trump –, está fazendo a respeito? Nada!”, criticou.

A 19 dias das eleições presidenciais, os candidatos deveriam ter se enfrentado em um debate em Miami, cancelado depois que o presidente Trump contraiu Covid-19 e se recusou a participar de um eventoem formato virtual. Na NBC, o republicano respondeu a perguntas de eleitores por 60 minutos, com mediação da jornalista Savannah Guthrie, enquanto Biden falou com o público na Filadélfia durante 90 minutos na ABC, intermediado por George Stephanopoulos. Lembrando que Trump e Biden ainda têm um debate antes da eleição de 3 novembro, marcado para 22 de outubro, em Nashville, Tennessee, com mediação de Kristen Welker, da NBC News.

Biden foi questionado se tomaria e indicaria uma vacina contra Covid-19 logo após sua aprovação, já que sua candidata à vice, kamala Harris, disse em debate que não tomaria o imunizante caso ela fosse indicada por Trump, mas sim por cientistas. O democrata afirmou que claramente confia nos cientistas e mantém contato para se informar sobre as pesquisas, mas também não confia no que o atual presidente diz, afinal ele diz “loucuras”, lembrando do episódio em que este sugeriu que pessoas injetassem desinfetante contra o coronavírus.

Ao ser perguntado se tornaria obrigatória à vacinação, Biden disse que não se consegue obrigar a população sequer a usar máscaras, e que por isso sabe que seria impossível tentar lançar uma campanha de vacinação obrigatória.

 

O que disse Trump

Republicano foi pressionado – Trump, no entanto, evitou falar sobre ter evitado tomar medidas para interromper os contágios em fevereiro — mês em que foi alertado sobre a gravidade da Covid-19, segundo revelado pelo livro do jornalista Bob Woodward. Perguntado sobre o uso de máscaras, o republicano sugeriu que os americanos as usassem, se assim quiserem, mas em seguida deu uma informação incorreta: a de que 85% das pessoas que vestem o item contraem o coronavírus.

O presidente também disse ser contrário a fechar o país e afirmou que Nova York se tornou uma “cidade fantasma” com a saída das pessoas por causa da pandemia e das medidas de lockdown. “A cura não pode ser pior do que a doença”, disse Trump.

Sobre ter contraído a Covid-19, o republicano afirmou que “não se lembra” de quando recebeu o teste positivo e disse que “provavelmente” passou por exames no dia do debate com Joe Biden — segundo Trump, ele foi testado “quase todos os dias”. Ele também disse que teve poucos sintomas do coronavírus e que não sente mais nada relacionado à doença.

Trump voltou a negar a reportagem do “New York Times” que disse que ele deixou de pagar impostos em anos consecutivos, mas acabou admitindo que deve dinheiro — o presidente não disse, porém, a quem deve. E na questão racismo, negou que estivesse fugindo do tema. “Eu denuncio os supremacistas brancos e tenho feito isso há anos”, afirmou.

O republicano havia sido acusado de não condenar grupos racistas durante o debate com Biden. O presidente também disse que o partido tentou passar no Congresso um projeto de reforma da polícia que prepararia melhor os policiais para lidar com o público e evitar ocorrências como a que terminou na morte de George Floyd. Segundo o republicano, os democratas barraram a proposta.

Quanto ao fator Economia, o presidente prometeu uma rápida recuperação do país após o choque causado pelo início da pandemia e disse que os resultados virão logo em novembro. Trump acrescentou que esses dados positivos chegarão dois dias antes da eleição, o que, para o republicano, gerará uma “onda vermelha”, em referência a possíveis eleitores do partido.

 

Biden sobre Leis de Crime

Democrata fala sobre Lei de Crimes – Questionado por uma eleitora republicana não disposta a votar em Trump sobre a Lei de Crimes que ajudou a aprovar em 1994, e que muitos acusam de ser desfavorável a minorias, especialmente negros, Biden admitiu ter errado ao apoiar a lei no geral, mas disse que há partes que boas e ruins.

Segundo ele, o banimento de armas de assalto foi um aspecto positivo, mas um ponto negativo com o qual ele não concorda foi ter dado dinheiro para os estados ampliarem os sistemas prisionais.

Além disso, ele também não acha que pessoas devam ir para a prisão por uso de drogas, mas sim que devam ser encaminhadas para reabilitação. “Temos que descriminalizar maconha, mudar o sistema. De punição para reabilitação”, enfatiza.

Sobre a polícia, Biden disse ser a favor de uma reforma nacional significativa, que a reaproxime da comunidade.