Bem-aventurados os mansos

Bem-aventurados os mansos

Mateus 5:5, 9, Evangelho Segundo o Espiritismo Cap 9 – itens 1, 2 e 3

Edição de setembro/2019 – p. 26

Bem-aventurados os mansos

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra”. (Mt 5:5);
“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9);

“BEM-AVENTURADOS” – Felizes, venturosos, afortunados. Não se trata de ventura decorrente da conquista e do usufruto de bens materiais, mas de satisfação íntima, de estado de alma sem conflito.

Em paz com Deus, o próximo e a si mesmo.

“OS MANSOS” – Ou brandos. Só podem ser mansos aqueles sem egoísmo ou nos quais esse mal está bastante reduzido. O egoísmo deseja tudo para si, quer o melhor e se julga superior a todos. Com esse proceder, desperta e desconfiança do próximo, que naturalmente, se põe em guarda contra ele.

Os mansos, os brandos não fazem guerra, porque se contentam com o que são, detêm e recebem de terceiros. Não queremos nos referir à ausência de desejo, de esforço de progredir, o que é justo e natural.

“PORQUE ELES HERDARÃO A TERRA” – Futuro. Quer dizer, em consequência. Herdar é receber por herança. E é isso que realmente tem acontecido. Desfrutamos, por misericórdia, inclusive a bênção de viver neste mundo. Em algumas versões consta “possuirão”. O tempo é futuro revelando a presença da lei de causa e efeito. Herdar é receber. Tudo de Deus, nosso Pai e Criador, e dele é que deveremos herdar, para usufruir de acordo com os preceitos do Evangelho. Tudo quanto é material se encontra emprestado aos homens (e sujeito a prestação de contas). Uns há que se apegam de tal modo às coisas do mundo que se julgam seus proprietários. Brigam e vão à guerra por causa deles.

Identificada a condição de manso, de brando por parte de alguém, nele depositamos certa confiança, porque sabem que jamais serão alvos de ambição. E, quando também não nos prendemos a determinadas utilidades, elas acabam vindo às nossas mãos, até para nos colocarem à prova.

Quanto menos coisas alguém quer, mais condições têm de possuir e se beneficiar. Às vezes, o egoísmo deixa de ser feliz só em admitir que terá de perder ou abandonar um dia o objeto de seu prazer. Assim, aqueles que possuem e se prendem aos bens materiais terminam na condição de escravos. E sofrem por isso e com isso. Temos necessidade de aprender a Lei do uso – nos contentando com o mínimo, se quisermos ser felizes.

“A TERRA” – Herdar a Terra é nos tornar donos dela. Donos no bom sentido, isto é, capazes de pôr tudo quanto nos possa oferecer ao serviço da nossa melhoria intima, de nossa libertação espiritual.

Para a nossa evolução, Deus nos proporciona a vida, o tempo e as oportunidades das quais o mundo em que vivemos está repleto. TERRA dá a entender a parte materializada do mundo. Observamos que uma pessoa quanto menos quer mais desfruta. Quando há altruísmo, desprendimento, mais pessoas confiam na gente, dando-nos ensejo a usufruir dos seus bens, sem resistências, sem desconfianças. Só com serenidade podemos pensar em resolver bem, e, assim, dominar as situações. Em suma, ou herdamos e possuímos com discernimento, ou somos possuídos e nos transformamos em escravos. Escravos e infelizes.

‘Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9);

“BEM-AVENTURADOS OS PACIFICADORES” – Ou pacíficos, segundo algumas versões da Bíblia. O Pacífico é um amigo da paz. O pacificador é aquele que, além de pacífico, trabalha, age em favor da paz. Que faz a paz. É bom ser pacífico, melhor além de pacífico é ser pacificador. O pacífico pode ser passivo e o pacificador tem que ser ativo e atuante. Não se dispensa, porém, o senso de oportunidade. Como quem acende uma lâmpada e é o primeiro a se beneficiar, o mesmo acontece com aquele que luta pela paz.

“PORQUE ELES SERÃO CHAMADOS” – Tempo do verbo: no futuro. Lei de causa e efeito. Plantamos hoje para colher amanhã. O nosso futuro depende do agora. O porvir em nossas mãos. É o caso de nos perguntarmos: como temos vivido?

“FILHOS DE DEUS” – Deus é Pai de todos. Muitas vezes o homem, por orgulho, por amor-próprio, tem dificuldades de aceitar a paternidade divina. Quando a aceitamos, procuramos viver como irmãos uns dos outros. Os pacificadores (por causa da sua atuação) serão chamados, serão reconhecidos como filhos de Deus. Nosso trabalho de pacificação deve inspirar-se num profundo amor aos semelhantes, demonstrando um sentimento esclarecido, equilibrado.

João, o evangelista, escreveu: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome”. (Jo 1:12). Jesus é o “Guia”, o “Caminho”, a “Verdade”, a “porta” para sairmos do ateísmo, do materialismo para a condição de FILHOS DE DEUS, de nos alegrarmos com esta condição. Para tanto, é preciso crer. Não uma mística, contemplativa, mas operosa, capaz de promover com a renovação do mundo interior, também a do mundo exterior, com os exemplos e benefícios que espalha.