As crianças ensinam

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NOV/12  – pág. 60

Quem foi que disse que somente as pessoas mais velhas nos ensinam?

Ao longo de minha vida, aprendi que a coisa não é bem assim. Ter muitos anos de vida não significa que a pessoa ficou “sábia” e que é detentora absoluta da “verdade”. As pessoas adquirem muitas coisas: experiência, vivência, sabedoria. Algumas desenvolvem o amor; outras, a prepotência; enquanto outras, as riquezas da alma; e outras, as riquezas materiais. Tudo é válido quando bem direcionado.

As crianças também nos ensinam coisas novas todo dia. Eu já tinha ouvido dizer isso, mas foi só quando me tornei mãe que dei conta da dimensão desse ensinamento.

Quando minha filha tinha seis meses, parecia estar sempre olhando para cima. Acompanhando seu olhar, descobri a magia das folhas dançando nas árvores e o movimento das nuvens no céu. Com oito meses, ela olhava para baixo, enquanto eu  a empurrava no carrinho. Percebi, então, que cada pedra é diferente, que as rachaduras nas calçadas fazem desenhos interessantes e que, entre as pedras, às vezes, nascem pequenas flores.

Aprendi a observar melhor tudo o que está à minha volta.

Quando ela fez um ano, aprendeu a dizer “lindo!”, palavra que usava ante qualquer coisa nova e deslumbrante, como a variedade de brinquedos numa loja, como o sopro do vento no seu rostinho ou um bando de pombos levantando voo. O máximo, em matéria de “lindo”, era sua alegria durante a apresentação dos fogos de artifício nos shows da Disney.

Aprendi a valorizar mais os pequenos acontecimentos do dia a dia.

Minha pequena me ensinou muitas formas de dizer: “Te amo!”. Quando tinha um ano e meio, ela disse em meio a um abraço apertado: “Feliz”. Já com dois anos, folheando uma revista de moda, apontou para uma moça elegante e disse: “Igual mamãe”.

Aos três anos, perguntou-me: “Mamãe, será que você pode ficar pequena para ser minha amiguinha?”

Hoje, aos dezesseis, ela me acompanha ao shopping, ajuda a escolher a roupa que eu quero comprar, opina na decoração da casa, faz confidências, faz ginástica comigo, quer que eu viaje com ela, me ajuda com a internet e sempre me pergunta: “Mãe, quer que eu ajude?” E, ainda, lava a louça sem que eu peça nada.

Aprendi a agradecer e descobri que a gratidão deixa a vida mais leve, mais feliz.

História baseada em minha experiência e no livro “Histórias para aquecer o coração”.

Madu Caetano