Após lei nos EUA, brasileiro casado com americano consegue ‘green card’

Após lei nos EUA, brasileiro casado com americano consegue ‘green card’

Documento é fim de longa jornada que incluiu a intervenção de John Kerry. Suprema Corte derrubou em 2013 lei que limitava casamento por sexo.

Bolo em formato de 'green card' foi encomendado para celebrar os 13 anos juntos (Foto: Arquio pessoal)
Bolo em formato de ‘green card’ foi encomendado para celebrar os 13 anos juntos (Foto: Arquio pessoal)

No dia 4 de janeiro desse ano, o brasileiro Genésio Oliveira e o americano Tim Coco celebraram 13 anos de relacionamento. Para comemorar, encomendaram um bolo especial, com a imagem de Genésio em açúcar de confeiteiro, a estátua da liberdade ao fundo e as palavras “permanent resident” (residente permanente) em destaque. Era a reprodução do “green card”, a permissão para morar nos Estados Unidos, recebida por Genésio dois dias antes.

Foi o primeiro aniversário de namoro em que o casal não passou preocupado com a possibilidade de ter que se separar novamente — como aconteceu por quase três anos. Mas foi uma longa batalha.

Eles se casaram em 2005 e em 2007 fizeram o primeiro pedido para a permanência de Genésio, hoje com 35 anos, nos Estados Unidos. Com o pedido negado, o brasileiro teve que voltar ao seu país e o casal cogitou ir morar no Canadá ou na Inglaterra. Mas decidiram lutar.

O publicitário Tim havia tentado contato com muitas organizações de direitos GLBT, mas não conseguiu apoio. Em 2007, aproveitou a visita do então senador (e hoje secretário de Estado) John Kerry a sua cidade, Haverhill, no estado de Massachusetts, e contou sua história. Kerry prometeu ajudar e de fato ajudou. Três anos depois, Genésio conseguiu um visto humanitário para ficar provisoriamente nos Estados Unidos. Mas a garantia tinha que ser renovada a cada expiração e sempre havia o medo de que a renovação não ocorresse.

Em 2013, veio a decisão federal. A Suprema Corte considerou inconstitucional a “Defense of Marriage Act” (Lei de Defesa do Casamento, Doma na sigla em inglês), que negava aos casais do mesmo sexo nos Estados Unidos os mesmos direitos e benefícios federais garantidos aos casais heterossexuais. Isso abriu caminho para o pedido de revisão do caso de Genésio pelo departamento de Imigração.

“É um misto de raiva e alegria. Raiva por ter demorado tanto, por ter gastado tanto tempo e dinheiro nisso. Mas obviamente felicidade por poder estar com ele em um país que já considero meu”, disse Genésio ao G1 por telefone.

Genésio conta que o casal chegou a gastar ao todo R$ 250 mil durante na tentativa de conseguir a residência permanente. “É incrível a diferença do que aconteceu, de 2007 pra 2015. Em oito anos tudo mudou. Hoje 36 estados [e Washington DC] aceitam o casamento gay e não interferiu na vida de ninguém.”

O casal está escrevendo um livro contando sua história, e Tim pretende concorrer ao Senado nas próximas eleições. “Agora que conseguimos uma vitória, queremos poder fazer mais coisas, ajudar mais gente”, diz o brasileiro.

Genésio e Tim moram em uma casa com cinco cachorros. Genésio contou que eles tinham um cão e meses depois de arrumarem uma companheira pra ele, ela apareceu grávida. “Mantive a família unida. Não quis separar. Sei bem o que é ficar separado.”

Fonte: g1.globo.com