Apanhada desprevenida… não façam o que eu fiz!

Apanhada desprevenida… não façam o que eu fiz!

Estar desprevenido pode agravar qualquer situação já complicada: lidamos relativamente bem, esquecemos ou não damos mais importância. A questão pode tornar-se um trauma e algo que vai nos perturbar para o resto da vida. O Covid-19 apanhou todos desprevenidos, mesmo que soubéssemos de pandemias passadas e fantasiássemos uma futura, inspirados no contexto de um filme de ficção científica.

Já faz dois meses que o Covid-19 afeta a nossa sociedade e estamos aprendendo como lidar com este episódio desafiador. Todos são afetados de uma forma ou de outra, dependendo da quantidade de perdas diretas e indiretas. Aqueles que mantêm a saúde, trabalho, famílias e meios de proteção são privilegiados. Vamos agradecer…

Se esta situação o perturba a ponto de não conseguir dormir e/ou comer, se tem pensamentos ou ações mórbidas e de risco (como suicidas ou violentas), não hesite em pedir ajuda a um profissional de saúde. Se não chegou a esse extremo, mas nota que a questão o traumatiza, não espere. Peça ajuda imediatamente, pois quanto mais dias ou semanas passarem, mais rigidamente o trauma instala-se no cérebro, podendo afetá-lo ainda mais. O tratamento também é mais rápido, quanto mais depressa pedir ajuda a um profissional de saúde mental (especialista no tratamento de traumas).

Independentemente do nível de impacto do Covid-19, todos estão menos pacientes para certas coisas, mais cansados, fartos e desejosos de relaxar social, física e mentalmente. Em publicações anteriores, neste querido jornal, menciono como podemos tentar lidar com o estresse causado pelos problemas que o Covid-19 trouxe-nos.

Nesta tentativa de equilíbrio, em um pôr de sol, sentei-me lá fora, depois de um dia de trabalho, olhando para as minhas mensagens pessoais no telefone, trocando textos e circunstâncias, alguns engraçados (como de costume). De repente, fui surpreendida por um texto que trazia a queixa de uma amiga falando que não gostou do que eu disse.

Como foi um comentário incomum na nossa longa relação, prestei mais atenção, reli e reli, e não consegui entender a avaliação de minha amiga. Então, defendi-me e assegurei-lhe que não era o que ela pensava e que tudo estava bem do meu lado. Foi pior! Sentiu-se ainda menos entendida, suscitando queixas mais surpreendentes e frustrantes para ambas.

Nos últimos dias, ao contrário do normal em nossa amizade, há mais silêncio, o que me fez lembrar de algo que ensino há anos: “Como solucionar um conflito entre duas pessoas”, especialmente entre aquelas em que há confiança e empenho em manter uma relação saudável. Espantei-me mais uma vez: como é possível saber algo e, ao mesmo tempo, esquecer!

Quão mais fácil é dizer aos outros: “Faça isto!” ou “Faça aquilo!”; mas quando é a nossa vez, nem nos lembramos de utilizar os mesmos conselhos. A técnica de navegação é esta: Quem se queixa primeiro é quem é ouvido, tenha razão ou não.

Só assim, mais tarde e se ainda valer a pena, poderemos tentar ser ouvidos. A queixa da minha amiga é dela! Eu, como amiga, tenho que ouvir sua história, perspectiva, acomodar suas emoções e mostrar que a ouvi e entendi (mesmo que não concorde). Tenho que tentar fazê-lo, como o faria se a queixa fosse acerca de outra pessoa qualquer e alguém tivesse vindo me contar a história.

Em Portugal, aprendi a dirigir e lembro-me de que se dois carros chegassem a um cruzamento ao mesmo tempo, o carro da direita tinha a preferência. No caso de minha amiga… ela estava “à minha direita”, pois foi a primeira a chegar à “linha das reclamações”.

Este mês é dedicado à Saúde Mental (Mental Health Awareness Month). Para mais informações, consulte www.mhacf.org // www.namigo.org ou visite minha página na internet www.ortigao.com

Até mês que vem! Saúde e sorria!