Adrenalina múltipla

Adrenalina múltipla

Para Yane Marques, quinta do ranking mundial, a diversidade é o maior atrativo do pentatlo moderno

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Yane Marques, da seleção brasileira de pentatlo moderno – Foto: Luiza Kreitlon/Pautas & Notícias
Yane Marques, da seleção brasileira de pentatlo moderno – Foto: Luiza Kreitlon/Pautas & Notícias

Dos 42 esportes que estarão nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em agosto, o pentatlo moderno certamente é um dos mais desconhecidos dos brasileiros. Nele, os competidores precisam esbanjar versatilidade e disposição ao disputar provas em cinco modalidades diferentes, todas realizadas no mesmo dia: hipismo, esgrima, natação, tiro esportivo e corrida. A prova de esgrima consiste em uma competição de espada, todos contra todos, por pontos corridos. A natação é uma disputa de 200 metros nado livre. O hipismo é um concurso de saltos, em um percurso de 350 a 450 metros, com 12 a 15 obstáculos, com cavalos fornecidos pela organização e sorteados a cada atleta 20 minutos antes da competição. A última prova é um evento que combina o tiro esportivo com a corrida. O atleta corre cerca de 30 metros até o estande de tiro, onde executa cinco tiros com pistola de ar em um alvo a 10 metros, e depois corre um distância de 1000 metros. Esse sequência de tiros e corridas é repetida três vezes. Pela diversidade de esportes que engloba, o vencedor do pentatlo moderno é considerado o atleta mais completo das Olimpíadas. No Brasil, quase todas as raras notícias que se têm sobre esse esporte se devem a uma só atleta: Yane Marques. Aos 32 anos, a pernambucana é a única detentora de medalha olímpica no pentatlo moderno na América Latina e no Hemisfério Sul – foi bronze nas Olimpíadas de Londres, em 2012. “O legal do pentatlo moderno é exatamente a diversidade das modalidades. Dá para vivenciar sensações muito distintas em um único dia de treino. A parte chata é que às vezes o dia fica curto pra tanto treino…”, diverte-se Yane, que é patrocinada pela Petrobras, Cisco e Nike, além de fazer parte do Programa de Atletas de Alta Rendimento do Exército Brasileiro, da Bolsa Pódio do Ministério do Esporte e do Time Pernambuco.

Jogos Cariocas – Como conheceu o pentatlo moderno?

Yane Marques – Tudo começou em 2013, quando foi fundada a federação de pentatlo no Recife. Eu era nadadora e recebi um convite para passar por um período de apresentação ao esporte. Eu fui favorecida pelo cenário nacional do esporte na época. Então, comecei com resultados interessantes e tomei gosto. As coisas foram acontecendo naturalmente.

Jogos Cariocas – Quais são seus pontos fortes no esporte? E quais modalidades precisa aprimorar?

Yane Marques – Natação, por ser minha origem, sempre foi um ponto forte meu. Uma modalidade que preciso aprimorar é a corrida. Ainda posso evoluir bastante nela.

Jogos Cariocas – Onde treina atualmente?

Yane Marques – Treino em Recife, com umas “escapadas” eventuais para ficar mais próxima dos meus técnicos em Porto Alegre e Curitiba. Faço muitos treinamentos fora do Brasil também. Minha rotina de treino é puxada. Média de 6 horas diárias com três modalidades por dia, mais musculação, psicóloga, fisioterapia… Enfim, estou sempre treinando alguma coisa!

Jogos Cariocas – Quais foram seus momentos mais emocionantes, dentro do esporte?

Yane Marques – A medalha de bronze em Londres foi, sem dúvida, meu resultado mais expressivo. Mas também fui bronze no Mundial de Berlim, tornando-me a primeira atleta mulher a se classificar para os Jogos Olímpicos Rio 2016. E ainda levei a medalha de ouro no Pan de Toronto, em 2015! Jogos Cariocas – Como estão suas chances para as Olimpíadas do Rio de Janeiro?

Yane Marques – Hoje sou a quinta melhor do mundo. Mas, no pentatlo, estar na prova é ter chance. Não existe favoritismo. Mais ou menos como acontece na maratona. Para os jogos Rio 2016, eu espero chegar 100% na hora da prova. É isso.

Jogos Cariocas – O fato de estar em casa pode representar uma vantagem para os atletas brasileiros?

Yane Marques – Eu, particularmente, acredito que as vantagens existam. Conhecer o lugar de prova, estar adaptado o clima, ao fuso, à língua… Tudo isso faz diferença. Mas, em contrapartida, a cobrança é multiplicada por dez. Portanto, vamos nos apegar aos pontos positivos de disputar as Olimpíadas em casa…

Jogos Cariocas – Você participa do Programa de Atletas de Alta Rendimento do Exército Brasileiro e lá é terceiro sargento. Qual a importância desse programa na sua evolução dentro do esporte?

Yane Marques – É de grande importância! Os programas de atletas de alto rendimento das Forças Armadas tem conseguido dar a muitos atletas de elite brasileiros uma tranquilidade maior para treinar. E isso faz toda a diferença!

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