Impulsivos, temperamentais, vulneráveis, com o espírito desbravador, estão sempre testando seus limites. Uma sede de vida imensurável leva-os às experiências diárias, sempre com a imagem de eternos… assim podemos descrever o adolescente de ontem e de hoje.

É nesta fase que, normalmente, se tem a primeira experiência com as drogas, com o álcool e o sexo. Muitas vezes, sem ter ouvido nada sobre esses temas pela boca dos pais. O apelo a esses tópicos começa através da mídia com programas atrativos, deixando-os à mercê da sua própria consciência e razão. Porém, é nesta fase “adolescência” que o ser humano está em transformação e amadurecimento, sendo mais levado pela emoção que pela razão. Daí a urgência da orientação dos pais nessas questões, antes mesmo da primeira experiência do adolescente nessas áreas.

Rebeldes por não terem medo dos riscos e estarem no auge da vida. Impulsivos por se acharem eternos. Vulneráveis por percorrerem a fase de descobertas diárias. Teimosos por quererem ter suas próprias experiências, sem estar à sombra dos pais que, por sua vez, movidos pelo amor e super proteção, acham que suas experiências e sabedoria servirão de escudo contra o mal, garantindo vida longa e felicidade eterna. Porém, sabemos que não é bem assim. Podemos ser exemplos, ter um discurso preparado e perfeito, mas só eles poderão viver os seus dias, fazer suas escolhas e decidir seus caminhos. Nós, pais, devemos estar preparados para ajudar, orientar, disciplinar e até mesmo socorrer, sempre que necessário. É difícil ser imparcial e deixar de lado nossas experiências, focando simplesmente na realidade deles. No entanto, é sábio procurar nos colocar no lugar deles para uma aproximação maior. Com certeza, nosso exemplo de vida será muito mais assimilado que nossas palavras. Não desanime, pois, naquilo que se erra, eles verão nossa experiência colhendo maus frutos e isso servirá de lição e encorajamento a boas escolhas.

Nesta fase, um confronto entre nós e eles poderia ser fatal e criar um imenso abismo. Por isso, a importância de, todos os dias, desafiar-nos a alcançá-los através do amor, da paciência, da tolerância, do perdão, da humildade, da compreensão, do carinho e das centenas de palavras sinônimas da grande paixão que temos por eles.

Devemos estar abertos a ouvi-los, ao bate- papo, tudo sem perder de vista o respeito às diferenças, aos valores e às crenças de cada um. Pois amar também significa respeitar. Não devemos confundir nosso medo de sofrer, com o temor de vê-los sofrer. Apesar de parecer ser a mesma coisa, vale lembrar que por vê-los felizes e livres, vale a pena nosso sofrimento por medo de deixá-los viver sua própria experiência. Viver é um risco todos os dias… quanto mais consciência e firmeza nas escolhas do dia a dia, mais excelência de vida nós teremos. Essa deve ser a base do nosso encorajamento e motivação para eles. Afinal, o que o ser humano busca é a própria felicidade e a plenitude de vida como definição extrema da própria existência.

Qual postura devemos ter diante deles, tendo como foco o papel de protetor, amigo e inspirador?

Depois de ler várias matérias sobre adolescentes, descobri que a forma mais sensata e sábia para orientá-los não é reprimindo e nem adotando postura radical e intolerante, embora, às vezes, pareça o melhor caminho. Conquistar a confiança e amizade é o primeiro passo. Embora, as escolas sejam a segunda casa deles e excelente fonte de educação e orientação, a família continua sendo a primeira casa, ocupando o papel principal e fundamental na vida deles. Se o adolescente não encontra o apoio necessário no lar e na afinidade com os pais, irá transferir suas atenções para o maior formador de opinião e influenciador dos últimos séculos… a TV. O ciclo de amizade também tem um papel fundamental. Por isso, se esses amigos não recebem boa influência em casa, por sua vez, não serão boa influência na vida dos nossos filhos. Quando a influência principal parte dos pais, geralmente, eles criam automaticamente autodefesa e têm poder de decisão sobre suas próprias vidas, conduzidos pela educação recebida.

É nesta fase que eles são, o tempo todo, desafiadores e desafiados entre eles. Agem de forma que sejam reconhecidos por comportamentos radicais, tais como velocidade de carro, experimentar drogas, sexo de risco. Tudo isso para provar coragem com atitudes que, muitas vezes, colocam em risco a própria vida.  Muitas vezes, nós, pais, inconscientemente e imaturamente, pedimos para que eles pulem essa fase e passem para a fase adulta, com atitudes mais responsáveis e menos impulsivas, Mas sabemos que isso não procede, o que os irrita. Nosso papel, mais uma vez, é reforçar valores e orientações que os preservem e sirvam de incentivadores a escolhas seguras.

Paralelo ao diálogo, existem limites. Limites fazem parte do pacote dos pais aos adolescentes. Embora eles pareçam rebeldes diante dos nossos limites, a verdade é que eles dependem totalmente deles para saber até onde devem ir, assim como acontece na infância. Muitas vezes, ultrapassam os limites, travando assim uma batalha com os pais e com eles mesmos. É nesta hora o grande desafio dos pais… driblar essa situação, sem haver rupturas na relação entre eles e deixar que eles entendam o porquê dos limites. Entender que os limites estipulados são para seu bem-estar. É na adolescência que se alça voos de independência, portanto, nós devemos ser o referencial, o alvo dos seus olhares, o refúgio na hora do medo e das situações que fogem ao controle. Impor limites deve seguir orientações, pois não somos onipresentes. Costumo dizer “onde minha mão não alcança, só Deus e o bom senso deles”. Por isso, quando dizemos que transar na adolescência é cedo demais, não quer dizer que eles não irão praticar o sexo. Devemos orientá-los em preservar-se, caso aconteça.

Como ajudá-los na questão do sexo?

Baseado em um artigo publicado pela Revista Veja, é nesse momento que a descoberta do sexo cria o perigo real de uma gravidez precoce. Nunca o acesso à informação esteve tão disponível, mesmo assim, milhares de garotas até 19 anos têm dado à luz. A vida vira um transtorno para uma adolescente que se vê grávida de uma relação sexual eventual e descuidada. Às cobranças da sociedade, soma-se a dificuldade real de criar uma criança sem a maturidade, nem, na maioria das vezes, as condições financeiras para isso. A maternidade precoce ainda não é o pior tormento. Um comportamento displicente pode causar danos bem maiores. As campanhas sobre os riscos de contrair Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis não compensam a dificuldade dos pais em falar sobre sexo com os filhos. Esse é o terreno no qual germinam a ignorância e a falta de cuidados. E a consequência é um desastre. Falar com eles sobre os preservativos, como o uso da camisinha e o anticoncepcional, é extremamente importante. Isso não quer dizer que estamos incentivando-os a ter uma vida ativa sexual na adolescência, como alguns pais pensam, mas ajudando-os a se preservar. São 500.000 jovens infectados diariamente por DSTs (excluindo o HIV). Mais da metade das novas infecções por HIV ocorre entre jovens dos 15 aos 24 anos. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que mais de 10 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão vivendo com o vírus HIV em todo o mundo. Hoje, mais de 60% dos jovens de 15 a 24 anos – afetados pela AIDS no mundo todo – são mulheres. Pesquisas, no Brasil e nos Estados Unidos, revelaram que quase a metade dos jovens de 13 a 24 anos com vida sexual ativa não utilizou o preservativo na primeira relação. E a maioria alega que fez isso porque não tinha o preservativo na hora. Esse comportamento, muitas vezes, é decorrência da falta de diálogo e orientações dos pais. Queremos a todo custo que eles sigam o caminho que nós escolhemos.

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) mostra que, em todo o mundo, existem cerca de 2,3 milhões de crianças e jovens de até 15 anos com HIV. Especialistas comentam em estudos e sites na internet que as primeiras relações amorosas começam a surgir ainda no período escolar e falar sobre sexo não é fácil, mas algo necessário, pois, por volta dos dez anos de idade, os adolescentes começam a valorizar o assunto, necessitando de atenção redobrada.

Os adolescentes se encontram numa grande faixa de risco, pois a “explosão do desejo decorrente do amadurecimento hormonal” pode levá-los a atitudes erradas e impensadas. Por isso, os limites impostos são extremamente necessários. Hoje, há um controle maior sobre o avanço das IST/AIDS entre os adultos, porém a cada ano adolescentes e jovens iniciam sua vida sexual mais cedo e talvez isso justifique o crescente aumento dos casos de AIDS entre a juventude.

A escola é importante ferramenta a ser utilizada na prevenção da IST e da AIDS, já que o ambiente escolar é o local onde o aluno continuará o seu processo de socialização, tendo papel fundamental na formação de cidadãos, porém a presença constante dos pais nesta fase é determinante no caráter e no estilo de vida do adolescente. Ainda que eles tenham uma fase mais rebelde, futuramente a base criada pelos pais servirá de estímulo de vida adotada por eles.

Álcool na adolescência

As pesquisas comprovam que os adolescentes estão bebendo mais e mais cedo. Matéria na internet diz que, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, cerca de 70% dos estudantes brasileiros de 10 a 18 anos já consumiram álcool. Destes, 20% bebem mais de seis vezes por mês. Diante dessa realidade, o cuidado com as noitadas deles deve ser constante. Estar sempre preocupado com quem o filho se relaciona e conhecer a família do amigo (onde ele dorme algumas vezes) fazem parte deste cuidado. O diálogo pode ser um tremendo veículo de conselhos e recomendações vitais para a vida deles. Segundo artigo da revista Veja, “Quanto mais precoce o uso do álcool, maior o risco de dependência. O consumo de qualquer droga altera o funcionamento cerebral. Essa alteração predispõe a outros distúrbios comportamentais”, explica a psiquiatra Analice Gigliotti.

No cérebro, o álcool age principalmente no hipocampo, pequena estrutura localizada nos lobos temporais, principal sede da memória, segundo explica Célia Roesler, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia. “Quando um adolescente bebe muito, acaba causando danos nesse hipocampo. Assim, a memória fica ruim e prejudica o aprendizado e a motivação”, diz Roesler.

A justificativa geral dos adolescentes para o consumo da bebida durante as saídas é a coragem. “O álcool bloqueia a inibição. Coisas que uma pessoa não faria sóbria, ela faz alcoolizada. E isso é um grande risco”, completa Roesler.

Os médicos são unânimes em afirmar que o corpo de um adolescente não está preparado para ingestão de bebidas alcoólicas e que não existem doses seguras para o consumo. Apesar de todos esses dados, o mesmo artigo afirma que quase metade dos adolescentes experimentou álcool pela primeira vez porque os pais ofereceram. A necessidade de autoafirmação na adolescência é muito forte e um dos grandes motivos pelo qual os leva a cometer atitudes impensadas e irresponsáveis. Apesar de a matéria parecer repetitiva nas questões finais, reforçando a ideia do diálogo e da tolerância no comportamento oscilante deles, essa é a única maneira de fazer valer a ideia de que NÃO há outro caminho no percurso junto ao adolescente e apoio a ele.

Imaturidade no trânsito

Um artigo, numa página da BBC na internet, mostrou que acidentes de trânsito são as principais causas de mortes de jovens entre 10 e 24 anos, de acordo com um estudo realizado em setembro de 2009 por pesquisadores da Austrália, Grã-Bretanha e Suíça a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa também indica que a taxa de mortalidade por acidentes de trânsito é bem mais alta entre homens (15%) do que entre mulheres (5%). Acidentes de trânsito são responsáveis por 10% das mortes de jovens no mundo. Não só o álcool é a causa do índice alto de acidente no trânsito. Diversos fatores evidentes no adolescente são também a causa de acidentes fatais. Exibicionismo, atitude competitiva, atitude desafiadora, busca inconsequente de emoção e adrenalina levam à alta velocidade no trânsito e ao comportamento agressivo e irresponsável. As campanhas de TV sobre segurança de trânsito não são suficientes. Tenho 3 filhos adolescentes e posso garantir que assistir a depoimentos ou a filmes que falam de pessoas que sofreram acidentes em consequência de atitudes irresponsáveis e, hoje, pagam um alto preço, ou perderam a própria vida, surtem efeito. Muitos adolescentes relatam que no momento da adrenalina não percebem o prejuízo que alguns comportamentos podem trazer, inclusive envolvendo-se em disputas como pegas e rachas. Nestas horas, tenho a certeza de que quanto mais eles se sentirem amados e desejados por nós, mais refletirão sobre o quanto precisamos deles bem e felizes.

Como perceber a depressão no adolescente?

Baseado num estudo de psiquiatria Geral – Ballone, atualmente, sabemos que os adolescentes são tão suscetíveis à depressão quanto os adultos. A depressão é um distúrbio que deve ser encarado seriamente em todas as faixas etárias. Nas duas últimas décadas, observou-se aumento muito grande do número de casos de depressão com início na adolescência. A depressão pode interferir de maneira significativa na vida diária, nas relações sociais e no bem-estar geral do adolescente, podendo até levá-lo ao suicídio. A segunda causa de morte mais comum, segundo o estudo, é a violência (6,3%), seguida de perto pelo suicídio (6%).

Para o adulto procurar um psicólogo ou um especialista é bem mais fácil, no caso do adolescente, ele depende da nossa percepção para ajudá-lo. A depressão não escolhe idade, nacionalidade, nem classe social. Estima-se que cerca de 5% da população mundial sofra de depressão. Um artigo interessante de autoria de Enio A. M. Resmini sobre suicídio na adolescência diz que: “A adolescência é uma etapa de conflitos e contradições para a maioria das pessoas. O jovem entra no mundo adulto através de profundas alterações no seu corpo, deixa para trás a infância e é lançado num mundo desconhecido de novas relações com os pais, com o grupo de iguais e forte angústia, confusão e sentir que ninguém o entende, que está só e que é incapaz de decidir corretamente seu futuro. Isso ocorre, principalmente, se este jovem estiver inserido em um grupo familiar que também está em crise por separação dos pais, violência doméstica, alcoolismo de um dos pais, doença física ou morte.”

Porém, a depressão também pode surgir em adolescentes que fogem desse quadro crítico. Pode acompanhar adolescente que está inserido num grupo de famílias sem problemas graves ou que esteja atravessando alguma dificuldade, sendo assim, devem-se perceber mudanças no comportamento deles. Os traços afetivos da personalidade talvez sejam as condições capazes de explicar a razão pela qual alguns adolescentes tornam-se deprimidos, enquanto outros não. Como ocorre com qualquer outra doença, algumas pessoas são mais suscetíveis que outras. Algumas pesquisas também mostram que cerca de 20% dos estudantes do 2º grau sentem-se profundamente infelizes ou têm algum tipo de problema emocional. Talvez seja porque o mundo moderno esteja se tornando cada vez mais complexo, competitivo, exigente, e muitos adolescentes têm dificuldades para lidar com as necessidades de adaptação com as quais se deparam diariamente.

O adolescente possui tendência natural para comunicar-se através da ação, em detrimento da palavra. Por isso, na busca de uma solução para seus conflitos, os jovens podem recorrer às drogas, ao álcool ou à sexualidade precoce ou promíscua. Tudo isso na tentativa de aliviar a angústia ou reencontrar a harmonia perdida. Angustiados e confusos, podem adotar comportamentos agressivos e destrutivos contra a sociedade. Por isso, tem sido comum observarmos o adolescente manifestar sua depressão através de uma série de atos antissociais, distúrbios de conduta, e comportamentos hostis e agressivos. Entre adolescentes, a depressão também pode ser “mascarada” por problemas físicos e queixas somáticas que parecem não ter relação com as emoções. Esses problemas podem incluir alterações de apetite ou distúrbios de alimentação, tais como anorexia nervosa ou bulimia. Alguns adolescentes deprimidos podem se sentir extremamente cansados e sonolentos o tempo todo, bem como exaustos mesmo depois de terem dormido por várias horas. Os adolescentes com depressão não aparentam necessariamente tristeza. Em alguns adolescentes deprimidos, são mais visíveis sintomas como irritabilidade, agressividade e raiva. Cortar-se, queimar-se, e outros tipos de automutilação, são características mais visíveis de uma possível depressão.

Muitas vezes, o adolescente deprimido pode tentar suicídio. Faz isso de forma franca ou velada. De forma velada, age de maneira inconsciente, envolvendo-se em atitudes completamente imprudentes, acidentes automobilísticos, uso progressivo de drogas e álcool, ingestão de comprimidos perigosos, uso de armas de fogo etc.

Antes de chegar ao estágio grave da depressão, assim que se percebe algum sintoma que possa vir a ser depressão é muito importante a ajuda de especialistas. A responsabilidade dos pais nesta área está em saber os limites da cobrança em vários aspectos, como: excelentes notas na escola, o melhor no esporte, comparação entre irmãos, ou seja, tudo que pode acabar trazendo baixa autoestima a eles. O cuidado na hora de estimulá-los deve ser constante para não dar lugar a frustrações e, consequentemente, levá-los a depressão. Esse limite representa um fio que depende da nossa sensibilidade como pais em considerar que, para nós, o melhor é quando definitivamente eles estão felizes.