Ácido Úrico

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FEV/12 – pág. 45

O conhecimento do metabolismo do ácido úrico é necessário para entender como ocorrem as diversas doenças a ele relacionadas e para possibilitar o tratamento adequado. Sabemos que as alterações dos níveis do ácido úrico no sangue causam complicações como gota, artrite úrica, insuficiência renal aguda e/ou crônica, cálculo renal etc.

O ácido úrico está entre as substâncias naturalmente produzidas pelo organismo. Ele surge como resultado da quebra das moléculas de purina  (proteína contida em muitos alimentos) por ação de uma enzima (xantina oxidase). Depois de utilizadas, as purinas são degradadas e transformadas em ácido úrico. Parte dele permanece no sangue e o restante é eliminado pelos rins.

Quando a taxa de ácido úrico está elevada no sangue (hiperuricemia), formam-se pequenos cristais de urato de sódio semelhantes a agulhinhas, que se depositam em vários locais do corpo, de preferência nas articulações, mas também nos rins, sob a pele ou em qualquer outra região do corpo.

Estudos recentes mostram que níveis elevados de ácido úrico no sangue aumentam o risco de desenvolver acidentes cardiovasculares.

Sintomas: o depósito dos cristais de urato nas articulações, em geral, provoca surtos dolorosos de artrite aguda secundária, especialmente nos membros inferiores (joelhos, tornozelos, calcanhares, dedos do pé), mas pode comprometer qualquer articulação.

Nos rins, a hiperuricemia é responsável pela formação de cálculos renais e insuficiência renal aguda ou crônica.

Diagnóstico: o “diagnóstico de certeza” é dado por um exame que mede a concentração de ácido úrico no sangue e exige 8 horas de jejum para ser realizado.

Tratamento e prevenção: portadores desse distúrbio metabólico devem evitar o estresse físico, o uso de diuréticos e de anti-inflamatórios, assim como devem evitar a ingestão excessiva de alimentos e bebidas ricos em purina.

Além da alimentação pouco calórica, quando necessário, podem ser indicados medicamentos para inibir a produção de ácido úrico ou para aumentar sua excreção.

Recomendações: beba bastante água para ajudar o organismo a eliminar o ácido úrico; prefira os alimentos não industrializados; adote uma dieta saudável, rica em frutas, verduras, leite e derivados; evite o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente cerveja que é rica em purina; e não se automedique. Consulte um médico para orientar o tratamento e peça ajuda ao nutricionista para eleger uma dieta que ajude a controlar a taxa de ácido úrico e a manter o peso em níveis adequados.

Alimentos a serem evitados:

Miúdos em geral (miolo, fígado, rins, coração, moela); alguns alimentos do mar, como sardinha, mexilhão, anchova, bacalhau, salmão, truta, atum, arenque, camarão, lagosta, ostra, caranguejo; algumas aves, como pombo, ganso, peru, galinha, galeto; carne de porco, embutidos, toucinho defumado, bacon; caldo de carne e molhos prontos; feijão, lentilha, grão de bico, ervilha, trigo; frutas oleaginosas, como coco, nozes, castanhas, amêndoas, amendoim, pistache, avelã; presunto, banha, extrato de tomate, chocolate, pão de centeio; alho-poró, aspargo, brócolos, cogumelo, espinafre; todos os grãos e sementes.

Alimentos restringidos (2 porções pequenas por dia):

Carnes magras (patinho, coxão duro); peito de frango, filé de peixe (pescada branca).

Alimentos permitidos:

Leite e iogurte desnatados, queijos brancos; ovos; vegetais (exceto os citados acima); pães brancos e biscoitos de água e sal; frutas em geral; macarrão e arroz; batata; óleos vegetais (girassol, canola), em quantidade moderada.

Recomendações importantes:

Utilizar preparações com carnes cozidas, desprezando a água do cozimento; carnes assadas não devem ser tostadas; não utilizar preparações ou alimentos ricos em gorduras; não ingerir bebidas alcoólicas; ingerir 2 a 3 litros de água por dia.

“Esta orientação nutricional não substitui a necessidade de acompanhamento médico.”

Elaine Peleje Vac
elaine@nossagente.net
(Médica no Brasil)
Não tome nenhum medicamento sem prescrição médica.
Consulte sempre o seu médico.