A volta por cima de Isis Valverde

A volta por cima de Isis Valverde

Alegre e descontraída a atriz vive a Sandra na novela “Boogie oogie”. Ela faz revelações surpreendentes e relembra o início conturbado da carreira. Confira.

Da Redação

isis4Bela e carismática, Isis Valverde, a Sandra da novela “Boogie oogie”, na Globo, conquistou a simpatia do telespectador com seu jeito especial de interpretar. É uma nova etapa na carreira da atriz, que deu a volta por cima e se recuperou de uma fratura em uma das vértebras da coluna cervical — sequela de um grave acidente de carro. Já no início da trama, nas primeiras cenas de “Boogie oogie”, lembra Ísis, ela enfrentou um grande desafio dramático quando sua personagem recebe no altar da igreja a notícia de que seu noivo (Fernando Belo) morreu em um acidente envolvendo uma aeronave. “Nunca vivi uma personagem com um drama tão grande. Sandra é um ser humano normal, que tem uma índole boa, mas passa por altos e baixos e, por isso, sente ódio e rancor”, diz Valverde. “Na vida, eu enfrento as coisas. Acho que a gente tem que bater de frente com a realidade, seguir em frente encarando os problemas”.

Indagada sobre o que é ser atriz, mediante as exigências das personagens nas novelas, Isis disse o seguinte: “Acho que você não escolhe a profissão. Ela te escolhe. Afinal, uma menina que não sabia pedir um Chokito sozinha, cantar em um trio elétrico quando crescida só pode ser algo mágico! Amo minha profissão e a respeito demais! Sou agora uma pessoa mais autoconfiante e capaz”. E quanto a melhor personagem interpretada até o momento, Valverde explicou que, “não existe um personagem que é melhor para o ator, no meu ponto de vista cada personagem é um filho. E cada um é especial da sua maneira. Eu amo todos eles! Na novela Boogie oogie, por exemplo, adoro minha personagem porque ela denuncia a prisão na qual algumas mulheres vivem até hoje. Escondem sua vivacidade, seus desejos, atrás de uma barreira invisível colocada por terceiros, como namorado, chefe ou pai”, alerta.

Sobre o seu bom humor, sempre alegre nos estúdios de gravações e solidária com os colegas de trabalho, Ísis disse que é a sua personalidade. “Olha, eu não sou uma pessoa difícil. Estou sempre de bom humor, não sou chata. Sou tranquila em qualquer relação tanto nas amizades como na família. Odeio qualquer tipo de cobrança. Se eu disser que vou fazer alguma coisa e a pessoa falar para mim: Não faça, eu vou ficar p… da vida. Esse meu lado não romântico é por acreditar que o romantismo, às vezes, vira controle ou submissão. E nenhum dos dois é bom”, diz. E sobre fama, como a atriz lida com a fama, ela foi objetiva: “Acho que a fama trapaceia. Ela nos promete, ela nos ilude, ela nos seduz”.

Amor e cinema

Mantendo-se discreta na sua vida pessoal, a atriz é cautelosa quando o assunto é amor. “Estou só namorando, curtindo e feliz. É isso. Não penso em casamento. Cada coisa em seu tempo e esse não é o tempo de casar. Estou vivendo coisas incríveis no trabalho. Este ainda é o momento de pensar mais na minha profissão”. Apaixonada por cinema, Isis disse que tem uma admiração pelo ator chinês, Jackie Chan, e que aprende assistindo as suas cenas. “Eu gostava de ver os efeitos que o Jackie Chan fazia para cair, tropeçar. O que aprendi com ele foi que você tem que focar no lugar onde está a dor. Mas na hora também tem a emoção da cena, que ajuda muito”, conclui. E sempre que tem folgas nas gravações da novela, faz questão de ver um bom filme, principalmente quando um colega de profissão está no elenco. “Uma forma de prestigiar o cinema nacional”.

Lembrando o início conturbado de sua carreira, com a reprovação do pai na sua escolha profissional – ele queria que Isis Valverde fosse médica -, ela lembra com carinho do episódio dramático quando decidiu se mudar para o Rio de Janeiro em busca do seu sonho, causando um reboliço em casa. “Minha mãe só chorava e meu pai (Sebastião Valverde) queria que eu fizesse medicina. Era o sonho dele. Só que eu mostrei para ele que queria seguir na vida artística não por uma questão fútil, em busca de fama. Quando ele viu que eu queria ser atriz, que eu não queria ser só famosa, percebeu que eu estava madura o bastante para escolher bem o meu caminho. Ele me deu o prazo de um ano de Rio de Janeiro e, se eu não conseguisse seguir na profissão que escolhi, eu ia voltar para casa e tentar a medicina. Eu quase fui para o Japão, trabalhar como modelo, mas, paralelamente, eu passei a fazer um teste atrás do outro para TV. E, quando eu já tinha nove meses de Rio, consegui o papel de Ana do Véu em Sinhá Moça”, conta.

Trajetória da atriz

Estudando teatro, foi o primeiro passo para Isis Valderve tentar entrar na TV. Em 2005 fez um teste para viver Giovana na telenovela “Belíssima”, mas perdeu o papel para Paola Oliveira. Pouco tempo depois, estreou na telinha como a misteriosa Ana do Véu do remake de “Sinhá Moça“ (o mesmo papel que foi vivido por Patrícia Pillar na versão original). Em 2007 interpretou a garota de programa Telma em “Paraíso Tropical”. Em 2008 fez sucesso na novela das 19 horas, “Beleza Pura”, onde viveu Rakelli, uma manicure filha da ex-chacrete Ivete (Zezé Polessa), que sonhava ser assistente de palco do “Caldeirão do Huck”. A menina namorava o pedreiro Robson (Marcelo Faria), inicialmente contra a vontade da mãe, que achava que a filha merecia coisa melhor. Em 2013, protagonizou a minissérie “O Canto da Sereia”, interpretando uma cantora de axé music. Ísis chegou a cantar algumas músicas para incorporar a personagem. No mesmo ano, estreou o longa-metragem “Faroeste Caboclo”, baseado na música da banda Legião Urbana, em que interpreta a protagonista Maria Lúcia. Em 2014, esteve na minissérie, “Amores Roubados”, onde interpretou Antônia, uma jovem burguesa que se envolve com um sedutor.