A parábola das bodas

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JUN/13 – pág. 54

“O reino dos céus é semelhante a um rei, que celebrou as bodas de seu filho. E enviou os seus servos a chamar os
convidados para a festa, e estes não quiseram vir. Enviou ainda outros servos com este recado: Dizei aos convidados – Tenho já preparado o meu banquete, as minhas reses e os meus cevados estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Mas eles não fizeram caso e foram, um para o campo, outro para o seu negócio; e outros, agarrando os servos, os ultrajaram e mataram.”

bodas de canaJesus compara o reino dos céus com uma festa, onde há alegria, diversão, onde se sente bem. O rei que promove a festa naturalmente é o Pai celestial. E os convidados somos todos nós, Espíritos em evolução no planeta Terra. Os servos enviados para chamar os convidados são os enviados de Deus, Espíritos mais evoluídos, que vêm a este mundo nos instruir sobre as leis divinas. Os primeiros convidados são os mais bem informados, aqueles que tiveram oportunidade de se instruir sobre as questões espirituais. Entretanto, como diz a parábola, os convidados não souberam e não têm sabido valorizar o convite. Desprezam o chamado para uma festa tão importante, para tratar de interesses menos elevados como negócios, divertimentos, etc. A recusa ao convite é tão grande que esses convidados ingratos chegam a maltratar os portadores do convite. De fato, é o que se verifica na história da humanidade. Os portadores de ensinamentos avançados, os vanguardeiros do progresso, são sempre incompreendidos e mesmo maltratados por todos aqueles que não têm a capacidade de entendê-los.

Os convidados não aceitaram o convite. Mas a festa estava preparada. Entendendo o reino do céu como evolução espiritual, o estado de libertação que todos, ao longo do tempo, conquistaremos, o convite é levado a todos, sem distinção. Esta fase em que o convite é feito a todos, acreditamos tratar-se da época atual, pois, atualmente, as informações sobre as leis divinas são divulgadas em larga escala, de sorte a alcançar a todos. Quando ainda não existia a imprensa, os ensinos de Jesus eram copiados manualmente. Um exemplar desses apontamentos custava caríssimo. Poucos podiam ter acesso a esse precioso material. E, ainda, como sabemos, era copiado em uma única língua (o latim), e assim só alguns privilegiados tinham acesso a esses ensinamentos. Com a invenção da imprensa, e com a tradução da bíblia para outros idiomas, hoje, mesmo que a pessoa disponha de poucos recursos e minguada instrução, se ela se interessar poderá dispor não só dos ensinos de Jesus, mas de uma gama enorme de explicações, comentários, tudo facilitando a compreensão do “convite”. Além do livro, do jornal, das revistas, enfim da palavra escrita, os ensinamentos são divulgados pelo rádio, televisão e, mais recentemente, até por redes de computador. Não há dúvidas que o convite realmente está sendo feito a todos, sem distinção.

Contudo, não basta acatar simplesmente o convite. É preciso fazer por merecê-lo. Na parábola, o cidadão que não portava a túnica nupcial foi convidado a se retirar. Há determinados ambientes que exigem indumentárias apropriadas. O corpo espiritual, ou perispírito, reflete o grau evolutivo do Espírito. E a evolução não se realiza apenas com a aceitação do convite, não se concretiza só com a informação, com a teoria. É necessário fazer o que Jesus ensinou, viver de acordo com o ideal esposado. Só aprendemos a fazer, fazendo. Sem isto, permaneceremos na fase do aviso, sem conseguirmos a desejada transformação para melhor. O mecanismo do verdadeiro aprendizado, o processo do crescimento espiritual, pode ser comparado com a experiência de quem toma um banho no rio. Para sabermos o que é um banho no rio, podemos colher informações, fazer entrevistas, descrever o rio, suas margens, sua profundidade, as condições da água, sua temperatura, enfim enfocarmos os mais variados aspectos da questão. Mas, na verdade, não saberemos o que seja um banho no rio, se nunca tivermos tomado um desses banhos. O homem simples, que não sabe se expressar, mas se estiver acostumado a tomar banho de rio, perguntado, dirá simplesmente: “Um banho de rio, é um banho de rio, uai!” E estará dizendo mais e melhor do que o teórico que, sem ter experiência do fato, gasta folhas e folhas de papel, tentando explicar o que seja um banho de rio. Sem a experiência, ele próprio não sabe, verdadeiramente, o que é um banho de rio.

Foto: Divulgação

José Argemiro da Silveira
Autor do livro: Luzes do
Evangelho, Edições USE