A música na promoção da saúde

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NOV/12 – pág. 53

A música acompanha o desenvolvimento dos seres humanos desde os primórdios. Com sua linguagem, é capaz de mexer com as emoções, aumentar a concentração, acalmar ou acelerar o corpo e a mente. Tudo isso devido à atuação das ondas eletromagnéticas (sonoras) no cérebro.

A música, através de seus efeitos relaxantes e pela capacidade de envolver e modificar comportamentos, é reconhecida, desde a antiguidade, como um dos mais eficientes – e talvez o mais agradável – recurso terapêutico conhecido. Como a música não produz efeitos idênticos em duas ou mais pessoas, a mesma música acalma alguns e irrita outros. Sua aplicação na medicina não foi sistematizada após a segunda Guerra Mundial.

Encontramos referências aos poderes curativos da música em várias épocas e culturas. Nos povos primitivos, o emprego curativo da música, nas tribos, acontecia quando o pajé ou o feiticeiro cantava ininterruptamente até que o doente apresentasse melhoras. Até hoje, encontramos essas “músicas de cura” nas pajelanças dos índios brasileiros. Nas práticas xamânicas, o canto, a percussão e a dança são os estímulos utilizados para induzir ao êxtase. Muitas são as referências do emprego terapêutico da música entre os povos egípcios, gregos e judeus.

A musicoterapia no século XX

Do início deste século até a Segunda Guerra Mundial, não há registros da aplicação terapêutica da música de forma mais sistematizada. A música era usada em hospitais e clínicas, geralmente como entretenimento. Durante a Primeira Guerra Mundial, músicos profissionais foram contratados para distrair os doentes e, na Segunda Grande Guerra, verdadeiros concertos eram organizados nos hospitais. Os médicos perceberam os efeitos benéficos e as melhoras dos pacientes. Dez anos depois, aparecem os primeiros livros com os princípios da Musicoterapia.

Os Estados Unidos foram o primeiro país a criar uma Associação de Musicoterapia em 1950, com a finalidade de ajudar na preparação profissional de musicoterapeutas e no desenvolvimento de um trabalho com música aliada à área médica. A partir dessa Associação, várias universidades introduziram cursos para treinamento de musicoterapeutas em cooperação com hospitais.

Efeitos do som

O som e a música são capazes de agir sobre o físico e o psíquico. Sua ação, atualmente, pode ser comprovada através de mensurações facilitadas pelo avanço da neurociência.

Os efeitos fisiológicos podem ocorrer como reações motoras, sensoriais, hormonais ou fisiológicas e, como efeitos psíquicos, podem desencadear descargas emocionais nos mais variados graus.

Vamos enumerar alguns desses efeitos fisiológicos: mudanças na capacidade e ritmo respiratório; elevar ou diminuir a pressão sanguínea e a pulsação; mudanças na expressão corporal; aumento ou diminuição do tônus muscular e da energia; aumento da concentração e atenção, desperta sentimento, emoções, e memórias, com consequente mudança no padrão de pensamento e no humor. Enfim, cada um de nós já sentiu e percebeu em si mesmo alguns desses efeitos, e até mesmo outros não mencionados. Toda pessoa tem uma identidade sonora, um ritmo interior que a diferencia das outras.

Uma característica da música, que auxilia muito no processo terapêutico, é o fato de poder ser usada apenas por um ou mais de seus componentes, como, por exemplo: só o ritmo, apenas a melodia ou a harmonia, um arranjo diferente e, sobretudo, a improvisação etc. Neste caso, ela pode atingir qualquer pessoa, independentemente de estarem desenvolvidas suas áreas intelectual, motora, verbal, ou não.

Indicações Clínicas

A música tem a propriedade de auxiliar as pessoas que têm dificuldade de se manifestar, comunicar, expressar de alguma maneira, suas emoções, prazerosas ou não. Como exemplo, temos os autistas, os portadores de lesões cerebrais, os portadores de distúrbios psicomotores, os doentes mentais etc.

Um grupo de cientistas finlandeses da área da neurologia descobriu recentemente que a música estimula o sistema nervoso, ativando várias regiões do cérebro simultaneamente acelerando o processo de recuperação em pacientes que apresentaram derrame cerebral. Música ajuda a prevenir a depressão, tão frequente nestes pacientes e nas pessoas em geral.

Também, no que concerne ao tratamento pós-cirúrgico, um artigo editado no jornal “Critical Care Medicine” diz existir uma resposta fisiológica efetiva à música por parte de enfermos que foram submetidos à cirurgia. Mozart revelou possuir maior efeito sedativo do que os fármacos! Verificou-se a diminuição da pressão sanguínea e dos batimentos cardíacos, bem como menor necessidade de uso de analgésicos, além da redução dos níveis de alguns hormônios relacionados ao estresse.

Pesquisadores demonstram que as músicas com ritmo forte apresentam um poderoso efeito no cérebro, estimulando a sincronização das ondas cerebrais com o ritmo da música, ajudando na concentração, acelerando o raciocínio, acalmando e promovendo estado meditativo.

A música, atualmente, está sendo utilizada em hospitais, pois ajuda na reabilitação de indivíduos que sofreram um AVC e ficaram com sequelas, auxilia em situações de dores crônicas, crianças e adultos com ADD, pacientes com câncer, estados de ansiedade e pânico, insônia. “Entre a dor e a música, o cérebro prefere a música”.

O som, o ritmo, a melodia e a harmonia chegam a todos nós de diferentes formas. Aproveitemos esse maravilhoso recurso saudável da terapia através da música como tratamento de enfermidades, bem como para o equilíbrio e a harmonização das emoções e pensamentos de todos, evitando outros recursos não saudáveis, que poderão desequilibrar ainda mais!

 “A música toca a alma e alcança lugares aonde palavras não chegam”

Até a próxima!

Elly Tuchler
Médica Acupunturista
www.acuhomeo.com
(407) 373-0606