A morte de um animal de estimação

A morte de um animal de estimação

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MAI/16 – pág. 38

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Acabo de perder o meu cachorro e confesso que estou desolada. Ele tinha 15 anos e estava muito doente. Nestas últimas semanas, fomos ao veterinário várias vezes… conversas sempre muito tristes e tensas. Em geral, os animais têm vidas mais curtas que as nossas e, infelizmente, a morte é inevitável para todos os seres vivos. No entanto, os anos de alegria e dedicação proporcionados por eles são compensadores perto da dor e do luto que sentimos quando os perdemos.

Se analisarmos friamente, Jack demorou mais tempo entre nós somente por nós. Seu corpo já estava debilitado há alguns anos. Durante muito tempo, neguei sua doença… fiquei irritada… tentamos salvá-lo de todas as maneiras. Meu filho chegou a voar de muito longe (dentro dos Estados Unidos) até a Flórida na expectativa de conseguir que o cachorrinho comesse. Estamos tristes. Agora, começamos a aceitar (fases naturais do processo de luto). Ainda choro quando estou sozinha ou partilho meu choro com alguém de confiança. Observo como as lágrimas vêm em ondas: às vezes, leves como a brisa do mar; outras, grandes e poderosas como uma tempestade muito forte…

Quando cruzo com alguém passeando com outro Jack Russell, debruço-me com entusiasmo exagerado e delicio-me fazendo festas nele. Depois do enterro simples e “bonito” de nosso Jack – com a companhia da menina vizinha que lhe dava banho -, recebi muitos votos carinhosos e cartões de amigos, inclusive do nosso veterinário.

Olho para sua foto diariamente e vou conversando com ela. Relembro seu pelo, sua temperatura, seu cheiro, suas “coisas” e maneiras engraçadas. As memórias sensoriais são marcantes. Não quero substituí-lo por outro animal – como já me sugeriram. Calma! A dor é manifestação natural do ser perdido, do amor sentido e do valor vivido na nossa família. Quando tudo desvanecer um pouco, talvez! Precisamos de tempo e espaço para melhor decidir. Dar tempo ao tempo e honrar o coração, sem ridicularizar ou minimizar o fato de que a perda não é de uma pessoa, mas sim de um animal. Nesse caso, como dizem, do nosso melhor amigo! E que amigo! São tantas as qualidades que posso enumerar…

Se me virem por aí, guiando meu carro (ou fazendo compras) e choramingando, juntem-se a mim e celebrem comigo o amor consistente e incondicional que recebemos nesta vida do melhor amigo que alguém possa ter!

Deixo algumas linhas de Manuel Alegre, do seu livro Cão como nós: “Há momentos em que parto para não sei onde. Navegação espiritual. Ou dispersão na terra abstracta, a única que se vê quando não se vê. São as grandes caçadas dentro de mim mesmo, a busca da magia perdida, uma palavra cintilante, uma perdiz imaginária, um sopro, um ritmo, uma espécie de bafo. Como o teu. Às vezes, sinto-o, outras não. Mas sei que estas aí, algures, enroscado na minha própria solidão. (…) Hoje sei algumas das coisas que ele sabia. Assim como depois de meu pai morrer, o cão continuava a deitar-se aos pés dele, tenho a certeza de que estou a escrever com ele deitado ao meu lado esquerdo, como sempre fazia quando eu me sentava no escritório. Estou a escrever o livro e quase sinto a respiração dele. Agora que acabei, posso fazer-lhe uma festa e dizer-lhe: ‘Cão bonito’”.

Telefone ou envie um e-mail se precisar de meu apoio.

Para mais dicas e recomendações, permitam-me recomendar os meus dois e-books e vídeo, respectivamente: “Autoestima e Relacionamentos – Segredos Essenciais”; “Autoestima – Ferramentas Indispensáveis e Segredos Saborosos para um Bem-Estar Físico e Mental”,
(http://www.ortigao.com/EbooksandVideos.en.html).


Rosario Ortigao, LMHC, MAC
Conselheira de Saúde Mental
407 628-1009
rosario@ortigao.com