A força da leveza

A força da leveza

Medalhista de ouro em Londres-2012, a judoca Sarah Menezes pega embalo na reta final dos Jogos Rio-2016

Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Sarah Menezes - Foto: Alex Ferro/Rio2016
Sarah Menezes – Foto: Alex Ferro/Rio2016

Nos Jogos de Pequim 2008, aos 18 anos, a judoca piauiense Sarah Menezes foi derrotada logo na primeira luta. Um começo pouco animador para alguém que se tornaria, nas Olimpíadas de Londres, em 2012, a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro para o judô feminino. Na final da categoria peso-ligeiro, a mais leve do judô olímpico, ela derrotou Alina Dumitru, da Romênia, a campeã olímpica em Pequim 2008. E ainda quebrou o jejum brasileiro de 20 anos sem medalhas de ouro olímpicas no judô, que já vinha desde a vitória de Rogério Sampaio em Barcelona-1992. “Foi uma sensação maravilhosa, ser campeã olímpica e ser um exemplo no esporte. Ter o reconhecimento do mundo todo! Não existem palavras para descrever! Uma realização pessoal e profissional imensurável, resultado de um grande trabalho de equipe”, relembra Sarah que, aos 26 anos, conta com toda a sua experiência para tentar uma nova medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

De Londres para cá, Sarah ainda “garimpou” mais ouro. Em 2013, o Grand Slam de Moscou e o Campeonato Pan-americano em San José da Costa Rica. Em 2014, o Grand Slam de Tyumen. Depois disso, passou por um período de maus resultados, causados por má fase técnica e problemas físicos. Tanto que ficou de fora da convocação para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. Sarah embalou apenas na reta final do ciclo olímpico quando, em dezembro de 2015, conquistou o bronze no Grand Slam de Tóquio. Em 2016, logo em janeiro, foi para o alto do pódio no Grand Prix de Havana. Sobre o que espera encontrar em agosto de 2016 na Arena Carioca 2 do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, Sarah não disfarça a euforia. “Não é um sonho! É bem real! Tento não pensar muito a respeito… A hora irá chegar!”, empolga-se a campeã olímpica de 1,52 m e 48 kg, que é patrocinada por Embratel, Governo Federal, Governo do Piauí, Marinha do Brasil, Faculdade Santo Agostinho e Newland.

Jogos Cariocas – Como se aproximou do judô e como o esporte influenciou a sua vida?

Sarah Menezes – Na escola, aos 9 anos de idade. Na verdade quem percebeu que eu poderia ser uma atleta foi meu treinador. Eu era uma criança normal. Praticava por diversão. Eu era uma criança muito sapeca, levada, mas sempre fui muito calma. O mais legal de fazer judô são as brincadeiras, as viagens com o grupo e as amizades que se constroem. Com a pratica do esporte, me tornei uma pessoa mais disciplinada e organizada.

Jogos Cariocas – Quais são seus pontos fortes no judô? E quais são os fundamentos que ainda precisa aprimorar?

Sarah Menezes – Meu ponto forte sempre foi a capacidade de aceitar desafios. Eu sempre gostei muito de vencer. Nunca tive cabeça de perdedor. Os fundamentos que precisam ser aprimorados hoje são a determinação e a coragem.

Jogos Cariocas – Como é a sua rotina de treinos?

Sarah Menezes – Sempre treinei em Teresina, com o Expedito Falcão, no Sesc. Hoje estou no Rio por causa das Olimpíadas de 2016. Pela manhã, faço musculação e tenho treino técnico de judô. À tarde eu descanso, às vezes faço fisioterapia e, à noite, faço o treino específico de judô. Uma vez na semana tenho treino psicológico, por Skype.

Jogos Cariocas – Atletas das lutas nas categorias mais leves normalmente sofrem para manter o peso. Como é a sua relação com a balança, para se manter sempre abaixo dos 48 kg?

Sarah Menezes – É uma luta diária e muito competitiva! Mas nada é impossível. Eu venço sempre da balança. Essa é sempre minha primeira luta de cada competição…

Jogos Cariocas – Como estão as chances do judô do Brasil nas Olimpíadas? Quem serão seus principais adversários?

Sarah Menezes – Temos excelentes atletas, todos bem rankeados e aptos a conquistar medalhas. Vale lembrar que o judô é o esporte individual brasileiro que mais medalhou em olimpíadas – foram 19 no total. Creio que vamos continuar sendo destaque. As chances são ótimas para toda equipe do Brasil. No meu caso, acho que o principal adversário será o aspecto psicológico.

Jogos Cariocas – O fato de lutar “em casa” nas Olimpíadas do Rio de Janeiro representará uma vantagem para os judocas brasileiros?

Sarah Menezes – Acho que pode ajudar bastante. Só o que pode atrapalhar é o nervosismo. Haverá muita tensão emocional entre os atletas por estarem lutando nas Olimpíadas dentro de casa, com todo o apoio da torcida. Vai ser muito emocionante!

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