Vladimir Brichta entre música e paixão conturbada

Vladimir Brichta entre música e paixão conturbada

Em “Rock Story”, o ator vive o roqueiro Gui Santiago, famoso nos anos 90 e esquecido nos dias atuais. Seu personagem, um popstar em decadência, é protagonista do folhetim

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Após se destacar na série “Entre Tapas & Beijos”, contracenando com Fernanda Torres, o ator Vladimir Brichta vem se destacando na nova novela da Globo, “Rock Story”, vivendo o roqueiro Gui Santiago, famoso nos anos 90 e esquecido nos dias atuais. Seu personagem, um popstar em decadência, é protagonista do folhetim, numa relação conturbada com Diana (Alinne Moraes). E depois de passar por séries e participar de programas de humor, Brichta mostrou seu outro lado no teatro e no cinema, com filmes como “Rei das Manhãs”, no qual vive o palhaço Bozo (dependente químico), e “Um Homem Só”, como um homem frustrado com a vida.

Na sua volta às novelas, aos 40 anos, para viver seu primeiro protagonista, Vladimir revelou que está adorando viver o roqueiro Gui, pela sua impulsividade e luta pela amada – Diana -, e já coleciona elogios por parte dos colegas de trabalho e da crítica especializada em televisão. Tudo acontece quando seu personagem entra em conflito direto com o novo astro do pop, Léo Régis (Rafael Vitti). Ambos disputam a autoria da canção “Sonha Comigo”. A situação de Gui, no entanto, se agrava quando sua esposa, Diana (Alinne Moraes), o troca por Léo, principal contratado da gravadora de seu pai, Gordo (Herson Capri).

O declínio do cantor é agravado com a assessoria prejudicial de Lázaro (João Vicente de Castro) e a chegada de Zac (Nicolas Prattes), filho de Gui com a inconsequente Mariane (Ana Cecília Castro), tardiamente reconhecido por ele após um exame de DNA. A sorte do roqueiro começa a mudar quando ele conhece Júlia (Nathalia Dill), moça que assume a identidade de sua irmã gêmea para fugir da acusação de tráfico de drogas, orquestrada pelo criminoso Alex (Caio Paduan). Vale lembrar que o ator irá cantar na produção, tanto “Sonha Comigo” quanto “Nossa Hora”. Ele revelou que “ eu toco violão bem fajuto, tenho feito aulas de guitarra. Para gravar, eu levei numa boa, só cantei e a banda foi playback. Acharam ótimo. Não consegui tocar a guitarra ao vivo, fiquei fulo da vida”, revela.

Mineiro baiano

E apesar de ter nascido em Minas Gerais, ele se considera “um autêntico baiano”, uma vez que se mudou com sua família para a Bahia aos quatro anos, após passar uma temporada na Alemanha, onde seu pai, Arno Brichta, fez doutorado em Geologia. Usa o nome Vladimir porque sempre foi conhecido assim, e na família não é costume haver dois nomes. O nome Vladimir é em homenagem a Vladimir Herzog, morto pouco antes de seu nascimento, e foi escolha do pai, que estava preso pela ditadura, o que fez a família incluir o nome Paulo para evitar maiores problemas.

Foi casado com a cantora Gena, que morreu em 1999 e com quem teve uma filha, Agnes Brichta, nascida em 1997. Vive atualmente com a esposa, a atriz Adriana Esteves, com o filho dos dois, o pequeno Vicente, sua filha Agnes e o filho do primeiro casamento de Adriana, com Marco Ricca. Em 2010, acompanhou a esposa famosa ao Japão, onde ela iniciou as filmagens da novela “Morde & Assopra”. Em 2014, é escalado para a série de Guel Arraes, que retrata os bastidores da televisão no Brasil na década de 1950, sendo o protagonista junto com Débora Falabella.

Após o falecimento da primeira esposa, ator teve que lutar na justiça pela guarda da filha. Ele fala sobre o momento mais difícil de sua vida, seguido pela luta na justiça pela guarda da filha. O pai do ator, Arno Brichta, lembrou das dificuldades do filho ainda muito jovem. “Vladimir aos 21 anos era casado e pai e com 23 anos Vladimir era viúvo. Ele batalhou muito e está colhendo aquilo que plantou. Meus parabéns”, disse.

A morte de Gena Karla aconteceu devido a uma doença chamada porfiria, que causa distúrbios no metabolismo. Vladimir deixou a filha por um curto período de tempo na casa dos avós, primeiro a avó paterna e depois a materna. O ator fez isso apenas para que pudesse restabelecer sua vida após a perda da esposa. Porém, houve um desentendimento com a avó materna e ela entrou na justiça pedindo a guarda de Agnes em 2002.

Na época a menina tinha apenas quatro anos de idade. “Hoje eu posso olhar para tudo isso e dizer: primeira, não desistir nunca! Tentei preservar a calma, tentei preservar o bom senso na medida do possível. Repetia sempre uma frase de Galileu Galilei: ‘a verdade é filha do tempo e não da autoridade’. Eu acho que o tempo conseguiu provar e colocar as coisas no seu devido lugar. Tive o apoio de muita gente para conseguir tanto lidar com o falecimento de Gena quanto para conseguir a guarda de Agnes e lidar com o período de afastamento da minha filha. E é tão maravilhoso, passado esse tempo todo, ver a Agnes hoje, uma moça de 18 anos de idade que cursa psicologia, é apaixonada por artes”, lembra Brichta.
Sobre atuar em teatro, disse Vladimir que, “eu tenho a sensação de que uma peça de teatro, dependendo da abordagem, possa conter uma série de aspectos políticos. Ou seja, não ignoro que algumas das minhas escolhas profissionais possam ser, de fato, atos políticos. Tenho essa ambição. Claro, não estou me referindo à política partidária. Além disso, creio que minha primeira função como ator esteja na capacidade de discutir, de refletir e de levantar questões que sejam de interesse público, ou que eu suponho ser”, enfatiza.

Quanto ao seu humor, “sou sim um cara bem humorado. Acredito no humor como forte ferramenta para desarmar a “taciturdez” (“taciturnice”, como preferir) que encontramos frequentemente nos outros e em nós mesmos. Injustiça é de fato o que me enlouquece”, finaliza.