Vera Holtz sem censura

Vera Holtz sem censura

A mudança de estratégia da novela “A Lei do Amor” proporcionou à veterana atriz a chance de mostrar o que sabe, tornando-se a dona da situação. Ela é imbatível interpretando a vilã Magnólia

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Aos 64 anos, Vera Holtz vem surpreendendo na novela “A Lei do Amor”, na Globo, assinada por Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, com trapaças e manobras na pele da personagem Magnólia. As mudanças no segmento da trama proporcionou à veterana atriz a chance de mostrar o que sabe, tornando-se a dona da situação. Vera é o centro das atenções, e sua insuperável Magnólia elimina sem escrúpulos as situações que a ameaçam. E não importa o que aconteça a quem quer que seja. O instinto de vingança é predominante. A partir daí, a mulher meticulosa elaborará estratégias para atingir a sua próxima vítima.

Mas na realidade não é bem assim, pelo contrário, Vera Holtz vive de bem com a vida e não se incomoda com a solteirice, alegando que não tem planos para ter filhos. “Esse desejo nunca fez parte da minha vida. O universo das lojas infantis me assusta um pouco. Tenho pavor desse mundo em miniatura hipercolorido. Roupinha de gorro é uma estética difícil para mim. Lembro-me de quando vi uma criança francesa toda vestida de preto. Já comecei a gostar”, confessa. “Olha a minha turminha dark aí! Tenho curiosidade em saber como seria acompanhar o desenvolvimento de uma vida, o aprendizado. Mas são só curiosidades”, avisa.

Em “A Lei do Amor”, a Magnólia viveu um romance secreto com o personagem de Thiago Lacerda, mas agora está casada com vilão Tião (José Mayer). Entretanto, no seu dia a dia, quando indagada sobre a vida pessoal, se está amando alguém, Vera Holtz disse que está bem, evitando entrar em detalhes. “Um amor vira um romance se você quiser escrever. Uma vez decifrada aquela história, queria conhecer uma pessoa nova. Um belo romance com paixão é inspirador. Adorava estar em estado de inspiração”, acrescenta.

Mas se referindo ao passado, ocasião em que viveu a intensidade do amor, Vera Holtz revela: “Ir à procura do parceiro tinha o significado de erguer a taça. Eu tomava a iniciativa, sim. Olhava e dizia: ´É esse!´. Sempre olhei para os homens com um pensamento no balãozinho. Quando via, já sabia: ´Vou viver uma história com ele´! Eu tenho dificuldade de estabelecer vínculos profundos. Essa ideia da durabilidade de uma relação me assustava muito. Casar é como abrir uma firma”, ressalta.

Quanto ao fato de envelhecer só, sem um companheiro, a atriz foi enfática. “Quem disse que a gente envelhece com alguém? Pode ter filho ou marido, o acerto de contas é seu, com você mesmo. Quem vai atenuar a dor de uma mulher que não vai gostar de ficar velha? O estado de solidão e de aceitação de si, da sua morte, da sua finitude não vai deixar de ser solitário. Envelhecer plena e cheia de vida é meu direito e meu dever. Não vou passar isso para ninguém”, alfineta. E quanto aos cabelos brancos, “o que eu puder prorrogar o cabelo branco, prorrogo. Não tem problema nenhum. Esse negócio de muita química na minha cabeça não é comigo”.

Personagens e carreira

Falando sobre a sua carreira, Vera Holtz afirmou que, “a minha carreira foi lenta e constante. A medida que fui sendo conhecida no Rio de Janeiro, minha carreira foi crescendo. Trabalho certo, na hora certa. Um bom papel, do seu tamanho, que possa suportá-lo. Acho que é o que alavanca a carreira”, relata. Quanto à personagem Dona Redonda, em “Saramandaia”, explica a atriz que, “adorei comer como a ela come. Eu caí de boca. A quituteira que fazia as comidas é um absurdo, tudo era muito gostoso. É uma delícia botar um cupcake todo de uma vez na boca e continuar com as roupas na medida”.

Após cursar a Escola de Arte Dramática (EAD) e a Escola de Teatro da Uni-Rio, além de outros cursos, Vera Holtz estreia profissionalmente em “Rasga Coração”, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de José Renato, em 1979. Dois anos após, integra o “Grupo TAPA”, ainda na fase carioca, com o qual realiza diversos espetáculos: “O Anel e a Rosa”, de Thakaray, 1981; “Tempo Quente na Floresta Azul”, de Orígenes Lessa, em 1983, e “Caiu o Ministério”, de França Jr., em 1985, encenações de Eduardo Tolentino de Araújo.

Para se manter, a atriz inicialmente trabalhou no “Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo” – IPT, que a transferiu posteriormente para o Rio de Janeiro, onde desenhava mapas. Vera retornou à TV em 2008 na novela “Três Irmãs” como a antagonista central Violeta Áquila, recebendo muitos elogios da crítica por sua atuação.  Em 2010, atuou em “Passione” de Sílvio de Abreu, onde interpretou brilhantemente a honesta Candê. Em 2012, interpretou a antológica Mãe Lucinda, personagem que a imortalizou como “mãe do lixão”, na novela de João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil”. Em 2014, interpreta Vic Garcez, no remake de “O Rebu”.