Uma palavra especial para a Mulher Imigrante: RESILIÊNCIA

Uma palavra especial para a Mulher Imigrante: RESILIÊNCIA

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ABR/15 – pág. 52

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Resiliência pode ser uma palavra não muito comum em nosso vocabulário cotidiano, talvez até estranho para muitos; mas, na ciência e na psicologia, é uma ferramenta muito usada na superação de provas e obstáculos. Podemos encontrar a definição simples e objetiva: s.f. “Resiliência é a habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas” (Psicologia Positiva).

O termo é oriundo da física, trata-se da capacidade dos materiais resistirem aos choques e pressões sem alterar suas qualidades. Na biologia, é o produto de interação entre o sujeito e o meio em que está inserido. Na psicologia, mais especificamente entre a cultura latina, segundo Juliana Brandão (2011), a resiliência é compreendida como uma resistência ao estresse, ora associada a processos de recuperação e separação de abalos emocionais causados pelo estresse. Nos anos recentes, o termo foi incorporado pelas ciências humanas e expressa a capacidade de um ser humano superar adversidades.

O fato de passarmos por uma séria de provas, dificuldades, perdas nesta vida, não pode ser negado em hipótese alguma. Um dia todos passarão se tais adversidades já não foram vivenciadas. Seria tão bom se Deus, na sua soberania e onipotência, pudesse voltar o tempo em alguma passagem de nossas vidas, para remover os momentos de dor, de perdas e crises e restaurar a alegria! Infelizmente, não podemos voltar no tempo e esse é um fato que temos que encarar. A única forma de encontrar paz, o único modo de nos tornarmos “resilientes” quando as nossas bases forem sabotadas é aceitando a realidade, ou melhor, encarando a nova realidade, seja ela um diagnóstico de câncer, quando os filhos saem de casa, a perda de um ente querido, um divórcio, um caso de violência doméstica, abuso, desastre, perda material, entre tantas outras.

Até tornar-se uma mulher resiliente, passa-se por diferentes reações e comportamentos mediante situação de crise, experimentando uma mistura de sentimentos e emoções, difíceis de lidar. É muito comum negarmos a própria realidade e reconhecermos que precisamos de ajuda, ou ainda optarmos por comportamentos autodestrutivos, tais como consumo excessivo de bebida alcoólica ou drogas.

Parafraseando as palavras do Dr. Dráuzio Varela, o fato de resistirmos a mudanças mediante as adversidades pode nos levar a doenças psicossomáticas. “Pessoas negativas não enxergam solução e aumentam o problema; preferem a lamentação, a murmuração e o pessimismo; nós somos o que pensamos e, portanto, pensamentos negativos geram energia negativa que pode se transformar em doença.”

É de extrema importância compreender que a resiliência não é adquirida, e sim aprendida de diversas formas, sendo uma delas a realização de programas voltados a diferentes populações. Desta forma, mostra-se essencial a participação tanto de instituições como de profissionais para a promoção da resiliência. (Rosana Angst, 2009). Pessoas resilientes apresentam características como autoestima positiva, habilidades de dar e receber em relações humanas, disciplina, responsabilidade, receptividade e tolerância ao sofrimento. Ao passar por uma situação traumática, muitas pessoas tendem a procurar ajuda profissional para orientá-las nesse contexto adverso, sendo o psicólogo um desses profissionais que possuem formação adequada para fornecer a ajuda necessária (Rosana Angst, 2009).

Na escola da vida, nunca paramos de aprender, pois ela é dinâmica e o futuro é desconhecido. Aprendemos com as nossas próprias vivências e com as experiências dos outros. O importante é não parar de sonhar lembrando ainda que- a cada prova que passamos – temos a oportunidade de melhoria e crescimento.

Encerro este artigo com uma passagem escrita por Elizabeth Edwards, em seu livro “Resilience”. Ela conta sua trajetória quando perdeu o filho em um trágico acidente de carro e compara seu processo de adaptação a de um soldado que perdeu sua perna em uma batalha. Muitas pessoas perguntavam a ela se havia superado a perda. Como alguém poderia superar algo que perdeu? A vida nunca voltará a ser a mesma. Mas aprendemos a encarar e a ajustar-se a uma nova realidade de forma positiva. Isso é resiliência.

Referências:

Angst, Rosana. 2009. Psicologia e Resiliência: uma revisão de literatura. PUC – PR.
Brandão, Juliana. 2011. A Construção do conceito de Resiliência em Psicologia: discutindo as origens. Centro Universitário de Belo Horizonte.

sandraSandra Freier
Registered Marriage and Family Mestrado em Aconselhamento Pastoral e Aconselhamento para Casais e Família. Atende na First Orlando Counseling Center
Contato: San.crfreier@gmail.com