Dar tréguas agora poderá reforçar a retomada da causa

Um bom guerreiro não foge à luta, mas em tempos de festividades de fim de ano e de recesso parlamentar o convívio com os familiares irá beneficiar o imigrante. À volta por cima terá muito mais vigor em 2014

DA REDAÇÃO

Barack Obama - Crédito: AP Photo/Isaac Brekken
Barack Obama – Crédito: AP Photo/Isaac Brekken

O recesso parlamentar em Washington devido às festividades de final de ano interrompeu mais uma vez o fluxo de discussão da reforma imigratória no país, transferindo para 2014 a continuidade de uma causa que vem mobilizando vários segmentos sociais e políticos, incluindo a expectativa de 11 milhões de indocumentados que se mantêm na longa fila de espera. Por sua vez, o presidente Barack Obama deixou claro o seu empenho na revisão das leis de imigração nos Estados Unidos, a sua prioridade principal na política interna. Ele expressou apoio cauteloso a um plano bipartidário feito por oito senadores que criaria o caminho para a cidadania em troca de vigilância mais dura nas fronteiras, antecedentes laborais e vistos de trabalho temporários para trabalhadores rurais e para engenheiros e cientistas altamente qualificados.

É necessário ter paciência e muita calma, afinal, a mobilização de imigrantes nos últimos meses, aparada por grupos religiosos, intensificou o plano de pressão aos congressistas que se veem acuados perante a opinião pública. Algo precisa ser feito o quanto antes, todos sabemos disso, mas o caminho é árduo, embora a causa tenha avançado consideravelmente, o que representa bom sinal. Os resultados positivos são esperados no ano vindouro, esta a esperança, mesmo esbarrando-se na inconveniência de um grupo de congressistas republicanos que se mantêm irredutíveis, exigindo empenho e diplomacia por parte dos democratas, diante do impasse.
Ainda faltam detalhes importantes, óbvio, mas a estrutura geral é notável pela sua familiaridade. Variações de todas essas medidas já foram tentadas no passado, com resultados mistos. A legalização dos que não têm documentação é uma medida prática e humana, mas as propostas para controlar a imigração futura são acirradas e preponderantes. É uma queda de braço.

O governo federal continua a derramar bilhões de dólares na vigilância das fronteiras e na imposição de sanções punitivas a trabalhadores sem documentos, e o sistema de detenção de imigrantes cresceu. Essas abordagens não são apenas desumanas, mas também mal orientadas; o mercado de trabalho, mais do que tudo, determina os altos e baixos da imigração.

Lembrando que a reforma de 1986 regularizou o status de quase três milhões de imigrantes, mas não fez nada para mudar o sistema que incentiva e até mesmo garante futuras entradas não autorizadas. Dessa vez, precisamos de mais do que meias medidas. Não precisamos imitar a estrutura exata da proposta do Senador Hart, mas devemos defender um sistema semelhante, com os mesmos princípios de flexibilidade e imparcialidade. A reforma abrangente das leis de imigração deve significar um retorno à tradição de acolher os imigrantes que vêm aqui para trabalhar, dando-lhes a oportunidade de se tornarem americanos.

Cardeal Sean O’Malley - Crédito: Franco Origlia/Getty Images
Cardeal Sean O’Malley – Crédito: Franco Origlia/Getty Images

Com o apoio de líderes religiosos, o movimento em prol de mudanças na lei de imigração ganhou muito mais força nos Estados Unidos, ressaltando o empenho do Cardeal Sean O’Malley, Arquidiocese de Boston, que enviou um comunicado ao Congresso afirmando que o clero é favorável às mudanças nas Leis Imigratórias. O Chefe da Igreja Católica de Boston (MA) uniu-se a outros bispos de vários estados americanos. O mesmo ocorreu Troy Johnson, ex-pastor da University Christian Church em Cincinnati, e diretor da Vozes Proféticas de Ohio, formando uma poderosa aliança religiosa estadual que defende causas sociais.

CONFRATERNIZAÇÃO FAMILIAR

O Natal e as festividades para receber 2014 não devem ser ofuscados pela expectativa de resolver – a qualquer custo – a causa dos imigrantes ilegais em fase de recesso parlamentar. Claro que o nível de espera é intenso, o estresse também, mas não devemos nos esquecer de que a trégua momentânea reforçará a retomada da luta. À volta, certamente, terá muita mais garra, portanto, aproveite o convívio com os familiares em tempos de festas. De nada irá adiantar abdicar-se das atividades alusivas ao fim de ano o que poderá resultar em frustrações no convívio com a família. Tudo tem o seu momento.

Claro que um bom guerreiro não foge à luta e que a Comunidade Brasileira deve estar atenta e participativa na causa que tomou proporções importantes no país, contando com o aval de membros do governo Obama. Acreditava-se na aprovação de uma mudança nas leis de imigração até o final de 2013, mas a medida transferiu-se para o ano seguinte, com a volta dos legisladores à Washington-DC, depois do recesso de final de ano. Vamos aguardar confiantes. Dar o voto de misericórdia.