Quando mudar de ramo é necessário!

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NOV/13 – pág. 40

CNSPhoto-WOMEN-SALESTenho tido muito contato com novos residentes que pretendem mudar-se para a área da Central Flórida e que procuram estabelecer-se financeiramente. O difícil é encontrar alguma atividade que tenha algo a ver com aquilo que essas pessoas fazem no Brasil.

Como a economia no Brasil é fechada e, nos Estados Unidos, é muito aberta, há sempre a divergência do que é bom lá não ser bom aqui e vice-versa. Tenho mostrado alguns negócios de alta lucratividade, por exemplo, 30% sobre o preço de compra, mas a barreira da atividade econômica ser diferente daquilo que se costuma fazer no Brasil leva sempre o investidor para o lado que ele considera mais seguro e que nós sabemos que aqui não é tão seguro assim. O exemplo típico são os postos de gasolina. Todos nós sabemos de alguém que chegou aqui com algum capital, investiu em posto de gasolina, perdeu tudo e voltou. Não adianta avisar, isso sempre acontece.
Para tentar abrir algo, bom no Brasil, mas duvidoso aqui, darei alguns exemplos sobre alguns casos de que participei.

Posso enumerar quatro de uma centena de atividades em que há facilidades para a pessoa adaptar-se. Não tenho a intenção de mostrar que tudo é fácil, mas que, no mundo dos negócios, muita coisa que parece impossível é viável se você tiver persistência e competência.

Atividades médicas

As oportunidades que aparecem nesse mercado são sempre lucrativas e não há necessidade de ser formado em alguma área de medicina para ser dono. Não precisa ser médico, mas precisa ter tino comercial e administrativo para entender de leis, contabilidade e vendas. O receio de que os técnicos dominarão o negócio e você acabará sendo prejudicado não se confirmaram em nenhum dos negócios que conheço e tenha participado.

Por exemplo, em 2008, um cliente vendeu um hotel e acabou comprando uma clínica de fisioterapia. A administração anterior produzia um lucro anual de $500 mil, e ele pagou $1,500,000 pelo negócio. Na hora da compra, ele usou um “coeficiente de incompetência” e trabalhou com a meta de conseguir $300 mil de lucro para ser conservador. Nos primeiros dois anos, ele ficou bem próximo desse número, sendo que, a partir do terceiro, igualou ao lucro que havia sido declarado pelo antigo dono, ultrapassando depois esses números. Hoje, já amortizou tudo que pagou e está procurando outro negócio, tendo capitalizado o lucro desse período.

O caso acima, infelizmente, não é de nenhum brasileiro, mas de asiático. Diversas vezes, mostrei negócios como esses a amigos vindos do Brasil, mas a rejeição é muito alta e nunca consegui vender ou fazer com que comprassem nada no ramo.

Distribuição pela internet

Este é outro negócio que não dá certo no Brasil, mas que aqui é muito popular entre os investidores devido à seriedade e eficiência dos meios de transporte e distribuição, além de um sistema de cobrança por cartões de crédito extremamente confiável. Nesse setor, a rejeição dos brasileiros é em relação ao que paga, pelo vazio. Ou melhor, pelo fundo de comércio, como dizem no Brasil (goodwill aqui). Ninguém quer pagar $ 2 milhões por uma empresa que só tem $120 mil em estoque. Essa falta de flexibilidade para entender os negócios é latente. Ainda este ano, uma empresa, na qual tenho negócios, foi vendida por $75 milhões, sendo que o estoque de mercadorias não chegava a $10 milhões, porém o lucro era de $11 milhões na época. Hoje, já vale $100 e lucra $14. Na compra de uma empresa nesse setor, o investidor tem que ter boa noção de logística, baixo estoque, eficiência na entrega e na cobrança, aliados à boa política de retorno.

Setor de prestação de serviços

Medical-Office-Building-ExteriorAcabo de receber oferta de uma empresa de decoração de interiores que gera quase $220 mil por ano e o preço não chega aos $300 mil. Logicamente que essa empresa tem muito a ver com as características profissionais do dono que, no caso, é o principal gerente da empresa. Mas aí vem a segunda parte dessa equação: a adaptação do investidor ao novo ramo de atividade. Ao chegar aos Estados Unidos, há a necessidade de se fazer um curso, ter alguma licença ou diploma de uma escola ou universidade local.

Uma empresa de serviços relacionados à limpeza, jardinagem, manutenção de serviços gerais pode ser comprada facilmente ou até aberta com baixo investimento, e as pessoas, mesmo não sendo experts na atividade, podem se dar bem e obter sucesso. Porém, com alguns meses de escola e cursos, poderiam conseguir uma licença como profissional. Alguns exemplos são: avaliador, corretor, eletricista, especialista em ar-condicionado, serviços de encanamento, entre outros. Os níveis de negócios são mais altos e mais bem pagos e você acaba usando a mesma quantidade de horas de trabalho que nos outros serviços de baixa especialização.

No Brasil, aqueles que vêm da área de ciências e exatas podem procurar algum filão de mercado onde se especializem, como home inspectors, investigadores de solo, agrimensores, geotechnical, especialistas em meio ambiente e um sem fim de outros serviços especializados que envolvem diplomas e licenças.

A razão pela qual há muito mercado é que os construtores estão sempre sujeitos a novos requisitos de relatórios técnicos que os departamentos de construções e códigos das cidades e dos condados requerem quanto a inspeções e investigações.

Venda de veículos

Nesse setor, não há necessidade de se ter tido uma concessionária de veículos no Brasil para ter sucesso. Há alguns meses, escrevi sobre como poder exercer esse negócio e obter a licença para vender carros. Se interessar, consulte http://www.nossagente.net/antonio-romano-materias/ (maio de 2012).

Por que considero que é possível alguém que nunca foi do ramo se dar bem no mercado de carros usados? Pela comparação com outras lojas de venda de carros já estabelecidas na cidade. Os brasileiros têm um “jeitinho” para tratar os clientes. A nossa responsabilidade de servir bem, peculiar ao nosso povo, é a razão do sucesso dos que aqui estão estabelecidos e vão se estabelecer.

Eles agradam a comunidade brasileira e outros clientes – desde os hispanos até os americanos nativos. Somos mais flexíveis, mais fáceis de ajudar a pessoa a comprar o veículo etc.

Esse ramo requer não só a capacidade administrativa e logística como descrevi acima, mas bom conhecimento de mercado, estudo da sazonalidade e alguma noção técnica para poder comprar bem. Aliás, esse setor só dá dinheiro para quem sabe comprar, não para quem sabe vender. Nada que, com seis meses de experiência, não se consiga.

A probabilidade de sucesso é muito grande para aqueles que usarem sua capacidade e voltarem a aprender nas escolas. Não há uma regra simples como colocar uma criança na escola primária e deixar que ela se forme em uma especialização após 20 anos. No nosso caso, temos que entrar no bonde já andando, temos que pedalar e aprender ao mesmo tempo, mas as chances de sucesso são maiores quando as pessoas sabem disso e acreditam que atingirão seus objetivos. Chegar a uma terra estranha e querer que os locais se adaptem é pura ilusão. Há equilíbrio no mercado e o melhor é ir se adaptando a ele ao invés de querer modificá-lo.

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