Quando masterização é assunto sério

Quando masterização é assunto sério

Edição de março/2019 – p. 42

Quando masterização é assunto sério

Ele é profissional de masterização há mais de 20 anos. Já trabalhou com masterização para televisão e cinema, mas sua grande paixão continua sendo trabalhar com produtores musicais e artistas. Ao contrário de outros profissionais, ele vem investindo no processo de masterizar com o uso de fones de ouvido, até porque esse tipo de dispositivo vem sendo amplamente utilizado por ouvintes de música. Confira a seguir entrevista exclusiva para o Nossa Gente com Cassio Centurion e a sua arte de masterizar.

Nossa Gente – Você é autodidata ou realizou cursos de áudio previamente a oferecer seus serviços?

Cassio Centurion – Sim, tive a oportunidade de participar de diversos cursos rápidos e workshops nestes 24 anos de áudio. Passei pela SAE Institute, na Alemanha, li diversos livros e continuo estudando tudo que posso. Mas eu diria que a minha principal base de informações consegui na prática, na tentativa e erro. No áudio as coisas são muito subjetivas e cheias de variáveis. Tem coisas que só com tempo e experiência conseguimos amadurecer. Hoje me considero um pesquisador da área e gosto de realizar meus próprios experimentos sempre que posso.

NG – Quais os trabalhos de áudio que realiza? Masterização e mixagem?

CC – Nestes 24 anos no ramo, os últimos 14 foram dedicados a masterização, área na qual me especializei e que é realmente a minha paixão. Mas eventualmente aparecem clientes precisando de mixagem e sempre que posso eu atendo. Também gosto bastante de mixagem, mas eu diria que meu mindset é mesmo de técnico de masterização, e é interessante abordar a mixagem desta forma.

NG – Paralelamente ao trabalho com artistas, realiza também serviços para broadcast e cinema?

CC – Sim, já tive a oportunidade de participar de alguns trabalhos de documentário e cinema, e sempre que aparecem é um prazer fazer parte. No entanto, a grande maioria dos trabalhos que faço são projetos musicais.

NG – Na sua opinião, o que é indispensável para que um profissional ofereça serviços profissionais de áudio como mixagem e masterização?

CC – Eu penso que nesta área a experiência está acima de tudo. O fator humano pesa demais no resultado. O sistema de som vem logo em seguida, e é fundamental trabalhar com o melhor sistema possível. Seja com caixas high-end em uma sala acusticamente projetada ou com um sistema de fones de alta qualidade. Sem conseguir ouvir toda a extensão de frequências de forma linear, com muita clareza, os julgamentos serão comprometidos. E claro, não estou esquecendo dos ouvidos, que talvez sejam os mais importantes. Lembrando que você só consegue ouvir aquilo que o seu sistema/sala te entrega, e enquanto o técnico não trabalha com um sistema de som excelente, o desenvolvimento dos ouvidos fica limitado.

NG – Os clientes de seus serviços estão localizados principalmente no Brasil ou no exterior?

CC – Já tive a oportunidade de trabalhar com artistas de mais de 20 países, mas a maioria dos meus clientes são sim do Brasil. Do exterior eu trabalho muito com produtores de música eletrônica, como goa trance, fullon, electro e outras vertentes. A maioria deles vem da Europa e também muitos de Israel, que tem uma cena eletrônica muito forte.

NG – Para quais países já prestou serviços?

CC – Não vou me lembrar de todos, mas os principais foram Bélgica, Alemanha, França, Portugal, Noruega, Suécia, Turquia, Israel, Estados Unidos, México, Angola e Uruguai.

NG – Há muitos clientes para serviços de masterização via e-Mastering?

CC – Eu fui um dos primeiros a atender via internet e hoje trabalho exclusivamente desta forma. O mercado musical sofreu muitas mudanças e sinto que ainda tem muito para se ajustar. Mas sem dúvida que o mercado online está em crescimento para diversas áreas, e no caso da masterização acho muito válido, pois nem todos os artistas estão próximos de um profissional de masterização para um trabalho presencial. O serviço online te permite chegar no técnico que você quiser e isso é muito positivo!

NG – Qual é o segmento de música que mais procura por seus serviços?

CC – No Brasil, eu diria que sertanejo e gospel. No exterior, Hip Hop e música eletrônica em geral.

NG – Quais os trabalhos de maior repercussão que já realizou?

CC – A maioria dos meus clientes são artistas independentes que atingem públicos específicos. Mas para citar alguns de maior destaque, já trabalhei como o SBT, TV Bandeirantes, banda Calypso, Stevam Hernandes, Agneton, Shivax, Astrix, Renan Zonta, Surper Crow, Anjos do Hangar, Voz a Voz, Lucas e Matheus. Tenho trabalhado também em parceria com o Global Studio de Santa Catarina, que grava alguns dos maiores nomes da música do Sul do Brasil, como Diego e Gabriel, Nave Som, Banda Cometas, As Morenas e por ai vai.

Continua na edição de abril