Ousadia de Cláudia Raia em Verão 90

Ousadia de Cláudia Raia em Verão 90

Impulsiva e atravessando o sinal vermelho na novela “Verão 90”, a personagem Lidiane, ex-estrela da pornochanchada, vivida por Cláudia Raia, traz uma dosagem de comicidade

Edição de fevereiro/2019 – p. 46

Ousadia de Cláudia Raia em Verão 90

Cláudia Raia vive um dos momentos marcantes da sua carreira na pele da sedutora e irreverente Lidiane, ex-estrela da pornochanchada, destaque da novela “Verão 90”, da Globo. Impulsiva e atravessando o sinal vermelho em várias situações da trama, a personagem tem uma dosagem de comicidade, lembrando os “velhos tempos” quando a atriz integrava o elenco do humorístico “Casseta & Planeta”, exercitando seu lado cômico. Com os cabelos tingidos em tom avermelhado, lembrando Julia Roberts no filme “Uma Linda Mulher” (1990), diz que é adora a experiência de “entrar no túnel” e voltar no tempo, já que a novela passa nos anos noventa.

Quando fala da diversificação de suas personagens nas novelas de Globo, caso da inquieta Lidiane em “Verão 90”, Cláudia Raia é objetiva: “Tenho trinta e oito anos de televisão. Meu desafio começa aí, não me repetir, fazer um personagem de comédia que não seja igual aos outros. E a Lidiane é extremamente rica, é muito difícil de fazer porque ela vai do choro ao riso em cinco segundos. Mas a gente se entrega e tudo dá certo”, ressalta.

E reviver a década de 90 é o novo desafio de La Raia, pois foi nesse período em que ela fez história na televisão na pele de personagens inesquecíveis, como Adriana Ross, a “bailarina da coxa grossa” da novela “Rainha da Sucata”, em 1990. Outro destaque foi a Maria Escandalosa e “Deus nos Acuda”, em 1992, consolidando a chega triunfal. Foi também nesse período que estrelou em musicais, deixando evidente que é uma atriz completa – canta, dança, faz humor e personagens dramáticas.

Admite ser hoje uma mulher amadurecida, com suas convicções, E desde a sua estreia na TV, muita coisa aconteceu, mas garante que mantém a mesma essência. “Não me arrependo de ter posado nua, também fiz essa história. Era a mulher bonita e gostosa e optei por virar uma atriz, mas ao mesmo tempo não olhei de cara feia para a mulher gostosa e bonita”, complementa. “Aprendi muito na minha trajetória, jamais abri mão da minha verdade. Enfrentei desafios no início da carreira, mas trabalhei, corri atrás, fiz as coisas acontecerem”, conta a estrela.

Aos 51 anos, a atriz diz que idade nunca foi um empecilho na sua carreira. Quantos aos cuidados para manter-se sempre jovem, disse o seguinte: “É uma vida inteira de cuidados. Mas é uma vida de muita felicidade também. Fiz de tudo um pouco, nunca me privei de algo pensando que ia me envelhecer. Mas nunca fiz nada que fosse prejudicial. Nunca tomei hormônio, porque não queria e porque tenho enxaqueca, então não podia, e acredito que isso foi um ganho. Também não gosto de tomar sol”, revela.

“Fumei na minha juventude e depois nunca mais. Passei a vida inteira sem beber, agora bebo um vinhozinho de vez em quando. Acredito que isso tudo reverte ao meu favor hoje, aos 51 anos. Agora, sem dúvida, você é o que come, o seu corpo é o exercício que você faz e a qualidade de vida que você tem. E isso não significa perder os prazeres da vida, existe o meio termo. Mas acho que a verdadeira dica da beleza é se amar, se conhecer, se aceitar e tirar a felicidade lá de dentro. Acordar todas as manhãs, olhar para o dia, agradecer por ter acordado e aproveitar com felicidade. Acredito que essa é a verdadeira beleza”.

Jô Soares e Edson Celulari

Viveu romance com o humorista Jô Soares e foi casada com Alexandre Frota – eleito deputado federal por São Paulo –, posteriormente casando-se com o ator Edson Celulari, com quem teve dois filhos – Enzo e Sophia. O seu primeiro trabalho profissional aconteceu aos dez anos de idade, como manequim do costureiro Clodovil Hernandes. Hoje Cláudia está casada com o também ator Jarbas Homem der Mello.

No início da carreira de bailarina, dançou profissionalmente nos EUA e na Argentina. Ganhou bolsa para estudar balé em Nova York, aos 13 anos, onde ficou por quatro anos. Aos 15 anos participou da versão brasileira do musical “A Chorus Line”, fazendo o papel de Sheila, personagem dezoito anos mais velha.

Sua estreia na televisão foi marcada com a personagem Carola, contracenando com o ator Jô Soares no esquete “Vamos Malhar” do programa humorístico “Viva o Gordo’, na Globo. Mas a grande chance da carreira de atriz aconteceu em 1985 fez, como a dançarina Ninon na enigmática novela “Roque Santeiro” da Globo. Outro ponto importante aconteceu em “Cambalacho” e na novela “Sassaricando”, vivendo a feirante Tancinha.

Indagada sobre a carreira, e se se sente realizada, Claúdia Raia disse que, “De jeito nenhum! Agradeço muito por tudo o que eu vivi até hoje, tenho uma carreira extensa, comecei a trabalhar muito cedo, mas não estou nem perto de me sentir totalmente realizada. Tenho muita coisa para fazer ainda. Sou uma mulher e uma artista muito inquieta, e essa inquietude me traz sempre para novos desafios”, diz.